No dia 6 de Agosto de 2014, e no espaço de poucas horas, mais de 100 mil pessoas tiveram de fugir das terras bíblicas de Nínive, no Iraque, procurando salvar as suas vidas face à chegada iminente dos terroristas do Estado Islâmico. Foi há 12 anos.
Para a Fundação AIS, é importante que o mundo não esqueça o que aconteceu, até porque a ameaça às comunidades cristãs por parte de grupos jihadistas continua a ser uma realidade cruel nos dias de hoje. “O que se passa em Moçambique é exemplo disso”, diz a directora do secretariado nacional da Fundação AIS.
Foi há 12 anos. A ameaça jihadista sobre os cristãos do Iraque teria o seu momento mais dramático na noite de 6 para 7 de Agosto de 2014. A chegada iminente dos terroristas do Daesh, o tenebroso grupo jihadista Estado Islâmico, provocou então a fuga a cerca de 100 mil pessoas. Homens, mulheres e crianças tiveram de fugir num par de horas para salvar as próprias vidas deixando para trás tudo o que tinham.
A invasão das terras bíblicas da Planície de Nínive transformou-se desde então num exemplo trágico do que significa a perseguição religiosa nos tempos modernos. Milhares de pessoas, na sua esmagadora maioria cristãos, caminharam pelas estradas, em alvoroço, rumo às cidades curdas de Erbil e Dohuk, situadas a norte. O patriarca emérito Louis Sako recordou essas horas dramáticas:
“Cerca de 100 mil cristãos, aterrorizados e em pânico, fugiram das suas casas sem nada, apenas com as roupas do corpo, a pé, rumo às cidades curdas. Entre eles havia doentes, idosos, crianças e mulheres grávidas a precisar de água, comida, medicamentos e um lugar para ficar.”
Cardeal Louis Sako
A fuga foi terrível, mas os tempos que se seguiram não o foram menos. Valeu à comunidade cristã uma imparável onda de solidariedade que nasceu por esses dias um pouco por todo o mundo impulsionada em grande medida pela Fundação AIS. A operação de ajuda humanitária que arrancou logo após a invasão e ocupação das terras bíblicas de Nínive é assinalável, mas é fundamental mesmo é não esquecer o que aconteceu. O ataque aos cristãos, o sofrimento de milhares de pessoas forçadas a fugir é ainda hoje um exemplo do que pode suceder quando a liberdade religiosa está ameaçada.
Um terror que se vai globalizando
Para a Fundação AIS, o dia 6 de Agosto será sempre um memorial pelos Cristãos perseguidos. “A invasão há 12 anos das terras bíblicas da Planície de Nínive não pode ser esquecida”, diz a directora do secretariado nacional da Fundação AIS. “O sofrimento por que passaram tantos milhares de irmãos nossos é também um aviso para aquilo que, infelizmente, continua a suceder no mundo”, acrescenta Catarina Martins de Bettencourt.
“O que se está a passar em Moçambique, com ataques constantes por parte dos terroristas do grupo Estado Islâmico, precisamente os que invadiram e ocuparam Nínive, é sinal disso. Passou já mais de uma década, mas o que vemos é que a ameaça aos cristãos se desdobrou entretanto para imensos países, deixando de estar centrada no Médio Oriente mas transferindo-se para África, onde hoje é uma realidade cruel na vida de milhões de pessoas”, sublinha a responsável.
Rezar pelos cristãos perseguidos
É por tudo isto que a data de 6 de Agosto deve ser assinalada. “Para a Fundação AIS o mais importante é mesmo ter presente o que aconteceu, lembrar o sofrimento de tantos irmãos na fé e rezar por eles. Neste dia 6 de Agosto, a Fundação AIS convida todos os portugueses a lembrarem o que aconteceu há 12 anos nas terras da Planície de Nínive. É preciso não esquecer e é preciso sempre denunciar ao mundo que este foi um dos maiores ataques nos tempos modernos contra uma comunidade religiosa”, diz ainda Catarina Bettencourt.
“A melhor maneira de homenagearmos os cristãos perseguidos, a melhor maneira de dizermos ao mundo que temos de defender a liberdade religiosa como um direito básico e inalienável do ser humano é rezando. E é isso que, uma vez mais, propomos a todos os portugueses. Que transformem, de alguma maneira este dia 6 de Agosto num tempo de oração e de memória pelos cristãos perseguidos e por todos os que sofrem pela sua fé”, diz a concluir a responsável do secretariado português da Fundação AIS.
O dia 6 de Agosto é já assinalado em diversos secretariados da Fundação AIS como “Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos”. É o caso de Portugal, em que no site da instituição se procura fazer a sensibilização para esta questão e se faz um convite directo à oração por todas as vítimas de intolerância religiosa, e é também o que se passa no Brasil, onde esta celebração tem mesmo o apoio da conferência episcopal.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







