RD CONGO: “O povo continua a sofrer”, diz padre comboniano sobre o Natal deste ano marcado pelas eleições

Após um Natal marcado pela enorme expectativa de se saber quem iria suceder a Felix Tshisekedi no cargo de presidente da República Democrática do Congo, o padre Marcelo Oliveira, um comboniano português em Kinshasa, lembra que, para a maioria da população, a vida vai continuar na mesma, muito difícil, com pobreza, violência, falta de segurança e o povo a sofrer. Este é um dos 10 países do mundo que a Fundação AIS elegeu como precisando mesmo das orações de todos para conseguir viver em paz neste ano de 2024…

O Natal foi vivido de forma diferente do habitual na República Democrática do Congo. Foi “um pouco confuso”, relata o padre Marcelo Oliveira, um comboniano a viver em Kinshasa, a capital do país. Tudo por causa da expectativa de se saber quem iria suceder no cargo de presidente a Felix Tshisekedi. É que as eleições coincidiram quase com a celebração do nascimento do Menino Jesus.

O resultado oficial foi conhecido apenas no final do ano: Tshisekedi sucedeu a si próprio, apesar de a contagem dos votos estar ainda a ser muito contestada. Para o comum dos cidadãos, no entanto, explica o sacerdote português, a vida continua muito difícil. A população sofre com os conflitos armados, especialmente na zona oriental do país, com milícias cada vez mais violentas, sofre com as dificuldades económicas que tornam a vida por vezes quase insuportável, e sofre, até, relata o sacerdote, com o estado das estradas…

O povo continua a sofrer. Falta de estradas, falta de segurança, conflitos armados na parte este do país, que não se acabam, as dificuldades económicas do povo em conseguir viver no dia-a-dia, em conseguir ter um mínimo para a sua vida, tudo isto o povo espera que o novo presidente possa trazer novidade às suas vidas…”

ESPERANÇA PARA OS QUE SOFREM

Não tendo mudado o responsável máximo do país, ficará tudo na mesma? Neste arranque do ano, o padre Oliveira, na mensagem enviada para Lisboa, para a Fundação AIS, fala em esperança. Uma esperança que foi alimentada ao longo dos dias da celebração do Natal.

“Esperemos que de facto a vinda de Jesus possa transformar a vida deste povo e possa transformar o coração do novo presidente. Que ele também possa na sua vinda e no modo de agir em todas as propostas, em todas as promessas que fez ao povo, que as possa de facto realizar, seguindo Jesus que nasce para nós, Jesus que vem e que vem à nossa vida para iluminar, para ser luz que brilha nas trevas, para ser luz de esperança para aqueles que tanto sofrem.”

A festa do Natal, explica o padre Marcelo Oliveira, natural de Mortágua, Diocese de Coimbra, foi, como é sempre, vivida na República Democrática do Congo de forma intensa, verdadeira.

“Este é um país com muitos, muitos cristãos, e é certo que a festa do Natal ocupa um lugar central e importante na vida dos que o celebram no seu verdadeiro sentido. Um pouco por todo o país celebrar o Natal não está muito ligado às luzes que encontramos na Europa, que iluminam as montras, que iluminam as ruas… É muito mais vivido na sobriedade, porque o verdadeiro sentido do Natal está no acolhermos Jesus que vem, Jesus que nasce, Jesus que volta de novo para se fazer um de nós e connosco caminhar.”

A VISITA DO PAPA HÁ UM ANO

A falta de paz, a violência, o terror em que vivem as populações especialmente na região leste, são um contraste imenso neste país que é enorme, geograficamente falando, e também é extraordinariamente rico em matérias naturais, como diamantes, ouro, cobalto ou coltan. País muito rico, população por vezes escandalosamente pobre. Uma contradição que parece insanável.

A situação na região leste, a mais acossada pela violência, e que o padre Marcelo refere na mensagem enviada para a Fundação AIS, está condicionada pela actuação de dezenas de grupos armados, por vezes mesmo milícias regionais, responsáveis por combates que ultrapassam a própria fronteira pois incluem o vizinho Ruanda. É uma tragédia que se arrasta há dezenas de anos. Uma tragédia que parece não ter fim.

Há precisamente um ano, no final de Janeiro, o Papa Francisco esteve em Kinshasa durante cerca de 70 horas. A visita do homem vestido de branco foi um sinal de que a esperança da paz é sempre possível. No entanto, passaram já 12 meses e tudo parece estar na mesma.

A violência e a pobreza continuam a marcar a vida destas populações encurraladas entre a pobreza, a exploração e a violência. Num mundo marcado pela guerra na Ucrânia e agora, mais recentemente, na Terra Santa, é importante não esquecer os outros países que também não conhecem a paz apesar de o sofrimento das suas populações não ser normalmente notícia.

A Fundação AIS lançou um desafio aos seus benfeitores e amigos em todo o mundo para, neste ano de 2024, rezarem pelos países em guerra ou onde as populações são vítimas de violência e do terrorismo. Um desses países, um desses dez países, é precisamente a República Democrática do Congo.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Relatório da Liberdade Religiosa

A pobreza, a corrupção e a falta de transparência política parecem atormentar o país e ter impacto nos direitos humanos. Apesar disso, a reputação da República do Congo como um oásis de harmonia inter-religiosa é reconhecida em África. Consequentemente, para além de incidentes isolados, não se verificaram violações significativas da liberdade religiosa durante o período em análise. A perspectiva deste direito fundamental permanece positiva e inalterada.

R. D. CONGO

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