PORTUGAL: “Os mártires escrevem a letra de ouro a história da humanidade”, diz Bispo de Viseu em evento da Fundação AIS

A Diocese de Viseu, acolheu ontem mais uma apresentação do Relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo. Uma sessão que contou com a presença do Bispo, que deixou uma palavra de incentivo para a mobilização de todos no apoio aos cristãos que são a comunidade mais perseguida no mundo.

D. António Luciano destacou também e agradeceu o trabalho da AIS junto dos que mais sofrem, e referiu o exemplo dos mártires dos dias de hoje, “que escrevem com letras de ouro a verdadeira história da humanidade”.

O auditório do Centro Pastoral Paroquial de Viseu acolheu esta quarta-feira, dia 15 de Junho, mais uma apresentação do Relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo.

O evento contou com a participação do Bispo de Viseu que destacou a importância de se falar deste tema por ser “pertinente e actual”, e por recordar que “a dignidade humana e a liberdade religiosa são o fundamento de todo o tipo de liberdade”.

D. António Luciano lembrou também que os tempos actuais são pródigos de histórias de cristãos que dão a vida pela fé. “São novos mártires, são pessoas que, se calhar, apagadas e escondidas, escrevem com letras de ouro a verdadeira história da humanidade”, disse.

O prelado aproveitou a ocasião para sublinhar e agradecer o trabalho e a missão da Fundação AIS por trazer para a luz do dia estas histórias, por dar a conhecer estes protagonistas da fé. “Nós vemos essas situações nos leigos, nos catequistas, nos que preferem morrer a renunciar à sua fé, um religioso, um sacerdote, porventura um bispo…”, disse, sublinhando “a importância de eventos como este, que nos mostram, com realismo, mas ao mesmo tempo com verdade, este fenómeno de perseguição religiosa no mundo”.

Histórias que fazem “estremecer”

No início da apresentação do Relatório da Fundação AIS foram recordados alguns casos de comunidades cristãs que têm experimentado na pele a perseguição religiosa. Entre os muitos países assinalados a vermelho no documento, salientaram-se as situações que se vivem na Nigéria e em Moçambique.

Sobre a Nigéria, lembrou-se o caso da jovem cristã Leah Sharibu, raptada em Fevereiro de 2018 da escola onde vivia em Dapchi, e mantida em cativeiro desde então por ter recusado renunciar à sua fé. Na altura, Leah tinha apenas 14 anos de idade. Em relação a Moçambique, foi destacada a violência terrorista que se faz sentir com particular intensidade em Cabo Delgado. O ataque e destruição da missão católica de São Luis de Montfort, na Diocese de Pemba, no final de Abril deste ano, foi dado como exemplo da ameaça à comunidade cristã.

Estas duas situações, disse depois o Bispo de Viseu, fizeram-no “estremecer”. O caso de Moçambique em particular, pois D. António Luciano conheceu o país. Esteve em Quelimane, durante o serviço militar, e teve a oportunidade de conhecer D. José Garcia, o primeiro bispo de Pemba, missionário da Boa Nova, que mais tarde viria a ser até seu professor no seminário e a quem acompanharia nos últimos momentos de vida.

“Tudo isto fez-me estremecer, porque não são realidades estranhas. São realidades que conhecemos bem”, afirmou. “Que este encontro de hoje nos abra o coração ao respeito mútuo, à escuta, ao diálogo, a promover o espírito de tolerância entre os povos e nações, no respeito da liberdade fundamental, no respeito por todas as liberdades. E que a liberdade religiosa seja realmente uma grande bandeira para o maior bem da pessoa humana, da sua defesa, da sua promoção e também do futuro da sociedade”, referiu, no final da sua intervenção, em que apelou a todos para uma colaboração efectiva com a missão da Ajuda à Igreja que Sofre.

“Os meus parabéns pelo vosso trabalho”

Ainda antes do arranque da sessão, e numa breve declaração ao programa “Igreja no Mundo”, que a Fundação AIS apresenta semanalmente na TV e Rádio Canção Nova e em várias dezenas de outras estações radiofónicas em Portugal e nos países lusófonos, D. António Luciano fez questão de destacar a importância da missão da Ajuda à Igreja que Sofre.

“Dou os meus parabéns pelo vosso trabalho. Ainda numa das últimas notícias, eu ouvia-vos a propósito da preocupação pelo sismo na Venezuela. Isso é espectacular”, disse, acrescentando:

Obrigado por terem vindo, obrigado pelo vosso trabalho, que ele chegue muito longe e que muita gente seja beneficiada, precisamente pelo vosso empenhamento, não só jornalístico, mas de toda esta associação de bem-fazer, em benefício daqueles que não têm voz. E nós queremos que a voz de Jesus, que é o anúncio da alegria do Evangelho e da libertação dos oprimidos e da cura dos doentes, nos ajude também a ser esta presença de bom pastor, a cuidar do mundo de hoje, que tanto precisa”.

Uma petição de alerta para a perseguição religiosa

A sessão contou com a participação de Catarina Martins de Bettencourt, directora do secretariado nacional da Fundação AIS, que apresentou em linhas gerais o Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, e terminou com a celebração da Eucaristia na capela do Centro Pastoral.

No final da apresentação do Relatório, praticamente todos os presentes assinaram a petição – incluindo o Bispo – que a Fundação AIS lançou no final do ano passado, a nível global, em defesa da liberdade religiosa no mundo.

A Petição é dirigida ao secretário-geral da ONU, António Guterres; ao Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk; e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, além de líderes de governos democráticos, embaixadores e representantes diplomáticos e a todos os membros da Assembleia Geral das Nações Unidas. A Petição está disponível também em acninternational.org.

O Relatório 2025 da Liberdade Religiosa da Fundação AIS, foi já apresentado, além de Viseu, nas dioceses de Viana do Castelo, Braga, Porto, Évora, Lisboa, Setúbal, Portalegre-Castelo Branco, Lamego, Angra, nos Açores, e em Beja, tendo contado, no final do ano passado, durante a primeira apresentação pública, com o testemunho do Padre Hugo Alaniz. Este missionário veio de Alepo, na Síria, precisamente para ajudar a explicar aos portugueses a importância e urgência da defesa da liberdade religiosa e do apoio aos cristãos perseguidos no mundo.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


The reCAPTCHA verification period has expired. Please reload the page.

Relatório da Liberdade Religiosa

O relatório da Fundação AIS analisa a situação da liberdade religiosa em 196 países. É um dos quatro relatórios sobre a situação da liberdade religiosa a nível mundial, sendo o único relatório não governamental na Europa que tem em conta a doutrina social católica.

196 PAÍSES

918 125 574

Multibanco

IBAN PT50 0269 0109 0020 0029 1608 8

«Desde o início, a missão da Fundação AIS tem sido promover o perdão e a reconciliação, bem como acompanhar e dar voz à Igreja onde quer que ela se encontre em necessidade, onde quer que se sinta ameaçada, onde quer que sofra.»

PAPA LEÃO XIV

© 2024 Fundação AIS | Todos os direitos reservados.