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Folha de Oração Mensal
A oração é um dos pilares fundamentais da nossa missão. Sem a força que nos vem de Deus, não seríamos capazes de ajudar os Cristãos perseguidos e que sofrem por causa da sua fé. Para os ajudar, criámos uma grande corrente de oração e distribuímos gratuitamente a Folha de Oração Sementes de Esperança, precisamente porque queremos que este movimento de oração seja cada vez maior. Por favor, ajude-nos a divulgá-la na sua paróquia, grupo de oração, família, amigos e vizinhos.
MEDITAÇÃO
Fé: A Luz que permanece acesa
Vivemos num tempo de grandes avanços tecnológicos, de acesso imediato à informação e de inúmeras possibilidades de escolha. Paradoxalmente, muitos homens e mulheres sentem-se perdidos, inseguros e sem referências sólidas para orientar a própria vida. Neste contexto, a virtude da fé continua a revelar-se profundamente actual.
A tradição cristã distingue as chamadas virtudes cardeais — prudência, justiça, fortaleza e temperança — das virtudes teologais: fé, esperança e caridade. As primeiras ajudam-nos a viver rectamente no mundo; as segundas ligam-nos directamente a Deus. Nos próximos meses iremos reflectir sobre cada uma delas.
Entre estas virtudes, a fé ocupa um lugar fundamental. O Catecismo da Igreja Católica ensina que a fé é a resposta livre do homem a Deus que Se revela. Não se trata apenas de acreditar em algumas verdades religiosas, mas de confiar a própria vida a Deus.
Numa das suas catequeses sobre as virtudes teologais, o Papa Francisco afirmou: “A fé é a virtude que faz o cristão.” E acrescentou: “Ser cristão não é antes de tudo aceitar uma cultura (…), mas acolher e preservar um vínculo com Deus.” (Audiência geral, 01-05-2024)
Estas palavras ajudam-nos a compreender que a fé não é uma ideia, uma tradição familiar ou um conjunto de práticas. É uma relação viva com Cristo.
Onde encontramos hoje a fé?
Muitas vezes procuramos sinais extraordinários da fé, mas ela manifesta-se sobretudo em gestos simples e discretos. Encontramo-la na mãe que reza diariamente pelos filhos afastados da Igreja. No jovem que continua a acreditar no Evangelho num ambiente onde a fé é ridicularizada. No sacerdote que permanece junto da sua comunidade em contextos de perseguição. No doente que oferece o seu sofrimento a Deus sem perder a esperança.
A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre conhece bem estes testemunhos. Em muitos países, cristãos enfrentam discriminação, violência ou perseguição por causa da sua fé. Na Nigéria, por exemplo, inúmeras famílias foram obrigadas a abandonar as suas casas devido aos ataques de grupos armados. Apesar disso, muitos continuam a reunir-se para rezar, celebrar a Eucaristia e transmitir a fé aos seus filhos.
Após uma visita a campos de deslocados internos naquele país, Maria Lozano, responsável internacional de comunicação da Fundação AIS, afirmou: “Apesar de todas as dificuldades, eles continuam a ter uma fé forte e esperam no apoio de Deus.”
Esta frase poderia parecer simples, mas ganha uma força extraordinária quando sabemos que foi pronunciada após encontros com famílias que perderam tudo: casas, terras, meios de subsistência e, em muitos casos, familiares. E, no entanto, não perderam a fé.
Um dos maiores desafios actuais não é a oposição directa à fé, mas a indiferença. Muitas pessoas vivem como se Deus não existisse, não por rejeição consciente, mas porque o ritmo da vida deixa pouco espaço para as perguntas fundamentais.
Por isso, a fé continua a ser uma virtude profundamente actual. Ela ajuda-nos a responder às grandes questões da existência: Quem sou? Para que vivo? Onde encontro sentido para o sofrimento, para o amor e para a morte? O Papa Francisco observava que o grande inimigo da fé não é a inteligência nem a razão, mas o medo. O medo do futuro, da fragilidade, da perda, da solidão. A fé não elimina essas realidades, mas permite enfrentá-las com confiança, porque nos recorda que Deus caminha connosco.
A fé não oferece respostas fáceis para todos os problemas. Também não dispensa o esforço humano, o estudo ou a responsabilidade. Mas oferece algo essencial: a certeza de que não caminhamos sozinhos.
Ao longo da história, os santos compreenderam esta verdade. Também hoje, milhares de cristãos anónimos a vivem diariamente. A fé torna-se então uma luz discreta, mas firme; uma chama que continua acesa mesmo quando o vento sopra forte.
Num mundo marcado pela incerteza, talvez o maior testemunho que os Cristãos possam oferecer seja precisamente este: a fé firme de quem sabe que a última palavra não pertence ao medo, nem ao sofrimento, nem à morte, mas a Deus.
Pe. José Carlos Nunes
Assistente Espiritual da Fundação AIS
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