PORTUGAL: Relatório sobre a liberdade religiosa da Fundação AIS é um “despertar de consciências”, diz Bispo de Angra

D. Armando Esteves Rodrigues disse ontem, na apresentação nos Açores do Relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, que o século XXI corre o risco de ser “ainda mais dramático do que o século XX”, no que diz respeito à perseguição aos cristãos, mas alertou para os que “querem retribuir na mesma moeda”. O Bispo de Angra agradeceu também o trabalho “e o entusiasmo” da fundação pontifícia.

Perante mais de meia centena de pessoas que enchiam o Centro Pastoral Pio XII, em Ponta Delgada, para a apresentação nos Açores do relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, D. Armando Esteves Rodrigues lembrou que a perseguição religiosa aos cristãos não tem vindo a arrefecer com o passar dos anos. Bem pelo contrário.

Dizia-se que o século XX tinha tido mais mártires que os primeiros tempos da Igreja, em que havia muitos cristãos perseguidos, atirados às feras, nos circos. Se calhar o século XXI vai ser ainda mais dramático que o século XX, pelo menos pelos sinais que nós vemos. De facto, a liberdade religiosa é talvez um dos sinais mais claros da saúde moral de uma sociedade.”

O Bispo de Angra alertou também para o que diz serem sinais inquietantes que começam a surgir. “A mim, preocupam-me todos estes dados que aparecem no relatório, mas preocupa-me um outro dado que também começa a surgir, nomeadamente quando falamos de cristianismo nacionalista: o perigo de fazermos como outros fazem e retribuir na mesma moeda”, explicou.

Defender os cristãos sob ameaça

E D. Armando deu o exemplo das redes sociais, espaço que reflecte muito do que a sociedade pensa.  “Nós corremos o risco de perdermos aquilo que melhor nos define como criaturas humanas. A liberdade religiosa é, pois, a capacidade de cada um procurar a verdade e viver a fé de acordo com as suas convicções, sem perseguições nem coerções. Poder fazer livremente”, disse.

A intervenção do bispo ficou marcada também pela afirmação de que é preciso defender as comunidades cristãs que vivem sob maior ameaça. Em muitas zonas do planeta, disse D. Armando, “está em risco a existência ou a sobrevivência de cristãos, porque fogem, porque são perseguidos e porque os matam.” E deu como exemplo o que se passa na Terra Santa e no Líbano, “zonas de guerra”.

“É urgente defender a liberdade de todos e a beleza dessa fraternidade que é consequência da forma como Deus nos criou, uma única humanidade de que todos fazemos parte. E tal como Deus nos criou e colocou ao lado uns dos outros, como seres humanos, é importante que nos aprendamos a fortalecer e a defender uns aos outros”, disse ainda a concluir.

A história do martírio de João Machado

A apresentação do Relatório da AIS nos Açores – foi a primeira vez que a fundação pontifícia esteve no Arquipélago –, contou com o apoio da Diocese de Angra, através da Comissão Diocesana para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso do Instituto Católico de Cultura.

Além do Bispo de Angra, a sessão contou com a intervenção do Cónego Adriano Borges, que abordou o contexto histórico da vida e martírio de João Baptista Machado, padroeiro da diocese, e que foi assassinado no Japão no século XVII devido precisamente à perseguição religiosa neste país; e do responsável pela Comissão Diocesana para o Ecumenismo e Diálogo Interreligioso. Francisco Almeida Medeiros afirmou que a liberdade religiosa é uma “causa central” da sociedade e da democracia, e que não deve ser vista apenas como “um tema para crentes”. “É um tema para todos e não pode ser encarada de forma secundária”.

Entre os que assistiram à apresentação do relatório da AIS esteve um representante da Igreja presbiteriana e algumas figuras do clero local, com destaque para o Cónego António Rego, antigo director, durante décadas, do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja Católica.

Fundação AIS, “trabalho importantíssimo”

À margem da apresentação do documento e numa breve declaração para o programa “Igreja no Mundo”, que a AIS apresenta semanalmente na TV e Rádio Canção Nova – e em dezenas de outras estações radiofónicas em Portugal e nos países lusófonos –, D. Armando Esteves Rodrigues sublinhou a importância da presença da fundação pontifícia nos Açores, “para falar da liberdade religiosa, um tema actualíssimo”, assegurando ainda que acompanha o trabalho da instituição “pelas notícias que chegam”.

Muitas vezes é pela Ajuda à Igreja que Sofre que nós sabemos o que se passa nos diversos lugares do mundo, nomeadamente com irmãos nossos em sofrimento, em algumas zonas até à quase extinção, porque têm que fugir pelo medo, pelas perseguições, porque não são respeitados. E por isso acho que este é um trabalho importantíssimo que se desenvolve hoje na nossa sociedade.”

Dezenas assinam petição sobre liberdade religiosa

No final da apresentação do Relatório, praticamente todos os presentes assinaram a petição – incluindo o Bispo – que a Fundação AIS lançou no final do ano passado, a nível global, em defesa da liberdade religiosa no mundo.

A Petição é dirigida ao secretário-geral da ONU, António Guterres; ao Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk; e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, além de líderes de governos democráticos, embaixadores e representantes diplomáticos e a todos os membros da Assembleia Geral das Nações Unidas. A Petição está disponível em acninternational.org.

O Relatório 2025 da Liberdade Religiosa da Fundação AIS, foi já apresentado, além de Angra, nos Açores,  nas dioceses de Viana do Castelo, Braga, Porto, Évora, Lisboa, Setúbal, Portalegre-Castelo Branco e Lamego, tendo contado, no final do ano passado, durante a primeira apresentação pública, do testemunho do Padre Hugo Alaniz, que veio de Alepo, na Síria, precisamente para ajudar a explicar aos portugueses a importância e urgência da defesa da liberdade religiosa e do apoio aos cristãos perseguidos no mundo.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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