MÉXICO: Sacerdote assassinado a tiro em mais um episódio de grande violência contra a Igreja neste país

O Padre Román de la Cruz, responsável por uma pequena comunidade numa região mexicana onde grupos criminosos disputam rotas de tráfico de combustível, foi assassinado a tiro esta terça-feira, dia 15, e o corpo abandonado numa estrada.

Numa nota da conferência episcopal a que a Fundação AIS teve acesso, os bispos mexicanos expressam “indignação e tristeza” pelo crime e pedem uma “investigação exaustiva” às autoridades para o cabal esclarecimento de mais um episódio de grande violência contra a Igreja neste país do continente americano.

A Conferência Episcopal Mexicana manifesta a sua indignação, tristeza e solidariedade para com a Igreja de Huejutla, no estado de Hidalgo, perante o assassinato ocorrido no passado dia 15 de Setembro do Padre Román de la Cruz Hernández, que exercia funções como pároco de Santa Cruz, em Huejutla, no estado de Hidalgo.

É assim que começa o breve comunicado emitido pelos prelados mexicanos face a mais um crime que abalou a comunidade católica neste país do continente americano.

Os bispos mexicanos pedem uma “investigação exaustiva” às autoridades para o cabal esclarecimento deste crime. O sacerdote, que segundo a imprensa local tinha 48 anos de idade, é mais uma vítima da enorme violência em que se transformou o México e que tem atingido também fortemente a própria Igreja. Segundo o Centro Multimédia Católico, a procuradoria-geral da República já teria dado início a investigações sobre o caso.

Noutro comunicado, emitido pela Diocese de Huejutla, e que a AIS consultou, D. José Acosta Beltrán também pede a intervenção das autoridades face ao que diz ser “a situação alarmante de violência que se vive” no país. É necessário, acrescenta o prelado, que “se faça justiça e não se permita que este caso nem os demais crimes” que têm atingido o país “fiquem impunes”.

Segundo a imprensa local, junto ao corpo do sacerdote, que foi encontrado na quarta-feira, dia 16, na berma de uma estrada que liga as localidades de Tolago e Tetlapaya, haveria um bilhete com uma mensagem ameaçadora, embora não se conheça o seu conteúdo.

A região onde o padre vivia é caracterizada pela disputa de rotas de tráfico de combustível por gangues criminosos. Román de la Cruz Hernández era pároco desde 2024 da comunidade de Santa Cruz em Huejutla, e coordenava a Comissão para a Pastoral Profética da diocese.

O México no Relatório da AIS

O mais recente relatório da Fundação AIS sobre a liberdade religiosa no Mundo, publicado em Outubro do ano passado, dedica grande atenção ao México, embora o que se passa neste país tenha de ser visto ao nível regional, envolvendo outros países da América Latina e das Caraíbas.

“Em 2023 e 2024, pelo menos 13 líderes religiosos foram assassinados no México, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala e Honduras”, pode ler-se no Relatório. “Outros 16 missionários e leigos foram assassinados em ambientes pastorais no Equador, Haiti, Honduras e México. A estes devem ser acrescentadas as mortes de outros nove leigos no México no início de 2025”, acrescenta o documento.

O Relatório da AIS sublinha que, embora sem provas que permitam afirmar que “todos estes crimes tenham sido motivados pelo ódio à fé”, no entanto, reflectem “a insegurança em torno do ministério em áreas voláteis e de elevado conflito”. E acrescenta-se que, por causa disto, “os líderes religiosos ocupam um lugar significativo nas suas comunidades, e a sua influência torna-os alvos de ataques e intimidação. O mesmo se aplica àqueles que ousam criticar regimes autoritários. São vistos como uma ameaça e podem estar sujeitos a represálias”, conclui o Relatório.

No México, por exemplo, registaram-se também casos de “extorsão a Igrejas e líderes religiosos” sob o pretexto de “pagamentos por alegada ‘protecção’ contra gangues rivais”.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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Relatório da Liberdade Religiosa

No México, a violência contra sacerdotes, locais de culto e fiéis continua a aumentar. Isto deve-se a vários factores, como os cartéis da droga, o crime organizado, as disputas de terras, a corrupção, a extorsão e a vingança. As investigações sobre estes actos violentos resultaram, na sua maioria, em poucas condenações. Como consequência, as comunidades receiam que os agressores continuem a gozar de impunidade e que a violência continue a aumentar.

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