O secretário de Estado do Vaticano, denunciou no sábado, em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, a perseguição aos cristãos no mundo, dizendo que “o silêncio diante de tanto sofrimento seria uma traição à missão da Igreja e aos direitos humanos universais”.
No discurso, o Cardeal Pietro Parolin pediu aos responsáveis das nações para agirem em defesa da paz e elencou as situações que, segundo o Vaticano, merecem uma maior atenção. Cabo Delgado, em Moçambique, é um desses casos.
Falando perante a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, no passado sábado, dia 26, o Cardeal Pietro Parolin, responsável da diplomacia do Vaticano, abordou abertamente a questão da perseguição aos cristãos no mundo por causa da sua fé e elencou algumas das situações que, segundo a Santa Sé, merecem uma maior atenção da comunidade internacional.
Lembrando palavras do Papa Bento XVI, o cardeal disse que a liberdade religiosa “é o primeiro dos direitos humanos”, mas que não é observado em muitas regiões do planeta. “Tragicamente, cristãos em muitas partes do mundo continuam a sofrer discriminação, violência e perseguição declarada simplesmente por causa de sua fé”, afirmou.
Igrejas são atacadas, comunidades são deslocadas e indivíduos são mortos ou presos. Embora condene todas as formas de discriminação religiosa, a Santa Sé levanta a sua voz em favor desses irmãos e irmãs, não num espírito de defesa exclusiva, mas porque a defesa da liberdade de qualquer comunidade fortalece a liberdade de todos”
Cardeal Pietro Parolin
O Cardeal Parolin disse mesmo que seria uma traição o silêncio face às situações de perseguição aos cristãos. “O silêncio diante de tanto sofrimento seria uma traição à missão da Igreja e aos direitos humanos universais que a comunidade internacional se comprometeu a defender. Além disso, a dignidade não depende da localização geográfica ou do ‘status’ socioeconómico. Aqueles que se deslocam, ou são forçados a se deslocar, sempre mantêm a sua dignidade. É essencial continuar a abordar as causas subjacentes para que a migração volte a ser uma questão de escolha, e não uma necessidade imposta pelas circunstâncias. É importante não ignorar a situação difícil daqueles que buscam refúgio, daqueles que são deslocados à força de sua terra natal e daqueles que empreendem jornadas perigosas”, disse a concluir.
Guerras e crises humanitárias
No discurso perante a 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, o secretário de Estado do Vaticano referiu-se também a alguns dos conflitos na actualidade, nomeadamente em Gaza e na Ucrânia, e apelou à cessação imediata das hostilidades, exigindo o fim da espiral global de violência.
A destruição de hospitais, infraestruturas energéticas, habitações e locais essenciais para a vida diária constitui uma violação grave do direito internacional humanitário”
Cardeal Pietro Parolin
O Cardeal Parolin saudou também o recente “Acordo-Quadro Trilateral” entre Estados Unidos, Israel e Líbano, desejando que as partes apliquem os termos do compromisso fronteiriço através de “acções concretas” e efectivas no terreno.
Grande parte do discurso do secretário de Estado do Vaticano foi sobre algumas das crises humanitárias que afectam milhões em todo o mundo, tendo apelado aos responsáveis das nações para acções concretas em defesa dessas populações. O caso da Somália, a situação na República Democrática do Congo, que enfrenta um surto de Ébola, e Cabo Delgado, em Moçambique, mereceram uma especial atenção.
Em relação à República Democrática do Congo, Parolin lembrou os ataques terroristas que têm ocorrido nas províncias do Kivu Norte e Ituri, e “que visam repetidamente as populações civis, incluindo comunidades cristãs, com assassinatos, sequestros e destruição de aldeias e estruturas da Igreja”.
Em relação a Cabo Delgado, assolada desde Outubro de 2017 por ataques terroristas que são, desde há alguns anos, reivindicados pela organização jihadista Estado Islâmico, o Cardeal Parolin – que visitou o território em Dezembro do ano passado – sublinha a urgência no apoio aos milhares de deslocados.
“A província de Cabo Delgado, em Moçambique, permanece instável após quase nove anos de conflito armado”, disse. “A Santa Sé, embora peça o fim do conflito, continua preocupada com os episódios esporádicos de violência que impedem os deslocados internos de regressarem aos seus locais de origem e obrigam-nos a continuar a viver numa situação de sofrimento e insegurança alimentar, sem perspectivas de um futuro melhor”, acrescentou.
Venezuela, Haiti e Nicarágua, foram também abordados, assim como a situação entre Cuba e os Estados Unidos, que “a Santa Sé acompanha com particular preocupação”.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt




