É quase uma aventura épica. Um jardineiro britânico de 32 anos decidiu fazer-se à estrada, com a sua bicicleta, para uma viagem de mais de 4.600 quilómetros entre Londres e Jerusalém. Pelo meio, daqui a uns dias, até deverá ser recebido pelo Papa… O objectivo é penas um: ajudar a Fundação AIS e os Cristãos perseguidos no mundo.
A viagem já começou. Depois de Inglaterra e de França, Andrew Foote tem ainda de atravessar Itália, Grécia, Turquia e Jordânia, antes de entrar em Israel rumo à meta: a cidade de Jerusalém. Para este jardineiro de 32 anos de idade, esta aventura tem apenas um propósito: arrecadar 20 mil libras, um pouco mais de 23 mil euros, para a Fundação AIS e a sua missão de apoiar os Cristãos perseguidos no mundo.
São um pouco mais de 4.667 Km que o têm levado a descobrir lugares únicos ou esquecidos, como aconteceu na semana passada na floresta de Compiègne, perto de Rethondes, na França, onde foi assinado em Novembro de 1918, num vagão-restaurante de uma composição ferroviária, o armistício entre Aliados e a Alemanha que pós fim às hostilidades na frente ocidental da Primeira Guerra Mundial.
Munido de uma pequena câmara de filmar, Foote gravou um vídeo neste local que acabou por descobrir “completamente por acaso”. “Estava simplesmente a andar de bicicleta por este caminho na floresta, e acabei de descobrir o local onde foi assinado o armistício, a 11 de Novembro de 1918. É um lugar bastante simples, não há realmente nada aqui. Quero dizer, a carruagem de comboio, claro, foi destruída pelos alemães quando estavam a retirar-se de França durante a II Guerra Mundial, mas é um lugar muito profundo, muito significativo, que pôs provavelmente fim certamente à segunda guerra mais brutal da história da humanidade. Enfim, para que não esqueçamos”, diz o jardineiro britânico.
“Tem corrido muito bem…”
A aventura começou a 15 de Agosto, na Catedral de Westminster, em Londres. O momento teve mesmo alguma solenidade. “Esta manhã, após a missa das 8h, despedimo-nos de Andrew Foote e de sua bicicleta, que iniciou uma jornada de 12 semanas até Jerusalém”, pode ler-se na página oficial da Catedral na internet, em que é referido que o objectivo desta iniciativa é o de ajudar a AIS “e o seu trabalho de apoio aos Cristãos perseguidos em todo o mundo”.
Nos degraus da Catedral de Westminster, Andrew recebeu a bênção de peregrino, rodeado pelos seus pais, familiares e amigos. Falando aos jornalistas do secretariado britânico da AIS, Foote reconhece que esta é uma aventura difícil do ponto de vista físico, mas também imprevisível. O facto de Israel estar envolvido em conflitos armados, nomeadamente no Líbano, e de ser um alvo potencial do Irão, também em guerra, é um factor extra de incerteza. “Neste momento, estou a rezar para conseguir entrar em Israel. Estou a tentar não criar muitas expectativas, pois a situação na região é muito instável”, referiu.
A passagem por França foi também dura, nomeadamente por causa das altas temperaturas que teve de enfrentar. “Chegou a fazer 32 graus e eu estive quase sempre com vento no rosto, mas no geral tem corrido muito bem”, disse ele. “Tenho percorrido de 60 a 70 milhas – cerca de 96 a 112 Km– por dia. Está a começar a ficar bem mais quente. É como se Deus estivesse a ajudar-me para me aclimatizar antes de chegar a Itália e à Grécia”, referiu.
Uma verdadeira peregrinação
O facto de Andrew Foote ser jardineiro, um trabalho exigente do ponto de vista físico, tem ajudado. Mas esta é uma missão muito exigente, de facto. Não se trata apenas de uma prova de ciclismo, mas sim de uma verdadeira peregrinação.
Vejo muitos crucifixos pequenos à beira da estrada ao entrar nas aldeias. É um lembrete constante de que o que estou a fazer não é um exercício de resistência, mas sim uma peregrinação, uma maratona, não uma corrida de curta distância.”
Andrew Foote
Ao longo da estrada, enquanto pedala, Andrew Foote tenta rezar. A oração tem sido a companheira de viagem e ele tem feito questão de visitar mesmo muitas das igrejas e mosteiros que encontra pelo caminho. A Abadia de Fontenay, em França, foi um desses lugares. Fundada em 1118 por São Bernardo de Claraval, foi casa de monges de Cister até à chegada da Revolução Francesa, no século XVIII. Hoje é Património Mundial classificado pela UNESCO. “O tempo está perfeito. Isto é um lugar de absoluta tranquilidade”, disse, gravando uma pequena mensagem junto ao antigo mosteiro…
Defender os cristãos perseguidos
Cada dia que passa, a meta vai ficando mais próxima. “O que mais anseio – diz Foote – é colocar a minha mão na pedra do Santo Sepulcro. Foi lá que Cristo venceu a morte e onde nasceu a nossa religião. É a maior história e o maior legado de sempre.”
Além do dinheiro que conta angariar para a Fundação AIS, Andrew Foote sabe que, com esta iniciativa, está a ajudar também a dar visibilidade à causa da defesa dos Cristãos perseguidos no mundo. Algo que, por vezes, parecendo muito distante das preocupações dos europeus, afecta diariamente milhões de pessoas em muitos lugares do mundo. Ter consciência disso, ajudar a perceber a importância de haver liberdade religiosa, é algo que este jardineiro está a fazer com esta aventura.
“Lembrem-se do esforço que os cristãos fazem para poder ir à Missa. Algumas pessoas ao redor do mundo acordam sem saber se sua igreja ainda estará lá… É algo que tenho muito em mente”, disse Andrew Foote no arranque da viagem que o vai levar até Jerusalém e sempre, sempre, envergando as cores da Fundação AIS…
Paulo Aido, com Nathalie Raffray
Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt




