Leão XIV escreveu uma carta a Daniel Chapo a pedir informações sobre o andamento das investigações ao homicídio de D. Osório, Bispo de Quelimane, assassinado a tiro na residência episcopal a 6 de Junho. O Papa acompanha este caso com muita proximidade. Sinal disso, no mês passado recebeu em audiência privada, no Vaticano, uma delegação da Conferência Episcopal moçambicana.
O Santo Padre escreveu uma carta ao presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, a pedir informações sobre o assassinato a tiro, a 6 de Junho, de D. Osório Citora Afonso, Bispo de Quelimane. A informação foi divulgada pelo Arcebispo de Maputo, em declarações à imprensa local, e confirmada pela Fundação AIS junto de vários bispos.
D. João Carlos Nunes referiu a “preocupação” do Papa pela evolução das investigações em curso. Segundo ele, a carta do Papa vem sublinhar a apreensão da Igreja moçambicana pelo facto de apenas se saber, sobre este caso, aquilo “que se comunica a nível da imprensa”. “É importante reconhecer que nós também somos interessados, queremos saber efectivamente o que se passou”, disse ainda o Arcebispo de Maputo.
O prelado afirmou também que está prevista “uma assembleia extraordinária” da Conferência Episcopal moçambicana para se analisar tudo o que envolve o assassinato do Bispo de Quelimane.
“Profundo pesar” do Papa
O crime, como a Fundação AIS noticiou na ocasião, ocorreu na madrugada de 6 de Junho e D. Osório foi morto a tiro tendo sido usado, segundo as próprias autoridades policiais, uma arma de guerra. Na altura, o Papa estava em Espanha, em visita oficial, e manifestou o seu “profundo pesar” pela morte violenta de D. Osório. Mal se soube do crime, a Igreja exigiu, numa Nota Pastoral emitida pela Conferência Episcopal (CEM), o aprofundamento rigoroso do que aconteceu, dizendo que a morte do bispo foi “uma tentativa de silenciar a voz da fé, da justiça e da paz”.
Os prelados pediram também de imediato às autoridades o esclarecimento rigoroso e com celeridade do que aconteceu, lembrando que cabe ao Estado garantir a segurança dos cidadãos. Assinado por D. Inácio Saure, Presidente da Conferência Episcopal e Arcebispo de Nampula, o texto classifica o assassinato de D. Osório Citora Afonso como “vil e cobarde”.
Afinal, quem matou D. Osório?
O Papa acompanha este caso com muita proximidade. A carta enviada agora ao presidente moçambicano mostra isso, tal como a audiência privada, no Vaticano, no mês passado, a 3 de Julho, em que o Santo Padre recebeu uma delegação da Conferência Episcopal deste país africano de língua oficial portuguesa. Nessa reunião estiveram presentes D. Inácio Saure, Arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal, D. João Carlos Hatoa Nunes, vice-presidente da CEM e arcebispo de Maputo, e D. Claúdio Dalla Zuanna, Arcebispo emérito da Beira.
Após o encontro, D. Inácio referiu que foi partilhada a preocupação da Igreja pela ausência de informações oficiais sobre as investigações. “O que foi dito publicamente é que o bispo foi morto a tiro com uma arma de fogo, não uma pistola qualquer, mas [uma] arma de grande calibre, uma arma de guerra”, e que depois da morte foram detidos pelo menos três colaboradores do bispo. No entanto, sublinhou D. Inácio, após a audiência com Leão XIV, “nós, como Igreja, não temos nenhuma informação oficial”.
E por isso, para os prelados, as perguntas continuam a ser as mesmas desde a primeira hora: quem matou exactamente D. Osório, quem foi o mandante e quais terão sido as motivações do assassinato… A carta, agora enviada pelo Papa Leão ao presidente de Moçambique, poderá ajudar a acelerar este processo.
Nomeações provisórias
Paralelamente a tudo isto, o Papa nomeou, logo em Junho, dois bispos para assegurarem o trabalho que estava em mãos do bispo assassinado. Assim, D. Estêvão Fernando, responsável pela Diocese do Alto Molócuè, foi indigitado para administrador apostólico da Diocese de Quelimane, e D. António Constantino, Bispo de Caia, vai ficar a administrar a Diocese da Beira, cargo que também estava sob a tutela de D. Osório.
Proximidade da Fundação AIS
O assassinato de D. Osório provocou uma onda de choque até pela forma próxima, simples e afectiva com que o bispo se relacionava com todos. A Fundação AIS foi também testemunha disso.
Numa mensagem enviada para os responsáveis da Igreja moçambicana logo depois de conhecido o crime, e assinada por Ulrich Kny, um dos responsáveis de projectos para África da fundação pontifícia, é referida a “marca indelével” que o malogrado bispo deixou em todos os que “tiveram a grande sorte de colaborar com ele”, e que foi uma “colaboração muito frutuosa” pois permitiu à AIS “participar em algumas das suas interessantes iniciativas em favor da Igreja em Moçambique”.
A carta reafirma o “choque” com que foi recebida a notícia do assassinato do Bispo, que deixa, diz Ulrich Kny, “um grande vazio” em toda a Igreja deste país africano de língua portuguesa. A Fundação AIS, acrescentou Ulrich Kny, deseja a toda a Igreja de Moçambique “muita força e bênçãos do Senhor para que possam continuar a conduzir os seus fiéis ao longo do caminho do Senhor”.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







