Mais de meia centena de pessoas participaram neste sábado, dia 20, numa “caminhada missionária” em favor da Igreja do Líbano. Organizada pelo Serviço de Animação Missionária do Patriarcado de Lisboa, a iniciativa, que decorreu em Cascais, serviu não só para angariar fundos para a comunidade cristã libanesa, mas também para sensibilizar para a situação difícil neste país do Médio Oriente. Entre os participantes estiveram alguns libaneses a residir entre nós e que se mostraram “sensibilizados” pelo gesto e pela forma como os portugueses os têm acolhido.
Pelo segundo ano consecutivo, o Patriarcado de Lisboa envolve a Fundação AIS nesta iniciativa que, no ano passado, se destinou à paróquia da Sagrada Família, em Gaza.
Que fazer quando se sabe que uma comunidade cristã é perseguida ou está a sofrer, algures no mundo? Como agir? A situação no Líbano, por exemplo, é notícia quase todos os dias. A guerra entre Israel e a milícia Hezbollah tem sido particularmente intensa e provocou uma crise humanitária extremamente grave. Sabendo disto e inquietando-se com as notícias que chegam deste país do Médio Oriente, o Padre Albino dos Anjos, responsável pelo Serviço de Animação Missionária do Patriarcado de Lisboa [SAMPL], decidiu que era preciso fazer alguma coisa. E foi assim que organizou uma “caminhada solidária” em favor da Igreja libanesa.
Mais de meia centena de pessoas responderam ao desafio e apareceram no parque Marechal Carmona, em Cascais, na manhã deste sábado, dia 20, numa altura em que a simpática vila era palco de uma concentração internacional de motos Harley-Davidson. O ruído dos escapes das míticas motos não importunou a calma do frondoso parque e foi na pequena capela ali existente que teve início, pelas 9:30, a caminhada.
O Padre Albino dos Anjos explicou, em declarações à Fundação AIS, que a escolha do Líbano como país-tema da iniciativa aconteceu de forma natural quando, recentemente, soube que o Papa Leão tinha telefonado para alguns sacerdotes deste país. A notícia sensibilizou-o.
Tocou-me bastante saber que aqueles colegas sacerdotes de ritos diferentes, mas católicos, estão a fazer um trabalho incrível, em situações difíceis, um trabalho aberto a todos, não só para os cristãos, não só para os católicos, mas aberto a toda a comunidade… E nós sentimos que a caminhada solidária podia ser uma resposta muito interessante da parte do Patriarcado [de Lisboa].”
Padre Albino dos Anjos
A ideia, acrescenta o sacerdote, “é dar um pequeno contributo, se calhar não passará mesmo disso, mas para nós significa um grande contributo, independentemente do valor que iremos apurar, pois para nós é importante dizer aos cristãos do Líbano que a Diocese de Lisboa se preocupa com eles e está muito atenta e apoia-os da melhor forma possível”.
“As pessoas são muito solidárias”
O valor a angariar é apenas uma das razões por que o Patriarcado organizou esta caminhada missionária. É que, ao juntar pessoas, ao falar deste tema, neste caso da situação no Líbano, está-se também a sensibilizar o nosso país para uma realidade que, por ser distante, pode passar despercebida.
No entanto, diz o Padre Albino, normalmente as pessoas são muito solidárias e “muito sensíveis” a estas situações. É preciso apenas despertar a atenção. “As pessoas têm sensibilidade, contrariamente ao que eventualmente muitas vezes pensamos, e são solidárias com aqueles que sofrem”, diz o sacerdote. “A Fundação AIS tem sido para o Patriarcado de Lisboa, para todas as Dioceses de Portugal, mas eu falo da nossa Diocese de Lisboa, um grande testemunho e uma boa provocação, se assim posso dizer, para estarmos atentos, sensíveis tudo isto… Vale muito o trabalho que a Fundação AIS faz neste caminho para nos despertar, para tomarmos consciência da nossa responsabilidade e não deixarmos perpetuar o mal”, sublinhou o sacerdote.
“Sentimo-nos abençoados em Portugal”
Na caminhada missionária participaram também alguns libaneses que estão a viver no nosso país e que testemunharam a importância deste tipo de iniciativas solidárias. Marcel Chamoun, de 59 anos de idade, vive em Lisboa há quase cinco anos com a família, mulher e duas filhas. No final da caminhada solidária, e em declarações à Fundação AIS, mostrou-se comovido pela forma como os portugueses têm acolhido a sua comunidade.
“Sou presidente de uma associação religiosa em Portugal chamada ‘São Charbel Connosco’. Os outros membros da direcção e da associação não puderam estar presentes, porque soubemos deste evento apenas com muito pouca antecedência. Por isso, hoje éramos apenas oito ou nove pessoas aqui. Mas isto confirma aquilo que sempre dizemos: sentimo-nos abençoados por estarmos em Portugal e por vermos pessoas que amam e desenvolvem actividades em apoio aos cristãos, especialmente os que vivem em regiões difíceis, como o Líbano, mas também em outras partes do mundo. Que Deus vos abençoe e esteja sempre convosco”, referiu.
Esta iniciativa solidária do Serviço de Animação Missionária do Patriarcado de Lisboa envolveu a Fundação AIS pelo segundo ano consecutivo, que fará chegar o valor angariado, ainda por apurar, à Igreja local. No ano passado, a ajuda destinou-se à paróquia católica da Sagrada Família, em Gaza. A directora do secretariado nacional da Fundação AIS participou também na iniciativa e explicou aos presentes a missão da instituição e muito concretamente a ligação profunda com a Igreja que sofre no Líbano.
Catarina Martins de Bettencourt, que já esteve neste país por mais de uma vez em visitas de trabalho, sublinhou que os cerca de 1 milhão e 200 mil libaneses que vivem actualmente nas ruas ou que estão em casas particulares, paróquias e conventos, em resultado da guerra entre Israel e a milícia Hezbollah, são uma preocupação concreta para a fundação pontifícia. Sinal disso, a AIS tem a decorrer desde há várias semanas uma campanha de angariação de fundos em Portugal precisamente para apoiar estas famílias desabrigadas pela violência no Líbano.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







