Amor ao próximo

O ano de 2025 foi marcado por grandes desafios, mas também por inúmeros sinais de esperança. Em muitos países, continuámos a assistir ao sofrimento de comunidades cristãs afectadas pela guerra, perseguição religiosa, pobreza extrema e instabilidade social. Ainda assim, testemunhámos a fé firme e perseverante de tantos homens e mulheres que vivem e anunciam o Evangelho com coragem e confiança em Deus.

A generosidade dos nossos benfeitores continua a tornar possível a nossa missão. Em Portugal, 18.808 benfeitores contribuíram com 58.312 donativos, o que se traduziu em 4.281 milhões de euros de ajuda para os milhares de projectos que nos comprometemos apoiar. Um crescimento de quase 9% face ao ano anterior que demonstrou, uma vez mais, um extraordinário espírito de solidariedade para com a Igreja que sofre. Bem-hajam!

Em 2025, apoiámos 5.368 projectos em 141 países, graças à solidariedade de milhares de benfeitores espalhados pelo mundo.

Leve Amor ao Próximo

Ajude a reconstruir o Sudão apoiando projectos como estes:

Responda à emergência humanitária em campos de refugiados

Apoio à resposta de emergência em sete campos de refugiados em Kosti, através do trabalho das Irmãs do Sagrado Coração:

62.613€

Apoie 40 famílias cristãs deslocadas internas

Ajuda alimentar e distribuição de apoio financeiro a 40 famílias das Paróquias de São Pedro, em Al Qadarif, e Cristo Rei, em New Halfa:

25.000€

Reparação de estruturas paroquiais danificadas pelos saques

Reparação da casa paroquial, do secretariado paroquial e da igreja de Masalma, dos Missionários Combonianos:

37.500€

Ajude na formação de futuros sacerdotes para a Igreja no Sudão

44 seminaristas e 20 jovens em preparação para o seminário maior da Diocese de El Obeid:

40.000€

Apoie a missão de religiosas num campo de refugiados

Ajuda de subsistência para as Irmãs do Sagrado Coração que vivem no Campo de Refugiados de Kashafa:

8.738€

Ofereça material pastoral aos refugiados

Aquisição de Bíblias, livros de oração e outros artigos religiosos para as actividades pastorais no Campo de Refugiados de Kashafa:

1.802€

Consigo, convertemos a ajuda em esperança

NIGÉRIA

Renascer das cinzas

Na Nigéria, onde a violência extremista continua a semear morte e destruição, a aldeia de Adama Dutse tornou-se um símbolo de resiliência. Reduzida a cinzas por um ataque terrorista em 2024, a comunidade encontrou na fé, na perseverança e na ajuda da Fundação AIS a força necessária para reconstruir as suas casas, a sua igreja e refazer a sua vida.

Um ataque que marcou profundamente a comunidade

No dia 18 de Fevereiro de 2024, um grupo de terroristas atacou a aldeia católica de Adama Dutse, situada na região do Cinturão Médio da Nigéria. Eram cerca das 6h10 da manhã quando homens armados invadiram a localidade, precisamente no momento em que os habitantes se preparavam para participar na Missa dominical. O ataque provocou a morte de 13 pessoas e destruiu grande parte da aldeia.

Dois meses depois, uma delegação da Fundação AIS visitou o local acompanhada pelo Arcebispo de Kaduna, D. Matthew Ndagoso. Entre os membros da comitiva encontrava-se Kinga Schierstaedt, coordenadora de projectos da Fundação AIS para África, que recorda a forte presença militar necessária para garantir a segurança da deslocação.

As pessoas estavam felizes por receber o arcebispo, mas o sofrimento era visível no rosto de todos. Quase todas as casas tinham sido consumidas pelas chamas. Tudo tinha sido destruído e não havia uma única família que não tivesse sido afectada.”

Entre as imagens que mais a marcaram estavam as de crianças feridas durante o ataque. “Lembro-me de um rapaz que tinha sido atingido por dois tiros num braço e que nunca mais o poderá utilizar devido à falta de tratamento médico imediato. Recordo-me também de uma menina de apenas 3 anos (na foto), com queimaduras nos braços e no rosto, que continuava a sofrer intensamente e chorava constantemente.”

Durante a visita, D. Matthew Ndagoso conduziu a delegação até à vala comum onde as vítimas foram sepultadas após o massacre. “Alguns habitantes acompanharam-nos para rezar, mas a maioria não conseguiu fazê-lo. A dor era demasiado profunda. Habitualmente, quando se visita uma aldeia, toda a comunidade acompanha os visitantes. Ali caminhámos praticamente sozinhos.”

A Ajuda da Fundação AIS

Apesar da violência sofrida, os habitantes recusaram abandonar a sua terra. Conscientes de que poderiam perder os seus terrenos e meios de subsistência, decidiram permanecer e reconstruir a aldeia.

Perante esta realidade, a Fundação AIS comprometeu-se a apoiar a comunidade. “O arcebispo explicou-nos que não podia devolver a vida às vítimas, mas podia ajudar os sobreviventes a permanecer na sua terra e a reconstruir as suas casas e a sua igreja. Foi por isso que decidimos apoiá-los: para lhes mostrar que não estavam sozinhos”, explica Kinga Schierstaedt.

Hoje, essa promessa tornou-se realidade. Graças à generosidade dos benfeitores da Fundação AIS, Adama Dutse dispõe novamente de uma igreja, de casas, de um poço para abastecimento de água, de instalações sanitárias e de um sistema de alarmes de segurança alimentado por energia solar.

Quando D. Matthew Ndagoso regressou à aldeia, em Maio deste ano, não se tratou de uma visita pastoral habitual, mas da celebração de uma Missa de Acção de Graças que assinalou a vitória da vida sobre a morte. Nesse dia, encontrou uma comunidade transformada. Nos rostos dos habitantes era visível a alegria pelo caminho percorrido. “Foi uma celebração muito bonita. A comunidade estava profundamente feliz e agradecida por tudo o que foi realizado. As pessoas sentem uma enorme gratidão por aqueles que tornaram possível que voltassem a ter um lar e uma vida estável”, afirmou o arcebispo.

Pouco mais de dois anos após a destruição total da aldeia de Adama Dutse por grupos terroristas, mais de duas dezenas de habitações e as principais infraestruturas comunitárias foram reconstruídas graças ao apoio da Fundação AIS. A Missa foi marcada pela gratidão e a memória daqueles que perderam a vida na tragédia.

D. Matthew Ndagoso deixou ainda uma mensagem de reconhecimento dirigida aos benfeitores da Fundação AIS:

“Nunca conseguiremos agradecer suficientemente tudo o que fizeram por aqueles que mais precisam. Só podemos pedir a Deus que abençoe cada pessoa que contribuiu para esta obra. O que foi realizado aqui é verdadeiramente extraordinário e a comunidade está profundamente agradecida.”

Em Adama Dutse, onde há pouco mais de dois anos reinavam as cinzas e a dor, voltam agora a erguer-se casas e a vida em comunidade. É um testemunho de que a fé e a solidariedade podem ser mais fortes do que a violência.

SUDÃO

Reconstruir almas

Enquanto a atenção do mundo se concentra noutros conflitos, o Sudão continua a enfrentar uma das mais graves crises humanitárias da actualidade. Há mais de três anos que a guerra destrói cidades, separa famílias e obriga milhões de pessoas a abandonar as suas casas. No meio desta realidade dramática, a Igreja permanece ao lado da população.

O Padre Diego Dalle Carbonare, missionário comboniano que viveu junto das populações no Egipto, no Líbano e no Sudão, descreveu à Fundação AIS uma realidade profundamente marcada pela violência, mas também pela determinação em reconstruir a vida. Recentemente, após 27 meses de guerra, foi finalmente possível celebrar novamente a Missa em Cartum. Para a pequena comunidade cristã que permanece na capital sudanesa, este momento teve um significado muito especial: o regresso da vida sacramental e a possibilidade de receber o Sacramento da Reconciliação. Um sacramento que, segundo o missionário, “ajuda a virar a página do sofrimento para passar à reconstrução”.

Contudo, como sublinha o Padre Diego, não são apenas as almas que precisam de ser reconstruídas em Cartum. A guerra deixou marcas profundas em toda a sociedade.

Muitas escolas perderam alunos e professores, obrigados a fugir da violência. Agora, com o regresso de alguns docentes, começa um difícil processo de reorganização. O Padre Diego lamenta esta situação:

Muitos professores e as suas famílias tiveram de se deslocar de um lugar para outro. Alguns fugiram para o Sudão do Sul. Alguns professores foram mortos. Um deles foi capturado e torturado. É uma história trágica. Ia casar-se, podia ter-se tornado director da escola, mas, em vez disso, teve uma morte lenta.”

O missionário partilhou também a história de coragem de uma professora viúva que permaneceu em Cartum para cuidar da sua mãe, já idosa. Um grupo armado das Forças de Apoio Rápido pretendia roubar-lhe o automóvel e aparecia frequentemente em sua casa. Um dia, ameaçaram matá-la. Ela respondeu apenas: “Muito bem, façam o que têm de fazer, mas lembrem-se: quem vive pela espada morrerá pela espada.” Eles assustaram-se e perguntaram-lhe o que aquilo queria dizer. Ela explicou: “Vem no Evangelho, não sabem?” Ao ouvi-la, fugiram. No dia seguinte, regressaram para lhe pedir perdão.

São histórias como esta que demonstram que, mesmo em contextos de extrema violência, a fé e a presença da Igreja continuam a transformar vidas e a fazer a diferença.

Hoje, a comunidade cristã no Sudão continua a precisar de acompanhamento espiritual e de ajuda de subsistência. É precisamente esse apoio que a Fundação AIS procura garantir, graças também à generosidade dos seus benfeitores. Actualmente, a Fundação AIS apoia 15 projectos no país.

A comunidade precisa de pastores. Nós, missionários, dependemos da oração dos nossos familiares e também de desconhecidos. A Fundação AIS dá-nos um grande apoio nos nossos esforços para reconstruir esta comunidade, mas ainda há muito por fazer. Precisamos de meios materiais e médicos, sobretudo para reconstruir escolas e centros de saúde, e de ajuda humanitária. Por favor, continuem a ajudar-nos!”

O Padre Diego deixa ainda um apelo que interpela a consciência de todos nós: “O que está a acontecer no Sudão, o que está a acontecer em África, o que acontece aos civis, às crianças e às mulheres, diz respeito a todos nós de uma forma ou de outra. Um dia, Deus julgar-nos-á, e muitos ficarão surpreendidos quando Ele nos perguntar sobre as guerras esquecidas.”

Com a sua ajuda, será possível continuar a apoiar a Igreja no Sudão, que permanece fiel à sua missão de acompanhar o seu povo, reconstruindo não apenas edifícios e estruturas, mas também as comunidades.

UCRÂNIA

Mais do que pão, levaram Deus

No leste da Ucrânia, onde a guerra continua a marcar profundamente a vida das populações, a Igreja permanece ao lado daqueles que mais sofrem. Em declarações à Fundação AIS, D. Jan Sobilo, Bispo auxiliar de Kharkiv-Zaporíjia, descreveu uma realidade onde a ajuda material e o apoio espiritual caminham lado a lado.

A guerra obrigou muitas famílias a abandonar as suas casas e a procurar segurança noutras localidades. Muitas chegaram sem nada e encontraram nas paróquias as portas abertas, alimentos, apoio e, sobretudo, pessoas dispostas a caminhar com elas.

Alguns não conhecem Deus, mas sentem no coração que precisam de algo, e encontraram isso na nossa comunidade. Os padres e as irmãs fazem com que se sintam como se tivessem uma nova família. Distribuímos pão e comida, e as pessoas dizem: ‘vocês não me deram apenas pão, mas também um pouco de Deus’.”

Nas paróquias da diocese, sacerdotes, religiosas e voluntários acompanham diariamente famílias deslocadas e pessoas que perderam quase tudo. Muitos procuram ajuda material, mas encontram também acolhimento e oração. D. Jan Sobilo sublinha que o apoio da Fundação AIS tem sido fundamental para esta missão. “Apoiamos milhares de pessoas graças à vossa ajuda. Este não é apenas mais um projecto, são pessoas reais, vemos os seus rostos e conhecemos as suas histórias. Sabemos que, graças aos benfeitores da Fundação AIS, não passaremos fome e podemos continuar a espalhar o Evangelho.”

Apesar da violência e da insegurança, D. Jan Sobilo afirma que a fé continua viva e que muitas pessoas se aproximam de Deus precisamente por causa das circunstâncias que enfrentam. “Não conheço ninguém que tenha perdido a fé. Um oficial disse-me uma vez que, entre todas as pessoas que conhecia na linha da frente, não havia ateus.”

A proximidade constante da morte e do sofrimento levou muitos a questionarem-se sobre o sentido da vida e a procurarem respostas mais profundas. Numa região onde quase todas as famílias foram tocadas pela tragédia, a Igreja tornou-se um lugar onde é possível encontrar forças para continuar. Entre os momentos mais difíceis para D. Jan Sobilo estão os funerais de jovens que perderam a vida na guerra. Recorda particularmente um jovem que morreu pouco tempo depois de ser enviado para a frente de combate e cujo corpo nunca chegou a ser recuperado. A dor da mãe, que perdeu o seu único filho, permanece gravada na sua memória.

É nestes momentos que a presença dos sacerdotes e das religiosas assume uma importância ainda maior. São eles que acompanham os enlutados, escutam as suas angústias e os ajudam a encontrar, na fé, as razões para não desistir. “Todos têm alguém próximo que morreu por causa da guerra. Nunca se sabe quando chegará a nossa hora. É por isso que dizemos às pessoas que devem confessar-se pelo menos uma vez por semana, para que estejam sempre preparadas”, diz-nos D. Sobilo.

Esta consciência da fragilidade da vida tem levado muitas pessoas a redescobrir a importância dos sacramentos. Na preparação para a celebração da Páscoa, 40 adultos iniciaram o caminho para receber os sacramentos da iniciação cristã.

Para D. Jan Sobilo, este é um dos sinais mais claros de que Deus continua a agir no coração das pessoas, mesmo nos tempos mais difíceis. “Não tenho dúvidas de que Deus tem um plano para a Ucrânia. Talvez ainda não possamos ver esse plano, ou compreendê-lo, talvez seja uma surpresa, mas Ele não Se esqueceu de nós.”

Num contexto marcado pela dor e pela perda, sacerdotes e religiosas continuam a ser um apoio indispensável para milhares de pessoas. Acolhem os deslocados, consolam as famílias enlutadas, visitam os doentes e os idosos e mantêm vivas as comunidades cristãs. Através dos sacramentos, da oração e da sua proximidade junto daqueles que sofrem, ajudam muitos a encontrar forças para continuar e a acreditar que, mesmo nas horas mais difíceis, não estão sozinhos.

Sustentar quem serve com Estipêndios de Missa:

Ajuda a 239 sacerdotes da Diocese de Kiev-Zhytomyr para que possam continuar a acompanhar as suas comunidades, celebrando os sacramentos, levando alimentos e bens essenciais aos mais necessitados e reconfortando as comunidades que lhes estão confiadas.

43.950€

Obrigado por fazer parte desta extraordinária

AVENTURA DE AMOR AO PRÓXIMO!

Consulte o Boletim ‘Amor ao Próximo’ e conheça os projectos que apoiou e os países que mais ajuda receberam em 2025

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PAPA LEÃO XIV

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