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Folha de Oração Mensal
A oração é um dos pilares fundamentais da nossa missão. Sem a força que nos vem de Deus, não seríamos capazes de ajudar os Cristãos perseguidos e que sofrem por causa da sua fé. Para os ajudar, criámos uma grande corrente de oração e distribuímos gratuitamente a Folha de Oração Sementes de Esperança, precisamente porque queremos que este movimento de oração seja cada vez maior. Por favor, ajude-nos a divulgá-la na sua paróquia, grupo de oração, família, amigos e vizinhos.
Rezemos para que a pastoral da saúde mental seja integrada em toda a Igreja, ajudando a superar o estigma e a discriminação contra as pessoas com doenças mentais.
MEDITAÇÃO
Caridade: O Amor que transforma o Mundo
Há gestos que mudam vidas sem fazer manchetes nos jornais, nas televisões ou nas rádios. Um abraço dado a quem perdeu tudo, uma refeição partilhada com quem tem fome, uma oração por um cristão perseguido, um donativo feito discretamente para sustentar um seminarista ou reconstruir uma igreja. O mundo pode considerar estes gestos pequenos; Deus vê neles a força capaz de renovar a história. É esta a beleza e a grandeza da caridade.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo, e ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus” (CIC 1822). Não se trata apenas de fazer o bem, nem de um sentimento passageiro. A caridade é participar no próprio amor de Deus, deixando que Cristo ame através de nós.
Jesus resumiu toda a Lei num duplo mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração… e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,37-39). E, na Última Ceia, elevou este amor a uma medida nova: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,12). O critério deixa de ser apenas o amor humano; passa a ser o amor de Cristo, capaz de perdoar, servir e entregar a própria vida.
São Paulo oferece-nos provavelmente o retrato mais belo da caridade: “A caridade é paciente, é benigna… tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais passará” (1 Cor 13,4-8). Num mundo marcado pela polarização, pela indiferença e pelo individualismo, estas palavras continuam extraordinariamente actuais.
Santo Agostinho resumia toda a vida cristã numa frase que atravessou os séculos: “Ama e faz o que quiseres.” Não era um convite ao relativismo, mas a reconhecer que quem ama verdadeiramente segundo Deus não desejará fazer o mal. São Tomás de Aquino chamou à caridade “a forma de todas as virtudes”, porque é ela que dá vida e sentido às restantes. Também Bento XVI, na encíclica Deus Caritas Est, recordava que a caridade não é uma actividade assistencial opcional da Igreja, mas pertence à sua própria natureza e constitui uma expressão indispensável da sua missão.
O Papa Francisco repetiu inúmeras vezes que a caridade se reconhece pela proximidade. Falava da necessidade de uma Igreja capaz de “tocar a carne sofredora de Cristo” (24-07-2013) nos pobres, nos doentes, nos refugiados e nos perseguidos. Insistia que a verdadeira caridade não se limita a aliviar necessidades materiais: oferece também dignidade, escuta, esperança e a certeza de que ninguém está sozinho.
Também o Papa Leão XIV tem sublinhado que o amor cristão nunca pode permanecer apenas em palavras. A caridade, afirmou, torna-se credível quando gera comunhão, constrói pontes e leva os discípulos de Cristo a permanecer ao lado daqueles que sofrem, especialmente onde a guerra, a perseguição religiosa ou as catástrofes parecem apagar toda a esperança. O amor de Cristo, recorda frequentemente, torna os cristãos artesãos da paz e da reconciliação (cf. 13-07-2025).
Um exemplo comovente desta caridade pôde ver-se na recente tragédia que atingiu a Venezuela. Enquanto milhares de famílias choravam os seus mortos e viam as suas casas reduzidas a escombros, multiplicaram-se gestos silenciosos de amor: paróquias transformadas em centros de acolhimento, religiosos e religiosas distribuindo alimentos e medicamentos, jovens voluntários removendo destroços, famílias pobres repartindo o pouco que possuíam com vizinhos ainda mais necessitados. Quando tudo parecia perdido, a caridade revelou o rosto de Cristo presente no meio do sofrimento.
Os benfeitores da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre sabem que a caridade não conhece fronteiras. Um donativo oferecido em Portugal pode levar uma Bíblia a uma comunidade na Ásia, formar um sacerdote em África, reconstruir uma igreja destruída pela guerra no Médio Oriente ou sustentar uma família cristã perseguida. Muitas vezes, quem oferece nunca conhecerá aqueles que ajuda. Mas Deus conhece cada rosto e faz de cada gesto de generosidade um sinal da Sua Providência.
No quotidiano, todos somos chamados a viver esta virtude. A caridade começa em casa, na paciência para escutar, no perdão oferecido sem reservas, na visita a quem vive sozinho, na atenção ao colega de trabalho que atravessa um momento difícil, na oração por quem sofre. E prolonga-se até aos confins do mundo quando abrimos o coração às necessidades da Igreja universal.
No fim, seremos julgados pelo amor: “todas as vezes que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes” (cf. Mt 25,31-46), disse Jesus. Esta certeza não deve provocar medo, mas alegria. Porque cada gesto de caridade, por mais pequeno que seja, permanece para a eternidade. O amor nunca se perde. Pelo contrário, multiplica-se, torna-se uma luz que continua a iluminar as periferias do mundo e a anunciar que Cristo vive e continua a amar através da Sua Igreja.
Pe. José Carlos Nunes
Assistente Espiritual da Fundação AIS
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A CAPELA VIRTUAL da Fundação AIS, dedicada a Nossa Senhora de Fátima, é um lugar de oração.
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