VENEZUELA: “Estamos a avaliar os danos para perceber como a Fundação AIS pode ajudar melhor”, diz responsável de projectos

A Fundação AIS está profundamente comprometida com a ajuda à Igreja da Venezuela após os terríveis terramotos que sacudiram o país na passada quarta-feira, dia 24. Luis Vildoso, responsável de projectos da fundação pontifícia para este país latino-americano, diz que além da ajuda de emergência, é preciso começar a trabalhar na reconstrução da missão da Igreja, que tem sido incansável no apoio às populações. Sinal disso, os padres têm celebrado missas nas ruas e os templos estão transformados em lugares de refúgio…

Entretanto, o secretariado nacional da Fundação AIS lançou a campanha “SOS Venezuela”, de ajuda de emergência, como resposta às necessidades mais urgentes e para a reconstrução de Igrejas e espaços paroquiais destruídos ou danificados.

Milhares e milhares de pessoas continuam desaparecidas, há quarteirões inteiros destruídos e teme-se uma catástrofe de enormes dimensões. Só na província de La Guaira, as autoridades estimam que cerca de 70 mil famílias tenham sido afectadas.

Como primeira resposta a este imenso desastre, a Fundação AIS Internacional aprovou o envio de 100 mil euros de ajuda imediata para a Igreja da Venezuela. A fundação pontifícia pretende assim apoiar o trabalho dos sacerdotes e das religiosas das dioceses afectadas que, apesar de terem sofrido graves danos, continuam a acompanhar as vítimas, a acolher famílias e a dar apoio espiritual às comunidades assoladas pelo medo, pelo luto e pela incerteza.

“A Igreja na Venezuela tem experiência, porque o país já sofre há muitos anos”, explica Luis Vildoso, responsável pelos projectos da AIS para a Venezuela.

A Igreja permanece ao lado do seu povo. Consola quem chora, acompanha as famílias que procuram os seus entes queridos e abre as suas portas a todos aqueles que precisam de refúgio. A par desta resposta pastoral, já estamos a avaliar os danos para determinar como a Fundação AIS pode apoiar melhor agora nesta emergência, mas também na reconstrução a longo prazo da missão da Igreja.”

Uma missa que continuou na rua

Um dos testemunhos mais comoventes recebidos pela Fundação AIS vem do Padre Ignatio Caleya, da diocese de Petare, que celebrava a missa na festa de São João quando ocorreu o terramoto.

A igreja estava cheia de fiéis. Quando o chão começou a tremer violentamente durante a segunda leitura, as pessoas abandonaram o edifício. Uma vez lá fora, em vez de interromper a celebração eucarística, o padre continuou a celebrar a missa ao ar livre. Numa questão de minutos, o que tinha começado como uma evacuação de emergência transformou-se num acto extraordinário de fé. Os residentes que tinham fugido de blocos de apartamentos próximos juntaram-se à celebração, tal como os doentes e o pessoal evacuados de um hospital vizinho. Perante o medo pela própria vida, a liturgia tornou-se um momento de consolo e força para toda uma comunidade.

Para a Fundação AIS, este episódio reflecte uma das grandes missões que a Igreja desempenha nesta catástrofe: estar presente onde as pessoas mais precisam de esperança.

“A minha família continua desaparecida”

Outro sacerdote de La Guaira partilhou com a AIS Internacional uma tragédia muito mais pessoal. Embora ele próprio e a casa paroquial tenham saído ilesos, vários membros da sua família continuam desaparecidos, entre eles uma sobrinha de três anos. Enquanto continua a cuidar dos seus paroquianos, saindo às ruas para consolar e rezar com aqueles que ficaram sem casa, também ele está a suportar a angústia que milhares de famílias venezuelanas experimentam por estes dias, ainda à espera de notícias de entes queridos presos sob edifícios desmoronados.

Esta é uma das feridas dolorosas que a Venezuela enfrenta neste momento, especialmente em La Guaira e também em Caracas. La Guaira, em particular, já sofreu em 1999 um enorme desastre natural: a “tragédia de Vargas”, como ficou conhecida a avalanche de lama que causou então milhares de vítimas mortais.

Só Deus e a fé podem aliviar o sofrimento

Maria Lozano, responsável de comunicação da Fundação AIS Internacional, que conhece bem as dioceses afectadas, recorda as muitas viagens de trabalho realizadas nos luigares que agora são cenário de desastre. “Percorremos estas ruas, rezámos nestas igrejas e passámos muito tempo com os padres e as famílias que agora vivem este pesadelo. É por isso que esta tragédia nos parece tão próxima. Em cada grande catástrofe, chega um momento em que as estatísticas já não são suficientes para descrever o que as pessoas estão a viver”, diz.

“Neste momento, a nossa esperança é que mais pessoas continuem a ser resgatadas com vida. Mas todos temem que, à medida que as horas passam e se acede a mais edifícios, a verdadeira magnitude da tragédia se torne dolorosamente evidente. Neste momento, há pais à espera de notícias dos seus filhos, crianças à procura dos pais e famílias que ainda não sabem se os seus entes queridos continuam vivos sob as ruínas. Só Deus e a fé podem aliviar esse sofrimento”, diz.

A Fundação AIS mantém um contacto próximo e contínuo com a Igreja venezuelana e prepara-se para apoiar tanto a assistência de emergência como a reconstrução das infraestruturas eclesiásticas danificadas, para que as comunidades locais possam continuar a receber apoio espiritual, pastoral e humanitário nos próximos meses.

Proximidade de Portugal

A tragédia que se abateu sobre a Venezuela está a ser acompanhada também com muita intensidade em Portugal. Sinal desta proximidade, o secretariado nacional da Fundação AIS avançou, ainda no final da semana passada, com uma campanha de emergência, “SOS Venezuela”, procurando mobilizar os seus benfeitores e amigos para a ajuda à Igreja deste país.

Num ‘e-mail’ enviado para casa de milhares de portugueses, a directora do secretariado nacional da Fundação AIS explica a importância e urgência desta campanha até pelos laços afectivos que nos ligam a este país. A Venezuela “é uma terra profundamente ligada a Portugal, onde vivem cerca de 1,2 milhões de portugueses e luso-descendentes”.

Esta ajuda de emergência da Fundação AIS procura dar resposta às necessidades de milhares de famílias desalojadas, fornecendo alimentos, medicamentos e bens essenciais a quem tudo perdeu, mas também para a reparação de igrejas e edifícios pastorais que foram destruídos ou danificados pelos terramotos. Numa palavra, como explica Catarina Martins de Bettencourt, procura-se “reforçar” a resposta da Igreja local que é, por estes dias, talvez, a instituição mais organizada na Venezuela e, por isso, mais capaz de dar uma ajuda concreta aos que estão em maior necessidade.

A mensagem termina com um pedido de oração pelo povo venezuelano, por todas as vítimas desta tragédia, pelos que perderam a vida, pelos seus familiares em luto, pelos sacerdotes, religiosas e voluntários que estão na linha da frente desta emergência. “Que Deus acolha os falecidos na Sua infinita misericórdia e conceda força e consolo a todos os que sofrem”, diz Catarina Bettencourt, agradecendo a generosidade e amizade que os portugueses sempre manifestaram para com a Igreja que sofre no mundo.

SOS Venezuela

Apoie as vítimas dos sismos

Maria Lozano e Paulo Aido

Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


The reCAPTCHA verification period has expired. Please reload the page.

Relatório da Liberdade Religiosa

A crise política, social e económica da Venezuela continua, resultando numa crise humanitária caracterizada pela escassez de alimentos e medicamentos. O Governo fornece ajuda apenas àqueles que se inscreveram no seu registo ou através de programas que favorecem determinados grupos religiosos nele inscritos. A Igreja Católica continua a denunciar a deterioração da democracia, as deslocações forçadas de pessoas e a pobreza punitiva, bem como as contínuas violações dos direitos humanos cometidas pelo regime.

VENEZUELA

918 125 574

Multibanco

IBAN PT50 0269 0109 0020 0029 1608 8

«Desde o início, a missão da Fundação AIS tem sido promover o perdão e a reconciliação, bem como acompanhar e dar voz à Igreja onde quer que ela se encontre em necessidade, onde quer que se sinta ameaçada, onde quer que sofra.»

PAPA LEÃO XIV

© 2024 Fundação AIS | Todos os direitos reservados.