NIGÉRIA: Diocese de Kafanchan anuncia libertação de sacerdote após três meses de cativeiro

O Padre Nathaniel Asuwaye foi libertado na passada terça-feira, dia 12, após 94 dias em cativeiro, anunciou a Diocese de Kafanchan em comunicado enviado para a Fundação AIS Internacional. O sacerdote, raptado por terroristas, encontra-se “em segurança” e o seu estado de saúde “é estável”.

E é neste contexto de violência, com vários episódios de raptos e de ataques terroristas contra comunidades cristãs, que ontem, dia 13 de Maio, em pleno Santuário de Fátima, foi lembrada a situação de Leah Sharibu, a jovem cristã raptada por terroristas em Fevereiro de 2018 e que completa hoje mais um aniversário. Mais um aniversário em cativeiro…

A Diocese de Kafanchan, localizada no estado de Kaduna, no norte da Nigéria, anunciou a libertação, na terça-feira, dia 12 de Maio, do Padre Nathaniel Asuwaye. Este sacerdote diocesano havia sido sequestrado por um grupo terrorista em 7 de Fevereiro, na sequência de um ataque à sua residência. Após o sequestro, a diocese lançou uma campanha de oração pela sua libertação.

Agora, em comunicado enviado para a Fundação AIS Internacional, a Diocese de Kafanchan afirma que o Padre Nathaniel “está agora em segurança e a ser assistido”, e que “o seu estado de saúde é estável”. O sacerdote, diz ainda a diocese, “permanece optimista e mostra-se muito agradecido pelas orações e apoio de todos”. Por sua vez, D. Julius Yakubu Kundi, Bispo de Kafanchan, expressou a sua gratidão “pelo cuidado constante da família do padre Nathaniel e pela demonstração incessante de amor de todos os fiéis e de todas as pessoas de boa vontade que ofereceram orações e apoio durante este período tão difícil”.

O caso do Padre Nathaniel é apenas um exemplo do que tem sido a violência contra a Igreja na Nigéria.

Entre os anos de 2015 e 2025, pelo menos 212 padres católicos foram sequestrados neste país de África. Destes, 183 foram libertados ou conseguiram escapar, enquanto 12 foram mortos e três acabaram por morrer após a libertação em consequência do trauma e dos ferimentos sofridos durante o cativeiro.

O principal objectivo destes sequestros é o ganho financeiro em troca da libertação dos reféns. Gangues criminosos e quadrilhas de sequestradores encaram as comunidades cristãs como um alvo principal, fazendo com que a população viva, por causa disso, num estado permanente de insegurança e medo.

217 igrejas destruídas na diocese de Wukari

Mas não é só dos sequestros que vem a ameaça aos cristãos. Desde há vários anos que grupos armados de inspiração jihadista têm lançado ataques, por vezes de enorme intensidade, contra comunidades cristãs, aldeias, paróquias, levando ao êxodo de milhares de pessoas. Isso mesmo foi sublinhado esta semana no portal de notícias do Vaticano em que se dá conta de que, na região sul do estado de Taraba, mais de 98 mil pessoas “foram obrigadas a deixar as suas casas”, enquanto “217 igrejas foram completamente destruídas”.

Esta informação foi divulgada por D. Mark Maigida, Nzukwein, bispo de Wukari, no comunicado divulgado no final da terceira Assembleia Geral da diocese. “Também as casas de oito sacerdotes foram destruídas e estima-se que mais de 100 pessoas tenham sido mortas”, refere ainda o comunicado, citado pelo Vatican News.

“Entre as igrejas atacadas mais recentemente está a Igreja católica de São Tiago Maior, em Adu, no distrito de Takum, enquanto um incêndio acidental danificou gravemente a Catedral de Santa Maria de Wukari em 4 de Março”, diz ainda o portal de notícias da Santa Sé. “Estes ataques contra comunidades agrícolas são provavelmente cometidos por gangues de pastores Fulani que visam aldeias predominantemente cristãs”, pode ler-se ainda.

“Depois de arrasarem casas, igrejas e outras propriedades, os agressores muitas vezes ocupam ilegalmente as terras deixadas pelos habitantes forçados a fugir”. Uma situação de profunda insegurança que não diminuiu apesar “dos apelos insistentes às autoridades para que restabeleçam a segurança das populações das áreas afectadas”, diz ainda o Vatican News.

Leah Sharibu recordada em Fátima

Toda esta violência contra os cristãos na Nigéria foi lembrada ontem, no Santuário de Fátima, a propósito da situação de Leah Sharibu. A jovem Leah, que tinha apenas 14 anos de idade quando foi raptada por terroristas, em Fevereiro de 2018, completa hoje, dia 14 de Maio, 23 anos. Ou seja, desde o dia 21 de Fevereiro de 2018, quando homens armados invadiram a escola onde estudava e vivia, em Dapchi, no estado de Yobe, que Leah está em cativeiro.

A sua história, comovente e trágica, nunca foi esquecida pelo padre nigeriano Simon Yaogu, a viver em Portugal há cerca de duas décadas. Pároco em Lomar e Nogueira, na Arquidiocese de Braga, tem acompanhado com preocupação a história de Leah Sharibu e todos os anos tem enviado uma mensagem, através da Fundação AIS, não só a desejar os parabéns à jovem, mas também a lembrar esta história trágica que diz muito sobre o sofrimento dos cristãos neste país de África.

E ontem, com o Santuário de Fátima em festa, com milhares de pessoas a rezar a Nossa Senhora no Altar do Mundo, o Padre Simon voltou a gravar uma mensagem para lembrar a situação desta rapariga que ficou em cativeiro por ter recusado renunciar à sua fé como os terroristas então exigiam. Desde então, esta jovem tornou-se num poderoso símbolo da perseguição religiosa e da violência terrorista na Nigéria.

“Esta mensagem é para ti…”, diz padre Ayogu

O Padre Simon recorda, na mensagem gravada em Fátima, que este é o nono aniversário que Leah passa em cativeiro.

Leah Sharibu, esta mensagem é para ti e espero que um dia a ouças e ao ouvir esta mensagem, saibas que muitos de nós, homens e mulheres de boa vontade, rezamos por ti, esperamos contigo tal como os teus pais. (...) Esta mensagem também é para o governo de Nigéria, que não tem feito o suficiente para socorrer os povos, os pequenos deste mundo, as crianças. Esta mensagem é para todo mundo, para dizer que nós, como cidadãos do mundo inteiro, podemos fazer melhor, podemos fazer com que ninguém vá para casa com medo do que lhe poderá acontecer no dia seguinte. Nós podemos fazer com que este mundo seja um sítio mais seguro, seja uma casa comum para todos, onde todos somos irmãos, onde todos somos filhos do mesmo pai e da mesma mãe.”

Um vídeo que procura ser uma mensagem “de esperança” de que, um dia, vai ser possível “celebrar” mesmo com Leah, “beber e cantar e comer o bolo de aniversário na tua presença”.

Numa altura em que a violência terrorista e o drama dos sequestros é uma realidade assustadora na Nigéria, com uma sucessão de incidentes que envolvem sacerdotes e seminaristas, como foi o caso do Padre Nathaniel Asuwaye, a história desta jovem rapariga que ousou renunciar à sua liberdade por causa da sua fé, não deve ser esquecida… E é isso que o padre Simon pretende uma vez mais com a mensagem que gravou para a Fundação AIS. Mais do que uma simples mensagem, este é um grito para que o mundo não se esqueça desta jovem cristã prisioneira de um dos mais temíveis grupos jihadistas da actualidade.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


The reCAPTCHA verification period has expired. Please reload the page.

Relatório da Liberdade Religiosa

A liberdade religiosa na Nigéria está gravemente ameaçada. As vítimas são predominantemente cristãs, mas também muçulmanas e de religiões tradicionais, líderes religiosos e fiéis que sofrem às mãos dos terroristas, grupos armados jihadistas e criminosos nacionais e transnacionais.

NIGÉRIA

918 125 574

Multibanco

IBAN PT50 0269 0109 0020 0029 1608 8

«Desde o início, a missão da Fundação AIS tem sido promover o perdão e a reconciliação, bem como acompanhar e dar voz à Igreja onde quer que ela se encontre em necessidade, onde quer que se sinta ameaçada, onde quer que sofra.»

PAPA LEÃO XIV

© 2024 Fundação AIS | Todos os direitos reservados.