IRAQUE: Igreja recorda Padre Ragheed Ganni, assassinado por terroristas em Mossul há 19 anos

Paróquias em todo o mundo, incluindo comunidades católicas caldeias na diáspora, assinalam o aniversário do assassinato do Padre Ragheed Ganni, celebrando Missas e rezando pela Igreja perseguida

O padre iraquiano Ragheed Ganni foi assassinado com um tiro na cabeça a 3 de Junho de 2007, faz hoje precisamente 19 anos. Morreu, juntamente com mais 3 subdiáconos, após ter celebrado a Eucaristia na Paróquia do Espírito Santo, em Mossul. Tinha 35 anos. O processo de beatificação deste sacerdote mártir, que se formou graças ao apoio da Fundação AIS, está em marcha

Paróquias em todo o mundo, incluindo comunidades católicas caldeias na diáspora, assinalam o aniversário do assassinato do Padre Ragheed Ganni, celebrando Missas e rezando pela Igreja perseguida. O Padre Ganni morreu, baleado na cabeça, no dia 3 de Junho de 2007, um domingo, às mãos do grupo jihadista Alsar Al Suna. Tinha 35 anos de idade. Morreu em Mossul, porque se recusou, como os terroristas exigiam, encerrar a Igreja onde tinha acabado de celebrar Missa.

Este sacerdote foi uma das inúmeras vítimas do terrorismo no Iraque. Mas quando tudo aconteceu, no final da Primavera de 2007, ainda não se imaginava que as terras cristãs da Planície de Nínive iriam ser ocupadas, alguns anos mais tarde, pelo Daesh, o grupo terrorista Estado Islâmico, levando à fuga caótica de cerca de 100 mil pessoas. No entanto, em Junho de 2007 já se sentia a presença dos jihadistas islâmicos que, de armas na mão, procuravam impor um Islão radical em todo o país. Era assim já em Mossul, para onde o Padre Ragheed Ganni tinha regressado depois de ter estado em Roma a estudar com o apoio da Fundação AIS.

Mossul, dia 3 de junho de 2007

A história do martírio deste jovem sacerdote católico de rito caldeu foi contada pelo seu postulador, o Padre Luís Escaldante, na Catedral de Almudena, em Espanha, em Março de 2024, no decorrer de uma iniciativa do secretariado local da Fundação AIS.

Os terroristas queriam que o Padre Ganni fechasse a Igreja, mas “ele não tinha medo”, explicou o postulador no evento da AIS. “Não posso fechar a casa de Deus”, disse ele aos assassinos. E explicou que não podia fazer porque tinha de “ajudar os pobres”. Estas acabaram por ser as suas últimas palavras. “

O Padre Ragheed, tal como Basman [um dos três subdiáconos também assassinados nesse dia, e que estava a seu lado] foram baleados na cabeça. Quando conseguimos exumar os seus corpos, vimos claramente que os seus crânios tinham sido destruídos”

Verdadeiro mártir da Igreja

Caros irmãos, o Padre Ragheed deu o seu testemunho e os fiéis declararam que o consideravam um verdadeiro mártir de Cristo. O nosso trabalho está terminado, foi apresentado a Roma [o processo de beatificação] e esperamos um tempo tranquilo”, disse ainda o Padre Luis Escaldante no encontro em Madrid.

O Padre Ganni tinha renovado o seu bilhete de identidade nesse dia 3 de Junho de 2007, porque o bispo lhe pedira para regressar a Roma de forma a terminar o doutoramento e também porque o ambiente na cidade estava a tornar-se de dia para dia mais perigoso. Mas “Deus tinha outros planos para essa noite”, explicou o Padre Luís Escaldante na Catedral de Almudena, em Madrid, há dois anos. “E passou do altar da terra para o altar do Céu”, concluiu.

A história do Padre Ragheed Ganni é um exemplo da coragem dos cristãos iraquianos que têm resistido durante anos à violência de grupos extremistas, mas também ao desinteresse das autoridades e à subalternidade com que são vistos na própria sociedade.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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