TERRA SANTA: Escolas cristãs de Jerusalém protestam pela não renovação das autorizações de entrada dos professores

As escolas cristãs de Jerusalém chegaram a anunciar a suspensão das aulas desde o dia 1 de Setembro, devido à não renovação das autorizações de entrada na cidade para dezenas de membros do seu pessoal. A greve, que deveria ser por tempo indeterminado, foi suspensa, depois de as autoridades israelitas terem renovado algumas das autorizações. No entanto, mais de 70 professores não obtiveram as suas autorizações definitivas até ao final do ano lectivo.

Numa declaração enviada à Fundação AIS Internacional, o diretor do Collège des Frères, em Jerusalém, alerta para as consequências desta situação para os alunos, as famílias e o futuro da presença cristã na Terra Santa. “O início do ano lectivo deveria ser um momento de alegria, reencontros e esperança. Para as escolas cristãs em Jerusalém, o início do ano letivo de 2026-2027 está, infelizmente, marcado por uma nova crise”, afirmou o Irmão Daoud Kassabry.

Num comunicado de imprensa publicado logo no final de Agosto, o Secretariado-Geral das Instituições Educativas Cristãs em Jerusalém anunciou formalmente a suspensão das actividades lectivas nas suas escolas a partir do primeiro dia deste mês de Setembro. A decisão surge na sequência da não renovação das autorizações de entrada na cidade para mais de 70 professores e membros do pessoal. A sua ausência prejudica o ensino, bem como os serviços administrativos, técnicos e sanitários, afectando um total de mais de 8.500 alunos.

A dificuldade decorre do estatuto especial de Jerusalém e das restrições que regem o acesso à cidade por parte dos palestinianos da Cisjordânia. Os professores e funcionários afectados necessitam de autorizações israelitas para entrar. No entanto, as suas autorizações de entrada não foram renovadas.

O comunicado salienta que esta medida foi tomada “de forma repentina e sem aviso prévio”. A situação tornou impossível um início “seguro e estável” do ano lectivo. O Irmão Daoud Kassabry acrescentou que “esta suspensão se insere num contexto mais vasto de restrições relativas ao recrutamento e às qualificações dos professores palestinianos”. Na sua opinião, o problema não pode ser reduzido a uma simples dificuldade administrativa. “Para nós, um professor não pode ser substituído da noite para o dia. Eles trazem conhecimentos especializados, experiência, compreensão dos alunos e uma relação de confiança com as famílias”, diz.

Por trás das autorizações, as famílias

A crise é também de natureza humana. “Por trás de cada autorização não renovada, há uma pessoa, uma família e um meio de subsistência ameaçados”, explica o Irmão Daoud Kassabry à AIS. As instituições têm também de continuar a cobrir as suas despesas gerais, mesmo enquanto as aulas estão suspensas. Esta situação corre o risco de agravar as suas dificuldades financeiras, num contexto em que muitas famílias já têm dificuldade em pagar as propinas.

Jerusalém tem vivido uma situação económica particularmente difícil desde o início da guerra e o colapso do turismo. As escolas cristãs em Jerusalém acolhem tanto alunos cristãos como muçulmanos. São locais onde se aprende o respeito mútuo, o que reveste uma importância particular numa cidade onde as comunidades vivem num estado de divisão. No Collège des Frères, em Jerusalém, esta missão está enraizada numa história de 150 anos.

Mais de 70 professores sem autorizações

Para os cristãos, estas escolas representam também um elemento essencial da sua presença na Cidade Santa. Uma família precisa de poder trabalhar, mas também de oferecer aos seus filhos uma educação estável e de elevada qualidade. Quando estas duas condições são prejudicadas, a própria possibilidade de permanecer em Jerusalém pode também ficar comprometida.

Confrontadas com a situação actual, as escolas cristãs apelaram para que as autorizações necessárias fossem rapidamente “reemitidas e renovadas”, e solicitaram também que tais medidas não se repetissem no futuro, a fim de preservar a estabilidade das instituições de ensino e garantir aos alunos “uma educação regular e segura”.

A decisão de convocar a greve, bem como o apelo das escolas cristãs, parece pois ter dado frutos, uma vez que as autoridades israelitas renovaram algumas das autorizações logo no primeiro dia de Setembro. “Algumas por uma semana, outras por um mês e outras até ao final deste ano”, afirmou George Akroush, director de desenvolvimento do Patriarcado Latino de Jerusalém.

No entanto, “isto significa que mais de 70 professores não obtiveram as suas autorizações definitivas até ao final do ano lectivo. As autoridades eclesiásticas continuarão a exercer pressão junto das autoridades relativamente a estes professores e têm esperança de que as autorizações definitivas sejam emitidas em breve, talvez depois do Natal”, acrescentou Akroush.

O Irmão Daoud afirmou ainda: “Apelamos às autoridades competentes, aos líderes da Igreja e aos parceiros internacionais para que apoiem uma solução rápida e duradoura. As crianças de Jerusalém precisam de estabilidade, confiança e um futuro promissor”.

Christophe Lafontaine | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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