O Seminário de Beja acolheu este sábado mais uma apresentação do Relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo. Uma sessão que contou com a presença do Bispo, que deixou uma palavra de incentivo para a mobilização de todos no apoio aos cristãos que são a comunidade mais perseguida no mundo. D. Fernando Paiva destacou também e agradeceu o trabalho da AIS, “que ajuda mesmo” os que mais sofrem…
Mais de meia centena de pessoas assistiram no sábado, dia 16, à apresentação no Seminário de Beja do Relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo. A sessão contou com a presença de D. Fernando Paiva. O Bispo de Beja deixou um apelo à consciencialização de todos face àquilo que é a perseguição religiosa no mundo nos dias de hoje, realidade que afecta principalmente a comunidade cristã.
“É importante, até em termos cívicos, estarmos cientes do que acontece, pois nós sabemos que a imprensa, tanto a nível nacional como internacional não dá grande destaque, ou quase nenhum, a este tema. Algumas outras coisas merecem grande destaque na comunicação social, mas isto não é tema”, diz, sublinhando, no entanto, que apesar desse silêncio, a questão da liberdade religiosa e da violência que é exercida sobre os cristãos em muitos países “é, no entanto, um tema de altíssima importância”.
Viver a fé “de forma escondida, com medo”
Os dados apresentados no Relatório da Fundação AIS retratam uma realidade que, segundo o Bispo de Beja, “perturba”. E D. Fernando partilhou com os presentes a experiência de ter estado recentemente em Roma num curso destinado a novos bispos, em que teve a ocasião de conhecer alguns prelados oriundos do Médio Oriente, “que tinham igrejas incendiadas, tinham cristãos perseguidos, tinham gente que vivia a fé de forma escondida, com medo, porque não podiam declarar publicamente que eram cristãos”.
E acrescentou: “nós sabemos que estas coisas existem, mas quando estamos próximos de alguém que vive esta experiência, isso tem um impacto diferente em nós. Tudo isto que ouvimos é chocante. E é bom que nos choque. Jesus disse que ia ser assim…”
“Não podemos deixar de nos interpelar…”
Face aos números apresentados no Relatório da Fundação AIS, face à brutal realidade do que significa a perseguição religiosa hoje em dia em vários países do mundo, o bispo lançou uma pergunta: que fazer? Essa, diz, “é a grande questão”.
“Não podemos deixar de nos interpelar. Primeiro, temos de rezar”, explica. “Rezar pelos nossos irmãos que vivem estas experiências de sofrimento, de perseguição, de discriminação.” Depois, acrescenta, “é fazer aquilo que estamos aqui a fazer hoje, que é tentar conhecer melhor o que se passa”. É importante “conhecer muitas destas realidades que por vezes ocorrem tão longe, tão longe, que até as ignoramos”.
E depois, disse ainda D. Fernando, é preciso ajudar. E destacou o trabalho da Fundação AIS “que, como dizemos, está com as mãos na massa”.
Deixo aqui uma palavra de muito reconhecimento pelo que a Fundação AIS está a fazer, para que nós possamos dar a nossa parte de ajuda espiritual, de apoio, para que o vosso trabalho, que ajuda mesmo, também possa chegar mais longe.”
D. Fernando Paiva






“Há muitos mártires nos nossos dias”
A sessão contou com a participação de Catarina Martins de Bettencourt, directora do secretariado nacional da Fundação AIS, que apresentou em linhas gerais o Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, e teve ainda a actuação do Coro do Carmo, dirigido pelo Padre António Cartageno.
O sacerdote aproveitou a ocasião para lembrar que “há muitos mártires nos nossos dias, basta ler os boletins da AIS, mais até do que na igreja primitiva”. E lembrou episódios ocorridos nos últimos anos em alguns países, como a Nigéria ou Egipto. E foi para eles, para todos estes cristãos que o Coro do Carmo actuou. “Um dos cânticos, ‘os mártires derramaram o seu sangue por Cristo’, é em homenagem a eles”, explicou o padre Cartageno.
Na sala do auditório, onde decorreu a apresentação do Relatório, esteve exposta uma enorme cruz, réplica da usada na JMJ – Jornada Mundial da Juventude – de 2023.
Dezenas assinam petição da Fundação AIS
No final da apresentação do Relatório, praticamente todos os presentes assinaram a petição – incluindo o Bispo – que a Fundação AIS lançou no final do ano passado, a nível global, em defesa da liberdade religiosa no mundo. A Petição é dirigida ao secretário-geral da ONU, António Guterres; ao Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk; e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, além de líderes de governos democráticos, embaixadores e representantes diplomáticos e a todos os membros da Assembleia Geral das Nações Unidas. A Petição está disponível também em acninternational.org.
O Relatório 2025 da Liberdade Religiosa da Fundação AIS, foi já apresentado, além de Beja, nas dioceses de Viana do Castelo, Braga, Porto, Évora, Lisboa, Setúbal, Portalegre-Castelo Branco, Lamego e em Angra, nos Açores, tendo contado, no final do ano passado, durante a primeira apresentação pública, do testemunho do Padre Hugo Alaniz. Este missionário veio de Alepo, na Síria, precisamente para ajudar a explicar aos portugueses a importância e urgência da defesa da liberdade religiosa e do apoio aos cristãos perseguidos no mundo.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt




