O dia de ontem, Domingo, ficou marcado com duas celebrações do Papa em Angola perante milhares de fiéis. Foi assim na Missa no Kilamba, nos arredores de Luanda, e também no Santuário da Muxima com a oração do Terço. Leão XIV deixou um apelo claro: “é o amor que deve triunfar, não a guerra!”
Hoje o Papa viaja até ao Saurimo, no leste do país, onde vai visitar uma casa de acolhimento de idosos.
Milhares de pessoas em festa rezaram com o Papa ontem, Domingo, dia 19, em Angola, na Missa no Kilamba, arredores de Luanda e também no Santuário da Muxima, que desde o século XVII assinala a enorme veneração da população local à Mãe de Deus.
Encontramo-nos num Santuário onde, durante séculos, tantos homens e mulheres rezaram, quer em momentos de alegria, quer em circunstâncias tristes e muito dolorosas da história deste país. Aqui, há muito tempo, a Mamã Muxima empenha-se de forma discreta a manter vivo e pulsante o coração da Igreja, um coração feito de corações: os vossos e os de tantas pessoas que amam, rezam, festejam. (...) A Mamã Muxima acolhe todos, escuta todos e reza por todos.”
Papa Leão XIV
O Santo Padre assinalou que o Santuário, que é dedicado à Imaculada Conceição, foi rebaptizado pelos fiéis como Santuário da “Mãe do Coração”. E o nome popular, disse Leão XIV, é “um título belíssimo”. O Papa afirmou ainda que rezar o Terço “compromete-nos a amar cada pessoa com coração maternal, de forma concreta e generosa, e a dedicar-nos ao bem uns dos outros, especialmente dos mais pobres”.
As palavras do Santo Padre na Muxima ficaram marcadas por esse apelo a um mundo mais justo, onde, como escreve o Vatican News, “a ninguém falte o amor e, com ele, o necessário para viver com dignidade e ser feliz”. E acrescentou: “para que quem tem fome tenha com que se alimentar, para que todos os doentes possam receber os cuidados necessários, para que às crianças seja garantida uma adequada instrução, para que os idosos vivam serenamente os anos da sua maturidade”, disse o Papa.
A oração pela paz esteve também presente no dia de ontem, no santuário mariano. “É o amor que deve triunfar, não a guerra! É isso que nos ensina o coração de Maria, o coração da Mãe de todos. Partamos, pois, deste Santuário como ‘anjos-mensageiros’ de vida, para levar a todos a carícia de Maria e a bênção de Deus”, disse Leão XIV.
O fim da “chaga da corrupção”
Horas antes, na Missa em Kilamba, nos arredores de Luanda, também perante largos milhares de fiéis, o Papa defendeu a paz e pediu, dirigindo-se especialmente aos mais jovens, o fim da “chaga da corrupção” em Angola. “Podemos e queremos construir um país onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha”, disse Leão XIV na homilia da Missa a que presidiu em Kilamba.
A visita do Papa a Angola, que prossegue no dia de hoje, ficou também marcada pelo apelo, no Sábado, pouco depois de ter chegado a este país africano de língua oficial portuguesa, pelo apelo à superação e fim da “lógica extrativista”, que está na origem de muita da conflitualidade neste continente.
“Quanto sofrimento, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais acarreta esta lógica extrativista! Em todas as partes do mundo, vemos como ela, no fundo, alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que ainda pretende impor-se como o único possível”, disse Leão XIV, citado pela Agência Ecclesia, perante responsáveis políticos, representantes religiosos e da sociedade civil, além de membros do corpo diplomático.
“É necessário quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria”, apelou, num discurso em português, em que lembrou o sofrimento e as catástrofes ambientais que são provocadas precisamente por modelos de desenvolvimento excludentes.
Apelo aos jovens
Leão XIV destacou também aí, nesse primeiro discurso, a importância de os jovens serem construtores de um futuro melhor para o seu país e para o seu continente. “A África é, para o mundo inteiro, uma reserva de alegria e esperança, que eu não hesitaria em definir como virtudes ‘políticas’, porque os seus jovens e os seus pobres ainda sonham, ainda esperam, não se contentam com o que já existe, desejam reerguer-se, preparar-se para grandes responsabilidades, empenhar-se em primeira pessoa”, sustentou.
O Papa reiterou também o compromisso da Igreja Católica em promover a justiça e a convivência fraterna na sociedade. “A Igreja Católica, cuja obra de serviço ao país sei o quanto estimais, deseja ser fermento na massa e promover o crescimento de um modelo justo de convivência, livre das escravidões impostas por elites com muito dinheiro e falsas alegrias”, disse o Papa.
Hoje, Leão XIV viaja até ao Saurimo, no leste do país, onde vai visitar uma casa de acolhimento de idosos. Depois, já em Luanda, terá um encontro com Bispos e agentes pastorais. Esta é a terceira vez que um Papa visita Angola, depois de São João Paulo II, em 1992, e de Bento XVI, em 2009.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







