A Comissão Nacional Justiça e Paz de Portugal (CNJP) emitiu ontem um comunicado em que em que se manifesta chocada pelo ataque terrorista à paróquia católica de São Luis de Monfort, em Moçambique, e afirma temer um aumento de violência contra a comunidade cristã no norte deste país lusófono. A CNJP apelo ao governo de Lisboa para agir nas instâncias internacionais em defesa da “paz e segurança destas comunidades”, e manifesta a sua proximidade para com a Fundação AIS na defesa dos que são vítimas de violência e “ficam sem voz”.
O ataque terrorista de 30 de Abril à paróquia católica de São Luis de Monfort, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, continua a provocar ondas de choque pela brutalidade revelada pelos jihadistas do Estado Islâmico. Numa nota divulgada ontem, dia 11, pela Agência Ecclesia, a Comissão de Justiça e Paz (CNJP) de Portugal diz que as imagens da destruição causadas pelos terroristas “são devastadoras”, e que o ataque “deixa-nos profundamente chocados”.
O organismo laical da Conferência Episcopal Portuguesa manifesta ainda receio pelo “recrudescimento da violência contra a comunidade cristã”. No comunicado descreve-se sumariamente o que aconteceu em mais um ataque terrorista na província de Cabo Delgado.
Foram raptados 20 jovens, profanada e destruída a igreja, construída em 1946, e todas as estruturas da missão católica, privando a população de cuidados de saúde e instrução. (...) Cristãos católicos e cristãos de outras denominações viram as suas casas destruídas num ataque de ostensiva intimidação e perseguição e continua desconhecido o paradeiro dos jovens levados pelos terroristas, motivo de grande aflição para todos, em particular para as suas famílias.”
CNJP
Desafio ao governo português
Os responsáveis da Comissão Nacional de Justiça e Paz de Portugal lembram que, como a Fundação AIS noticiou, a Comunidade Islâmica de Moçambique veio a público condenar o ataque terrorista à paróquia e missão católica, manifestando “a sua profunda preocupação pelo que está a acontecer nesta região”.
“Infelizmente, o apoio da União Europeia às Forças de Defesa do Ruanda (RDF) ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz — cerca de 20 milhões de euros — parece terminar este mês, o que não deixa auspiciar nada de bom, sabendo que as acções armadas já fizeram perto de 7000 mortos”, diz ainda a CNJP, referindo-se às vítimas dos terroristas que ensombram a vida dos moçambicanos desde há nove anos.
A Comissão de Justiça e Paz deixa também um apelo às autoridades portuguesas para uma actuação nas instâncias internacionais em defesa destas populações. O apelo é dirigido “em especial” a Paulo Rangel, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, “para que lance mão de todos os meios ao alcance de Portugal de modo a fazer respeitar a paz e a segurança destas comunidades com quem partilhamos a nossa História e a Língua Portuguesa”.
A nota termina manifestando proximidade para com a Fundação AIS que procura dar voz às vítimas de violência religiosa. “Quando todas as atenções se concentram no Golfo Pérsico e no massacrado Líbano, estes actos da mais bárbara violência ficam sem voz nos noticiários, pelo que nos juntamos à Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre) neste apelo”, diz a CNJP a concluir o seu comunicado.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







