SUDÃO DO SUL: Religiosa irlandesa vive inspiradora história de amor entre o povo Dinka e vence prémio internacional

Orla Treacy tinha um sonho. Queria ter uma família. Mas Deus andava a desassossegar a sua consciência. Até que tomou uma decisão radical. Vendeu o carro, gastou todo o dinheiro que tinha, comprou um bilhete de avião, foi para a Austrália e divertiu-se à séria. Uma semana depois, bateu à porta das irmãs do Loreto. E a sua vida mudou para sempre. Tal como a Irmã Treacy, a Fundação AIS apoia milhares de missionários em todo o mundo…

Nasceu na Irlanda, queria casar, ter muitos filhos. Mas Deus tinha outros planos para Orla Treacy. Tudo começou quando ela decidiu vender o carro, comprar um bilhete para a Austrália para umas férias, para se divertir. “E diverti-me imenso”, explica à Fundação AIS. Só que uma semana depois estava a bater à porta do Instituto da Bem-Aventurada Virgem Maria, conhecidas como Irmãs do Loreto. E tudo mudou na sua vida.

Não casou, é verdade, mas a sua família agora é enorme, muito maior do que todos os filhos que poderia alguma vez imaginar… Hoje, Treacy vive no Sudão do Sul. A vida no Sudão do Sul é muito difícil. Depois de mais de duas décadas de guerra civil, conseguiu a independência, que foi proclamada a 9 de Julho de 2011. Mas, desde então, a história do mais jovem país do mundo tem estado marcada sempre pela violência e sofrimento. Uma desavença política entre o presidente Salva Kiir e o então vice-presidente Riek Machar transformou-se, em 2013, num conflito aberto que degenerou também em guerra.

As origens dos dois dirigentes ajudarão a explicar um pouco o que aconteceu, pois Kiir pertence à etnia Dinka e Machar ao povo Nuer, as duas principais etnias do Sudão do Sul.  E é precisamente entre o povo Dinka que vamos encontrar agora a Irmã Treacy.

Distinguida com o prémio ‘Mulheres Coragem’

“Para mim, tem sido uma bela história de amor estar aqui”, diz a religiosa. “Estamos no contexto da tribo Dinka. Eles são um povo que ama o gado. Em algumas das nossas comunidades, as vacas são mais preciosas do que as nossas meninas. A nossa congregação tem um carisma particular em relação à educação e ao ministério com mulheres jovens. Por isso, fomos convidados a construir um internato secundário para meninas”, explica.

Quando as irmãs do Loreto chegaram a Rumbek, no Sudão do Sul, o país tinha acabado de sair dos tempos tenebrosos da guerra civil. “A educação era uma grande prioridade, porque havia um sentimento de tentar elevar a dignidade das pessoas, mas também o desenvolvimento espiritual e moral do indivíduo e o seu reconhecimento de que fazem parte de uma Igreja mais ampla”, diz à Fundação AIS.

Hoje em dia, a irmã Treacy é a directora da escola primária e secundária Loreto Rumbek, que acolhe meninas em situação de vulnerabilidade. O seu trabalho tem sido notável a tal ponto que foi distinguida em 2019 com o prémio “Mulheres de Coragem”, pelo Departamento de Estado dos EUA, que tem reconhecido o papel de mulheres que, ao redor do mundo, têm demonstrado coragem e liderança na defesa da paz, mas também da justiça, dos direitos humanos e na promoção feminina.

E é incrível perceber que, na verdade, Orla Treacy nunca desejou mesmo ser missionária. Ela própria o confessa: “Nunca quis ser missionária…Realmente, queria ter uma família também. Mas o desejo por Deus e pela vida religiosa era maior”, diz. E foi então que tomou a decisão radical que haveria de mudar tudo e que a levaria a entrar para as irmãs do Loreto. Hoje, quando olha para trás, não tem qualquer traço de arrependimento. Bem pelo contrário. “Fico feliz em dizer que essa paixão e desejo por Deus e por Jesus continuam tão fortes hoje como sempre. Em parte, isso deve-se à realidade do lugar onde vivemos”, explica.

“Nós ficamos com as pessoas…”

Falar com a Irmã Treacy é inspirador. Ela explica, com simplicidade desarmante, o papel único que os consagrados realizam nos quatro cantos do mundo. Não é um trabalho de ocasião, não é certamente algo que é feito a pensar no elogio do mundo e muito menos no sucesso. E essa verdade faz toda a diferença e tem sido essencial também para a afirmação do papel da Igreja também no Sudão do Sul e especialmente ali, em Rumbek.

Tem sido muito importante para nós que as pessoas nos vejam como religiosos que vieram evangelizar, e não como uma ONG. Sempre que há uma guerra, as ONGs evacuam o seu pessoal. Nós ficamos com as pessoas. Se as pessoas estão aqui, nós estamos aqui. Se as pessoas se mudam para o mato por causa da insegurança, nós mudamo-nos para o mato com elas. Acho que nenhum de nós teria sobrevivido aos muitos anos de dificuldades que passámos aqui se não amássemos verdadeiramente a missão e as pessoas com quem estamos.”

Estas não são apenas palavras. São um testemunho poderoso do que significa ser missionário. A Irmã Treacy, que se deixou enamorar por Deus, tem ajudado a transformar a vida de centenas de meninas e raparigas no Sudão do Sul. O seu trabalho, assim como o das irmãs do Loreto, que é apoiado pela Fundação AIS, é exemplo do que significa uma entrega amorosa aos outros, aos mais necessitados, aos que precisam mais de ajuda.

Hoje, Rumbek é a casa da Irmã Orla Treacy. Por ali está a família que ela abraçou, estão os seus filhos e filhas, os seus irmãos de fé, os seus amigos. Por ali, Orla Treacy tem vindo a descobrir o que é a felicidade. Ainda bem que Deus a desassossegou…

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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