SUÉCIA: Autoridades recusam conceder asilo a cristão iraquiano de 84 anos e ele morre durante a deportação

As autoridades suecas recusaram conceder o asilo requerido por Hanna Saka, um cristão iraquiano de 84 anos que tinha fugido da violência jihadista do Estado Islâmico no seu país. O processo arrastou-se por sete anos. No passado dia 27 de Fevereiro, Saka foi colocado num avião que o iria deportar de Estocolmo para Bagdade. Já não chegou ao seu destino…

Foram sete anos de espera que terminaram num carimbo vermelho. Hanna Saka saiu do Iraque, fugindo do terror imposto pelos jihadistas do Estado Islâmico, e refugiou-se na Suécia. Pediu asilo mas a sua pretensão nunca foi atendida. Morreu, aos 84 anos, depois de as autoridades de Estocolmo o terem colocado no dia 27 de Fevereiro num avião da Turkish Airlines rumo a Bagdade. Não chegou ao seu destino.

Segundo a agência de notícias AsiaNews, o octogenário morreu durante o voo e o avião da companhia turca terá realizado uma aterragem de emergência na Polónia, tendo as autoridades locais procedido à realização de autópsia. O corpo foi depois transladado para o Iraque, procedimento realizado pela embaixada de Bagdade na capital polaca. 

Segundo relatou o irmão, o estado de saúde de Hanna Saka, que sofria de problemas cardíacos, ter-se-ia deteriorado nos últimos tempos devido ao ‘stress’ causado pela situação de impasse em que se encontrava.

“ATMOSFERA DE ÓDIO”

O caso de Hanna Saka coloca em relevo a situação de insegurança em que vivem os cristãos no Iraque, algo que tem sido denunciado com alguma frequência pelo cardeal Louis Raphael Sako. Ainda recentemente, no início do ano, o patriarca dos Caldeus referia a perseguição a esta comunidade religiosa.

“Há uma tentativa deliberada de apagar a sua herança, história e legado de fé”, disse o cardeal, acrescentando que tudo isto cria “uma atmosfera de ódio” e promove uma situação de crise e de insegurança.

Não há estratégia, segurança ou estabilidade económica, falta soberania e há uma aplicação dupla dos conceitos de democracia, liberdade, constituição, lei e cidadania por aqueles que deveriam estar ao serviço do país e dos seus habitantes.”

“Dessa forma”, acrescentou o prelado, citado pelo Vatican News, “as instituições foram enfraquecidas e houve um declínio na moral e nos valores. Os serviços, a saúde e a educação se deterioraram, há corrupção generalizada e desemprego crescente, além do retorno do analfabetismo”.

VISITA HISTÓRICA DO PAPA

De facto, têm sido anos de violência e de menosprezo sobre os cristãos, uma minoria religiosa no Iraque, situação que culminou em Agosto de 2014 com o domínio brutal dos terroristas do Estado Islâmico sobre a Planície de Nínive, forçando, no início de Agosto desse ano, ao êxodo de milhares de pessoas rumo à região do Curdistão iraquiano.

Há precisamente três anos, quando no início de Março de 2021 o Santo Padre esteve no país, a situação em que se encontra a comunidade cristã mereceu destaque. A visita foi acompanhada por Regina Lynch, hoje presidente executiva internacional da Fundação AIS.

Num balanço a esta visita histórica, pois nunca um Papa tinha ido a este país do Médio Oriente, a responsável da fundação pontifícia sublinhou o sentimento de insegurança entre os cristãos por temerem, por exemplo, o regresso do terror das milícias jihadistas. “O governo Iraquiano tem finalmente de tomar medidas para garantir uma segurança eficaz. Têm de substituir as milícias por uma poderosa força policial. Além disso, os cristãos que estão a regressar às suas cidades depois de fugirem do Estado Islâmico precisam de perspectivas para a sua subsistência”, afirmou Regina Lynch.

O COMPROMISSO DA FUNDAÇÃO AIS

Por tudo isto, é muito importante que o esforço da comunidade internacional de apoio aos cristãos não se desvaneça. A Fundação AIS mantém o seu compromisso para com esta comunidade religiosa tão perseguida.

“Neste momento, o principal foco do nosso trabalho é a reconstrução das igrejas e instituições que foram destruídas pelo Estado Islâmico. Por essa razão, foi um momento de grande alegria para nós, e em particular para os nossos benfeitores, quando, na sua saudação ao Papa, o chefe da Igreja Católica Síria, Patriarca Ignatius José III Younan, agradeceu expressamente à AIS o seu apoio na reconstrução”, disse ainda Lynch, recordando a visita do Santo Padre ao Iraque.

Sinal ainda do compromisso da Fundação AIS de continuar junto da comunidade cristã iraquiana é o ambicioso programa da Universidade Católica de Erbil que, como recorda também Regina Lynch, tem como objectivo “ajudar os estudantes a receberem uma boa educação”, mas é particularmente importante também para “fortalecer a fé das pessoas…”

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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O Iraque permanece numa encruzilhada e as minorias religiosas continuam vulneráveis. Com uma cidadania igual para todos os Iraquianos ainda por implementar, a plena liberdade religiosa não está garantida. As perspectivas de gozo da liberdade religiosa e muitos outros direitos humanos continuam a depender da estabilidade política e de segurança do país. Ambos parecem duvidosos e devem permanecer sob observação.

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