Na primeira Assembleia Plenária deste ano, os Bispos moçambicanos discutiram alguns dos principais problemas que, segundo a Igreja Católica, o país enfrenta. O terrorismo na província de Cabo Delgado, a “pobreza crescente” da população, a degradação das estradas e o sofrimento de muitas famílias abaladas pela crise económica, foram alguns dos temas que estiveram em debate. D. Diamantino Antunes, Bispo de Tete, fez um balanço deste encontro para a Fundação AIS em que sublinhou a proximidade do Papa para com este país de língua portuguesa.
Durante uma semana, de 14 a 21 de Abril, os bispos de Moçambique estiveram reunidos no seminário filosófico da Matola, na província de Maputo, na primeira Assembleia plenária deste ano da Conferência Episcopal. Em cima da mesa esteve a análise aos temas da actualidade, nomeadamente as questões de âmbito social, e da vida da Igreja.
D. Diamantino Antunes fez um balanço deste encontro para a Fundação AIS em que foi sublinhado, pelos prelados, o sentimento de grande proximidade do Papa Leão XIV para com Moçambique. Sinal disso, explicou o Bispo de Tete, foi a visita do Cardeal Pietro Parolin no dia 9 de Dezembro a Cabo Delgado. O Secretário de Estado do Vaticano, como a Fundação AIS noticiou então, fez questão de visitar um campo de deslocados, onde escutou os lamentos das vítimas do terror jihadista, assim como “os testemunhos heroicos de fé” dos cristãos. A importância dessa visita em que o Cardeal Parolin representou o Papa, foi agora destacada pelos bispos moçambicanos na assembleia plenária.
A visita que o Cardeal Pietro Parolin fez no dia 9 de Dezembro a Cabo Delgado em nome do Santo Padre, e a sua visita nesse dia a um campo de refugiados, em Pemba, onde encontrou e falou a alguns dos milhares de deslocados e vítimas do conflito que há anos assola a Província de Cabo Delgado, foi para nós um momento muito importante por ser sinal dessa proximidade e da solidariedade do Santo Padre para com os afectados pela guerra do terrorismo em Moçambique.”
D. Diamantino Antunes
Parolin destacou trabalho da Fundação AIS
Para D. Diamantino Antunes, o encontro do Cardeal Parolin no campo de deslocados com “as vítimas da guerra” foi muito importante pois “trouxe consolação a pessoas que carregam a triste memória do que tiveram de deixar para trás: não apenas as suas casas e bens materiais, mas também a proximidade dos seus familiares e ambientes”.
Durante essa visita à Diocese de Pemba, recorde-se, o responsável do Vaticano fez questão de se referir à Fundação AIS e à colaboração que tem vindo a prestar à Igreja local. “Apercebi-me agora do papel que a Ajuda à Igreja que Sofre está a desempenhar aqui. Estou muito satisfeito com isso”, afirmou então numa declaração aos jornalistas.
Mas o encontro dos bispos na Matola não se esgotou na questão de Cabo Delgado e do terrorismo. Também foram discutidos temas como as calamidades naturais, a instabilidade internacional e as suas consequências para o dia-a-dia das populações moçambicanas, e ainda a perda de qualidade da educação, a falta de medicamentos básicos nos hospitais, a degradação das estradas, e a fragilidade das famílias que enfrentam dificuldades no acesso à habitação.
O sofrimento das gerações mais novas foi também tema em discussão, tendo os bispos reafirmado, segundo D. Diamantino Antunes, que “a Igreja deve permanecer junto das feridas e esperanças da sociedade”, e que deve ser “uma Igreja samaritana, próxima de todos e para todos”. A reunião serviu também para a eleição do novo magno Chanceler da Universidade Católica de Moçambique, tendo sido eleito para o cargo o Bispo de Pemba, D. António Juliasse.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







