VATICANO: “Por favor, não esqueçamos a Ucrânia, a Palestina e Israel, que estão em guerra, disse o Papa

Ucrânia

Ontem, no Dia Internacional da Paz e no arranque de mais um ano, o Santo Padre lembrou alguns dos países do mundo que estão em guerra ou que enfrentam situações de terrorismo, de muita violência. É o caso da Ucrânia, onde os combates persistem há quase dois anos, mas também e mais recentemente da Palestina e Israel, e ainda de muitas partes de África, desde países situados na região do Sahel até Moçambique. Francisco pede que rezemos para que a paz prevaleça em todos os lugares. Neste início do ano de 2024, a Fundação AIS propõe precisamente um olhar por dez países que precisam muito dessas orações pela paz…

 

Ontem, dia 1 de Janeiro, no primeiro encontro com os peregrinos na Praça de São Pedro, o Papa Francisco falou da urgência do empenho de todos na construção da paz e lembrou alguns dos países e regiões do globo em guerra. “Por favor, não esqueçamos a Ucrânia, a Palestina e Israel, que estão em guerra. Rezemos todos juntos para que prevaleça a paz”, afirmou Francisco após a oração do Ângelus.

O Santo Padre lembrou também “numerosas iniciativas de oração e compromisso pela paz”, nomeadamente o evento “Paz em todas as terras”, organizado pela Comunidade de Sant’Egídio em Roma e em várias cidades do globo. Uma iniciativa – explica o Vatican News – através da qual os membros da Comunidade “querem lembrar todas as terras do Norte e do Sul do mundo que esperam o fim da guerra e do terrorismo, incluindo muitas partes da África, do Sahel a Moçambique. Para lembrar esses países, os participantes do evento exibiram cartazes e bandeiras na praça vaticana.

“Que a Virgem Maria, a Santa Mãe de Deus, ajude no compromisso de sermos construtores de paz em todos os dias do novo ano”, afirmou o Papa, que lembrou ainda a situação de perseguição  à Igreja na Nicarágua. O Santo Padre disse que acompanha “com viva preocupação” o que está a acontecer neste país onde sacerdotes e bispos foram “privados da liberdade”, e manifestou aos seus familiares e à Igreja a sua “proximidade na oração”.

Que a Virgem Maria, a Santa Mãe de Deus, ajude no compromisso de sermos construtores de paz em todos os dias do novo ano”

Que a Virgem Maria, a Santa Mãe de Deus, ajude no compromisso de sermos construtores de paz em todos os dias do novo ano”

Dia 1 de Janeiro, Dia Internacional da Paz

Desde 1968, que a Igreja celebra o dia 1 de Janeiro – dia da Solenidade de Nossa Senhora Mãe de Deus – como o “Dia Internacional da Paz”. Há 56 anos, o Papa Paulo VI apelou a que todos se unissem por este objectivo, exprimindo o desejo da Igreja Católica de “dedicar aos pensamentos e propósitos de Paz uma celebração especial no primeiro dia do ano civil”.

No entanto, a paz continua a ser apenas uma quimera em muitas partes do mundo. É que além dos países em guerra, há inúmeros conflitos que arrastam para o sofrimento populações inteiras, como aconteceu por exemplo há dias na Nigéria. Neste país africano, recorde-se, entre 23 e 26 de Dezembro, militantes Fulani atacaram 26 aldeias no estado de Plateau e provocaram um verdadeiro massacre de Natal. Quase duas centenas de cristãos foram sumariamente mortos, casas e colheitas destruídas, igrejas e postos de saúde incendiados.

Para lembrar a situação dramática que se vive em muitos países em guerra ou onde as populações são vítimas de violência e do terrorismo – e indo ao encontro do que pede o Papa Francisco – a Fundação AIS convida todos os benfeitores e pessoas de boa vontade a rezar com as palavras que nos foram enviadas por missionários, religiosos e bispos de 10 países, para que possamos suplicar a Deus pela paz nas suas terras

 

  1. Terra Santa (Gaza)

Uma incursão em Israel por militantes armados do grupo terrorista Hamas chocou o mundo em Outubro. A resposta de Israel incluiu bombardeamentos e uma invasão terrestre de Gaza, que teve efeitos devastadores para a comunidade cristã local.

 

Ao celebrarmos o nascimento de Jesus, peço que cesse todo o ruído. Na véspera de Natal, que a terra dê novos frutos; na véspera de Natal, que a guerra cesse; na véspera de Natal, que o amor floresça. Senhor Jesus, entra no nosso coração. Preparámos o nosso presépio para Ti. Peço-Te por todas as crianças mortas nesta guerra, por todos aqueles que caíram nas ruas, sem serem vistos, por toda a população de Gaza, que foi deslocada e ficou sem nada. Peço-Te que os ajudes e lhes dês esperança para continuarem a viver, porque contigo a vida é bela. Abençoa-nos, abençoa a nossa terra e o mundo inteiro, e que o Teu nascimento seja uma fonte de paz que nunca se esgote. Ámen.”

  1. Ucrânia

A Ucrânia tem travado uma guerra defensiva contra a Rússia desde 2014, mas o conflito agravou-se em 2022 com uma invasão em grande escala. A Igreja tem acompanhado o povo Ucraniano nestes tempos difíceis.

 

Senhor Jesus, ilumina os nossos líderes. Senhor Jesus, destrói o desejo de guerra. Senhor Jesus, dissipa o ódio. Senhor Jesus, fortalece a esperança. Senhor Jesus, reconcilia todos os corações. Senhor Jesus, une em Ti todas as nações. Senhor Jesus, protege os pobres e os desamparados. Senhor Jesus, conforta os que sofrem. Senhor Jesus, acolhe os que pereceram pela violência. Nesta época tão especial do ano em que nos preparamos para receber o recém-nascido Nosso Senhor Jesus Cristo, no meio do frio, sem electricidade, sem aquecimento, mas com Deus, que vem renascer entre nós, vamos celebrar este Natal e pedir que a presença de Deus seja a nossa esperança, seja a nossa fé e seja a fonte da nossa vida nas actuais circunstâncias de guerra na Ucrânia. Que a Sagrada Família seja para nós um exemplo de como acolher Jesus Cristo neste Natal tão especial.”

  1. Mianmar

O golpe de Estado de 2021 em Mianmar deu origem a actos de resistência interna. A junta militar intensificou a perseguição às minorias étnicas, incluindo as comunidades cristãs.

 

A situação no território da diocese, que foi afectado por combates, é muito perigosa. Estamos no meio de um conflito armado em que, entre a destruição e o caos político, a maior parte das paróquias foram abandonadas e estão vazias. Gostaria de recordar que uma diocese é uma parte do povo de Deus, confiada a um bispo em colaboração com os sacerdotes. Não se trata apenas de uma área geográfica, mas de uma comunidade que se reúne à volta de um bispo, em unidade com os seus sacerdotes. O motor principal da comunidade é o anúncio do Evangelho e a celebração da Eucaristia. No nosso caso, a Igreja fundada por Cristo está viva e está presente mesmo entre os que sofrem. É importante que todos permaneçamos unidos e construamos uma comunidade preparada para atravessar o deserto, unidos pelo Evangelho e pela Eucaristia. Sabemos que Cristo, o Bom Pastor, cuida do Seu rebanho, pelo qual deu a Sua vida. Podemos confiar que esta é a Sua vontade para nós neste momento. Nunca devemos duvidar das Suas palavras, como prometeu a São Paulo, a quem disse: ‘Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza.’ Temos todos os motivos para confiar n'Ele, pois não deixará de nos apoiar nos nossos esforços para fazer o bem, porque ‘O Senhor é meu pastor: nada me falta.’” (Salmo 23). Apesar de sermos ovelhas, seremos vitoriosos e, mesmo estando rodeados de muitos lobos, venceremos. Façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para nos comportarmos como boas ovelhas, cuidando umas das outras, encorajando-nos mutuamente, amando e fazendo o bem. Coloquemos a nossa comunidade nas mãos da Santíssima Virgem Maria e de São José, que naquela noite escura em Belém, cheios de amor, adoraram e protegeram o Filho de Deus, o Senhor Encarnado e Príncipe da Paz. Que a nossa Mãe Maria e São José protejam todos aqueles que estão em perigo.”

  1. Sudão

Após um primeiro golpe de Estado em 2019, o Sudão sofreu um segundo golpe em 2021, durante o qual o general Abdel Fattah al-Burhan tomou o poder. Em 2023, diferentes facções militares começaram a confrontar-se, dando início a uma guerra civil que afectou significativamente a pequena comunidade cristã do país.

Senhor Jesus, Rei da Paz, apesar de ter uma casa em Nazaré, a Tua mãe e o Teu pai adoptivo foram obrigados a viajar para Belém! E lá, não encontrando casa, nasceste num estábulo, numa manjedoura - Tu, o Rei da Paz! Tu, o Filho de Deus! Pois bem, aqui no Sudão, milhares de pessoas foram obrigadas a fugir das suas casas e a procurar uma vida de paz e segurança, longe dos seus lares, como refugiados ou deslocados! Também aqui, em Dar Mariam, Tu nos deste uma grande família de pessoas com quem viver, todas elas desejosas de voltar para as suas pobres e pequenas casas, mas que não o podem fazer devido à guerra sem sentido e trágica que dura há oito meses e sete dias no Sudão! Olha com bondade para o povo do Sudão! Com o poder do Teu sangue derramado na Cruz, atinge todas as partes em guerra com o Teu poderoso amor e reconciliação! Que os grupos beligerantes se reconciliem e negoceiem um longo cessar-fogo e depois uma verdadeira paz no Sudão! Que os gritos angustiados e angustiantes dos pobres, dos sofredores e dos doentes subam até Ti, ó Jesus, Rei da Paz! Derrama sobre o Sudão o Teu precioso dom da paz! Que todas as armas de guerra, o espírito de ódio, a vingança, a ganância, o orgulho sejam destruídos! Que a verdadeira paz floresça de novo no Sudão! Ámen.”

  1. Burquina Fasso

A violência no Burquina Fasso faz parte do conflito regional que afecta o Sahel, onde grupos islamistas impuseram regras sociais rigorosas que afectaram as minorias cristãs locais.

Jesus Emanuel, que vieste no Natal para estabelecer a paz, a segurança e a justiça no mundo, enquanto nos preparamos para celebrar o Natal de 2023 e o Ano Novo de 2024, rezamos pelo Burquina Fasso, pelo Sahel e por todos os países cujo bem-estar, liberdade e paz estão ameaçados por actos de terrorismo muito graves. Jesus Emanuel, Tu és o Príncipe da Paz, olha para os Teus filhos e ouve a nossa súplica: concede a todos os corações aflitos a consolação da solidariedade e das mãos que ajudam; aos deslocados internos, um rápido regresso às suas famílias, e aos que nos deixaram, o descanso eterno. Rezemos por todos os que sofrem e pelos que causam sofrimento. Tende piedade dos que morrem e dos que matam. Concedei a ambos uma profunda conversão do coração e suscitai em todos nós o amor ao próximo, uma verdadeira e activa fraternidade. Jesus Emanuel, Tu que és o Filho da Virgem Maria, salva o Burquina Fasso e todos os países que sofrem a angústia da guerra, concede-lhes a paz verdadeira e duradoura que vem de ti. Ámen!”

  1. República Democrática do Congo

Há décadas que a RDC regista episódios de violência, sobretudo no Leste, com conflitos que remontam à década de 90. Estas tensões incluem combates com o vizinho Ruanda e a actividade de várias milícias regionais. As tensões étnicas em diferentes regiões do país intensificaram-se recentemente, agravando a instabilidade e o sofrimento do povo Congolês.

Vem, Príncipe da Paz, e silencia as armas. Senhor Deus, nosso Pai, criaste todos os homens à Tua imagem para que sejam felizes e Te sirvam em paz até à vinda do Reino dos Céus. Senhor, nosso Pai, todos os dias um congolês é morto a tiro, deixando atrás de si uma dor insuperável. As lágrimas correm sem cessar por causa da maldade da humanidade. Vem secar as lágrimas dos que sofrem nas guerras de todo o mundo. Vem, sobretudo, secar as lágrimas dos Congoleses, que suportam injustamente o peso das guerras desde há várias décadas. Dá-nos a força de perdoar aos que matam, como Tu o fizeste na Cruz. Dá-nos a força de rezar pela conversão dos nossos inimigos. Príncipe da Paz, enxuga as nossas lágrimas. Príncipe da Paz, consola os nossos corações sangrentos. Príncipe da Paz, dá-nos a Paz. Ámen!”

  1. Etiópia

Na sequência do conflito em Tigray, a Etiópia está novamente a viver um período delicado, com tensões internas. Em 2023, os combates entre Amhara e Oromo aumentaram, intensificando a instabilidade e as preocupações que já existiam no país.

Senhor Deus da paz, escuta a nossa oração! Colocamos a Etiópia e o seu povo nas Tuas mãos para que nos concedas a Tua paz duradoura. Tentámos tantas vezes e durante tantos anos resolver os nossos conflitos pelo nosso próprio poder e pela força das nossas armas. Que possamos optar pelo diálogo e pela reconciliação. Quanto sangue foi derramado? Quantas vidas foram destruídas? Quantas esperanças foram enterradas? Mas os nossos esforços foram em vão. Agora, Senhor, vem em nosso auxílio! Concede-nos a paz, ensina-nos a paz, guia os nossos passos no caminho da paz. Senhor, desarma a violência das nossas línguas e das nossas mãos. Dá-nos a coragem de dizer: ‘Nunca mais à guerra!’; ‘Com a guerra tudo se perde.’ Instila nos nossos corações a coragem de dar passos concretos para alcançar a paz. Ámen.”

  1. Camarões

Desde a independência, os Camarões têm sofrido conflitos internos devido ao facto de a comunidade anglófona se sentir discriminada pela maioria francófona do país. Desde 2016, está em curso uma guerra civil interna, denominada Guerra da Ambazónia, em que se luta pela independência do sul dos Camarões. Milhares de pessoas foram mortas no conflito e mais de meio milhão foram forçadas a fugir de suas casas.

Senhor Jesus Cristo, Tu és o eterno Sacerdote, o Rei dos reis, o Senhor dos senhores e o Príncipe da Paz. Celebramos o Teu nascimento, Senhor, num momento em que o nosso mundo é assolado por várias guerras que nos privam da paz e da tranquilidade do corpo, da alma e do espírito. Perante esta realidade, dirigimo-nos a Ti com confiança, implorando-Te que venhas em nosso auxílio e que nos infundas a coragem de dar passos concretos em direcção a uma paz duradoura. Pedimos o fim da violência nos Camarões. Abre os nossos olhos para Te podermos ver e os nossos corações para Te podermos amar verdadeiramente, Príncipe da Paz, em cujas mãos estão as chaves da paz que o mundo não pode dar. Ámen.”

  1. Índia

A situação no Estado de Manipur, que já era conhecida pelos conflitos religiosos e étnicos, agravou-se em 2023, com a intensificação dos ressentimentos étnicos e a consequente perseguição religiosa. A política de supremacia hindu defendida pelo partido governamental BJP conduziu a uma intolerância crescente em relação aos Cristãos nos últimos anos.

A situação permanece sombria e tensa. Entretanto, milhares de pessoas ainda se encontram em campos de refugiados porque as suas casas foram destruídas. A Igreja está envolvida no diálogo com outras organizações religiosas e apelou às autoridades para que encontrem soluções pacíficas. No entanto, há ainda muito a fazer e as necessidades são imensas, devido à destruição e às perdas consideráveis sofridas pelas comunidades e pela Igreja. Neste momento, aquilo de que mais precisamos é das vossas orações. O poder da oração pode transformar a mentalidade daqueles que são alimentados pelo ódio e pela intolerância religiosa. Precisamos de rezar pelos nossos líderes políticos, por aqueles que tomam decisões e por todas as pessoas de boa vontade, para que procurem soluções pacíficas para esta violência colectiva e para a intolerância religiosa em curso. Que haja paz, harmonia e fraternidade, e seja feita justiça àqueles que foram privados dos seus direitos e dignidade.”

  1. Haiti

Após o assassinato do presidente Jovenal Moise, em 2021, o Haiti tem enfrentado níveis crescentes de caos, com bandos criminosos a controlar regiões importantes do país. A delinquência e a pobreza continuam desenfreadas, com um aumento alarmante de assassinatos, raptos e violência sexual, deixando a população extremamente vulnerável.

No Haiti, celebraremos o Natal num contexto de grande sofrimento, causado sobretudo pelo domínio infernal dos grupos armados e pela indiferença dos actores políticos. Mas a nossa esperança é forte. Rezemos para que a festa do Emmanuel seja uma oportunidade para aumentar a unidade fraterna e para nos libertarmos das nossas longas noites de medo, desconfiança e violência. Esperamos ver o apoio da comunidade internacional para o desarmamento e a recuperação do nosso país. Que todos nós, homens e mulheres do mundo, permaneçamos na paz do Senhor durante este Natal e durante todo o ano de 2024!”

Paulo Aido com Maria Lozano | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Relatório da Liberdade Religiosa

O maior desafio à liberdade religiosa na Ucrânia é a situação nos territórios ocupados. Na área controlada pelas autoridades de Kiev, os casos de discriminação religiosa são, até à data, sobretudo incidentes perpetrados contra indivíduos, e não violações sistémicas da liberdade religiosa.
Tragicamente, a guerra parece ter-se enraizado cada vez mais. As violações dos direitos humanos, incluindo as violações da liberdade religiosa, não diminuirão. As perspectivas continuam a ser negativas.

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