Inspiradas por Maria no exemplo de
São Francisco de Assis
Neste Ano Jubilar dedicado a São Francisco de Assis, no 8º centenário da sua morte, convocado pelo Papa Leão XIV, o seu testemunho continua a ecoar com uma força surpreendentemente actual. Num mundo marcado por divisões, sofrimento e indiferença, a sua vida simples e radical continua a ser um apelo claro à conversão do coração, à paz e ao encontro verdadeiro com Deus e com o próximo.
A herança de São Francisco recorda-nos que a verdadeira esperança não nasce do poder nem da abundância, mas da confiança total em Cristo. Este apelo encontra hoje uma expressão viva e comovente na vida e missão dos milhares de religiosas espalhadas pelo mundo. À semelhança do “Pobrezinho de Assis”, também elas escolhem a simplicidade, a entrega total e a proximidade com os mais frágeis. O seu serviço abnegado é um verdadeiro testemunho de esperança viva, silenciosa, mas transformadora.
Inspiradas em Maria, rosto de ternura e disponibilidade, milhares de religiosas espalhadas pelo mundo tornam presente a misericórdia de Deus. Nos orfanatos, hospitais, escolas e nas periferias esquecidas, muitas vezes marcadas pela pobreza, pela guerra e pelo abandono, são frequentemente o único sinal visível de cuidado, de compaixão e de dignidade para quem sofre.







Com humildade e dedicação, cuidam dos pobres, dos doentes, das crianças e de todos aqueles que vivem à margem da sociedade. Entram em lugares onde poucos chegam: barracas miseráveis, zonas de conflito, comunidades isoladas. Aí, lavam, alimentam, escutam, ensinam, consolam. Acompanham os doentes e os moribundos, visitam reclusos, ajudam mulheres feridas pela vida e apoiam as crianças, como filhos seus. Em cada gesto simples, reacendem a esperança, muitas vezes apenas com um sorriso, uma presença ou uma oração.
Em muitas destas regiões, onde a presença de sacerdotes é escassa ou mesmo inexistente, são também elas que asseguram a vida quotidiana da fé: animam a oração das comunidades, preparam os fiéis para os sacramentos e mantêm viva a chama da Igreja, mesmo nos contextos mais isolados e desafiantes.
Apesar da grandeza do seu trabalho, permanecem muitas vezes no silêncio e no anonimato. Não procuram reconhecimento, apenas servir com amor fiel e generoso. São presença viva da ternura de Deus no mundo ferido.
Apoie as religosas e dê esperança às suas comunidades
ETIÓPIA: 11 irmãs. Milhares de vidas
No coração da Etiópia, 11 Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria fazem da sua vida uma resposta concreta ao sofrimento dos mais frágeis.
- Em Bushulo, mantêm um centro de saúde onde mães e crianças recebem cuidados essenciais e de saúde.
- Em Mazoria, acompanham raparigas vulneráveis, mulheres abandonadas, famílias pobres e promovem a educação.
- Em Adis Abeba, acolhem e dão assistência a jovens mães e seus bebés, que não têm outro apoio.
Com 800€, é possível ajudar uma missionária a permanecer durante 6 meses e a ser sinal de esperança para milhares de pessoas.
LÍBANO: Uma escola para 50 crianças
As Irmãs Franciscanas do Coração Imaculado de Maria mantêm uma das mais de 80 escolas católicas da região, apoiadas pelos benfeitores da Fundação AIS.
- Em Adonis-Jbeil, esta escola é a única possibilidade de muitas famílias darem aos seus filhos educação, num país mergulhado na guerra. As Irmãs pedem apoio urgente para garantir que 50 alunos não abandonem a escola.
Ajudar esta escola é promover a educação, fortalecer a presença cristã e manter viva uma missão de esperança.
Com 35€, é possível garantir a propina escolar de 1 criança durante 1 mês.
Onde há Dor há Missão
Um testemunho de fé, cativeiro e esperança à luz de São Francisco de Assis
No silêncio árido do deserto do Mali, longe de tudo o que conhecia, sem liberdade, sem certezas, sem futuro visível, a Irmã Gloria Narváez Argoty descobriu algo que ninguém lhe poderia tirar: uma paz que não vinha do mundo, mas de Deus.
A 7 de Fevereiro de 2017, a vida desta religiosa colombiana mudou para sempre. Um grupo de homens armados invadiu a casa das Irmãs Franciscanas de Maria Imaculada, em Karangasso, no sul do Mali, e levou-a como refém. Nesse instante, começou um caminho de provação extrema, mas também de profunda transformação espiritual. Durante quatro anos e oito meses, viveu em cativeiro num acampamento jihadista. Cada dia era uma incógnita. Cada noite podia ser a última. E, no entanto, no meio da violência e do medo, a Irmã Gloria não cedeu ao desespero. “Foi uma oportunidade que Deus me deu para ver a minha vida… uma espécie de êxodo”, viria a dizer mais tarde à Fundação AIS.
Uma fé que não se rende
Praticamente sozinha no deserto, acompanhada apenas por duas outras reféns, a Irmã Gloria encontrou o seu refúgio na oração. E, de forma muito especial, encontrou força no exemplo de São Francisco de Assis. Recordava as suas palavras, a sua alegria, a sua confiança absoluta em Deus mesmo nas adversidades. Recordava a sua oração pela paz. E fazia dela vida:
Onde havia ódio à sua volta, ela escolhia amar. Onde havia violência, ela respondia com oração. Onde havia humilhação, ela mantinha a dignidade.
“Como posso não Te louvar, meu Deus, se me encheste de paz perante os insultos e maus-tratos?”
Houve momentos de extrema dureza. Agressões. Insultos. Humilhações constantes.
Num desses episódios, um dos líderes do grupo terrorista irritou-se ao vê-la a rezar em voz alta. Arrastou-a, agrediu-a e desafiou-a com desprezo:
Vamos ver se esse Deus te tira daqui…
Aproximou-se dele e disse: “Mostra mais respeito para com o nosso Deus. Ele é o Criador… e magoa-me que fales d’Ele dessa maneira.” O silêncio que se seguiu foi inesperado. Os próprios raptores entreolharam-se. E um deles respondeu: “Ela tem razão. Não fales assim do Deus dela.” Naquele instante, no meio do deserto e da violência, a verdade foi mais forte do que o medo.
O Evangelho vivido, tal como São Francisco o sonhou
Antes do rapto, a missão da Irmã Gloria no Mali era um verdadeiro reflexo do espírito franciscano: viver a fraternidade no meio da diversidade. Durante mais de 25 anos, as Irmãs Franciscanas de Maria Imaculada trabalharam lado a lado com comunidades maioritariamente muçulmanas. Sem muros. Sem portas fechadas. Com respeito. Educavam mulheres. Ensinavam a ler. Formavam para a vida. Acompanhavam grávidas. Criavam dignidade onde muitas vezes não existia. O impacto foi tão profundo que até os homens da comunidade pediram ajuda: queriam aprender a cuidar dos filhos, a assumir responsabilidades dentro de casa.
Mas, no cativeiro, tudo isso desapareceu. A liberdade tornou-se memória. A fraternidade, ausência. A Irmã Gloria foi privada de tudo, excepto da sua fé.
Quando tudo é retirado, fica o essencial: a Fé
Foi pressionada a renunciar à sua identidade. Pediram-lhe que repetisse orações muçulmanas, que adoptasse outros costumes. Mas manteve-se firme:
Nasci na fé católica. Cresci nela. E por nada do mundo a mudaria, mesmo que isso me custasse a vida.
Esta fidelidade silenciosa, firme, inabalável, tornou-se o seu maior testemunho. Talvez um dos aspectos mais desconcertantes da sua história seja este: a Irmã Gloria nunca deixou de rezar pelos seus raptores. Mesmo quando era agredida. Mesmo quando era humilhada. Mesmo quando tudo parecia perdido. “Não gostaria que nenhum destes homens fosse prejudicado…” Estas palavras ecoam directamente da espiritualidade de São Francisco de Assis: amar sem medida, perdoar sem condições, confiar sem reservas.
Uma libertação… e uma missão que continua
A 9 de Outubro de 2021, ao fim de quatro anos e oito meses, a Irmã Gloria foi finalmente libertada. Regressou à sua Colômbia natal. Hoje, o seu desejo é simples e radical: voltar à missão. Voltar às periferias. Voltar aos mais pobres.
A história da Irmã Gloria é um apelo. Num mundo onde milhares de cristãos continuam a ser perseguidos, deslocados ou silenciados, ela recorda-nos que a fé não é teoria, é vida entregue. E é precisamente aqui que esta história se cruza com a missão da Fundação AIS. “Onde há dor, há missão!”
É neste espírito que também nós somos chamados a agir. Apoiar estas religiosas é continuar este caminho de esperança, é ajudar quem ajuda, é fortalecer quem permanece ao lado dos que mais precisam.
Porque nelas, tal como em São Francisco de Assis, continua viva uma luz que não se apaga, a certeza de que o amor de Deus continua presente e actuante no mundo.
