TERRA SANTA: A situação em Gaza “permanece totalmente devastadora”, denuncia Cardeal Pizzaballa

A situação em Gaza continua “devastadora”, afirma o patriarca latino de Jerusalém, em declarações ao Vatican News. O cessar-fogo, em vigor desde Outubro do ano passado, terminou com os bombardeamentos, mas a população continua a sofrer por causa do frio e da falta de medicamentos, nomeadamente de antibióticos.

Palavras que vêm reforçar a denuncia do Padre Gabriel Romanelli, em Dezembro, à Fundação AIS Internacional, em que o responsável da única paróquia católica no enclave palestiniano descrevia a situação dramática num território onde não há electricidade, a água potável é insuficiente e a população “precisa desesperadamente de roupa” para fazer face aos dias frios de Inverno…

O cessar-fogo em Gaza foi acordado em Outubro, mas o fim do conflito armado não se traduziu, até agora, numa alteração substancial na qualidade de vida das populações.

Em declarações ao portal de notícias do Vaticano, o Cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, refere até que, não haver “uma guerra activa” será mesmo a única mudança que se registou.

A principal mudança, se não a única mudança, é que não há mais bombardeamentos todos os dias. Claro, há alvos aqui e ali, as pessoas continuam a morrer, mas não há uma guerra activa como vimos nos últimos meses.”

Mas o pior mesmo é a falta de condições para que as populações locais possam ter uma vida minimamente digna. “Há mais comida do que antes, mas faltam medicamentos. Morre-se de frio, mas também por falta de assistência médica, porque não há antibióticos, nem medicamentos básicos. Em resumo, as perspectivas para a população permanecem muito, muito incertas”, refere o Patriarca.

Incerteza em relação ao “conselho de paz”

A constituição, a nível internacional, de um “conselho de paz”, que será liderado pelo presidente dos Estados Unidos, é aguardada com alguma expectativa. Esse organismo supervisionará o governo tecnocrático que deverá assumir o controle de Gaza, mas, como refere o Cardeal Pizzaballa, a sua criação suscita ainda muitas interrogações. “Será muito difícil entender o que este conselho de paz será capaz de fazer, como funcionará e como as coisas mudarão. Tudo ainda é muito incerto, há muito a ser feito, mas o que está claro é que a situação continua a ser de devastação total”, diz ao Vatican News.

O Patriarca aproveitou também a entrevista para lançar um apelo aos peregrinos para que regressem à Terra Santa. Para o responsável, organizar agora peregrinações “é absolutamente seguro”, e a Terra Santa “é um quinto Evangelho, uma espécie de oitavo sacramento, porque permite fazer a experiência do encontro com Jesus, fisicamente, tocando-o com as mãos”. “Qualquer pessoa pode ser perfeitamente cristã sem ir à Terra Santa, mas se for, a fé cristã torna-se mais forte e concreta”, conclui o Patriarca.

“Falta-nos tudo”, diz também o Padre Romanelli

Estas declarações vêm reforçar as palavras, em Dezembro, do Padre Gabriel Romanelli à Fundação AIS. “A nossa situação está melhor do que quando começou o cessar-fogo, mas isso não significa que as coisas estejam bem. Continuam muito graves, muito delicadas”, afirma o sacerdote que tem a responsabilidade da paróquia da Sagrada família, a única paróquia católica no território de Gaza. “Falta-nos tudo”, disse o padre.

Desde há dois anos que em Gaza não há electricidade, e a luz que existe na paróquia e que tem permitido ao missionário gravar as suas mensagens em vídeo, provém de um dos pequenos geradores e dos painéis solares existentes por lá. “Infelizmente, a maioria das pessoas não tem acesso a eles”, explica o padre. O mesmo acontece com a água potável. Quando chega aos bairros, é insuficiente. “As pessoas esperam uma, duas, ou até três horas para obter alguns litros, que são recolhidos em recipientes e garrafas”, explica o missionário.

As temperaturas baixas e as chuvas fortes que têm caído transformaram o solo em lama e por todo o lado há poças de água contaminada, o que representa um sério risco para a saúde pública.

“Roupas de inverno para os próximos meses…”

Na declaração à Fundação AIS, o sacerdote explica que as  infraestruturas básicas chegaram ao limite. “A rede eléctrica, o sistema de água e o sistema de saúde são insuficientes, de acordo com a Organização Mundial da Saúde”, salienta o Padre Romanelli. Os medicamentos para doenças crónicas, como diabetes ou hipertensão, são escassos e “a população precisa desesperadamente de roupa de Inverno para o tempo frio, porque a maioria das pessoas perdeu as suas casas e está à procura de abrigo”, acrescenta.

No meio desta situação, a paróquia da Sagrada Família tem continuado com a sua missão. “Desde o início da guerra, ajudamos e continuamos a ajudar dezenas de milhares de famílias, mas não é suficiente”, reconhece humildemente o sacerdote. Citando a santa Madre Teresa de Calcutá, Romanelli acrescentou: “É como uma gota no oceano. Parece insignificante, mas sem nós o oceano teria menos uma gota”.

Além da ajuda material, o complexo paroquial – que actualmente abriga mais de 400 refugiados, a maioria cristãos – vai buscar toda a energia na vida espiritual: missa e adoração eucarística diárias, recitação do rosário e ofício das horas, tudo em árabe, a principal língua dos fiéis. “Procuramos constantemente acender uma chama de esperança”, explicou ainda o Padre Romanelli.

Rezar a Nossa Senhora de Fátima

A situação na paróquia da Sagrada Família, em Gaza, é seguida também com muita atenção pela Fundação AIS em Portugal. Ainda em Março do ano passado, no contexto do Jubileu dos Cristãos Perseguidos, que a fundação pontifícia organizou em Arouca, Diocese de Porto, o Padre Romanelli enviou uma mensagem vídeo em que agradeceu essa proximidade e pediu as orações de todos pela intercessão da Virgem de Fátima pela paz em Gaza.

“Na minha opinião, para vós, em Portugal, ou para todas as pessoas de boa vontade, a primeira coisa a fazer é rezar”, disse o Padre Romanelli. “Rezar, rezar a Nossa Senhora, a Nossa Senhora de Fátima, a quem temos muita devoção e a quem rezamos o terço todos os dias com as crianças e os adultos diante do Santíssimo”, explicou o sacerdote, concluindo: “Deus conceda que a paz chegue de verdade, o fim desta guerra”.

Nessa mensagem dirigida aos portugueses, o sacerdote chamava já a atenção para a situação humanitária que se vivia naquele território e para a importância de se fazer chegar ajuda suficiente para a sobrevivência das populações. “Pedimos ajuda humanitária consistente para mais de 2 milhões de pessoas que vivem aqui e que, na sua maioria, perderam tudo, perderam as suas casas, perderam os seus locais de trabalho, as escolas dos filhos, as suas casas, os seus bens, muitos estão desesperados. É uma vida miserável, a da maioria da população. E essa tensão sente-se, evidentemente, em toda a Terra Santa”, alertava o Padre Romanelli na mensagem enviada para a Fundação AIS em Portugal.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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