MOÇAMBIQUE: Missionário fala em “população assustada” depois de terroristas terem executado um grupo de cristãos

Moçambique

Terroristas atacaram na passada sexta-feira, dia 15, a aldeia de Naquitengue, em Cabo Delgado, e assassinaram pelo menos 11 cristãos, depois de os terem separado do resto da população muçulmana. Horas depois, o Daesh, o grupo terrorista Estado Islâmico, que assume estar presente no norte de Moçambique, reivindicou este ataque. Um missionário presente em Moçambique refere que a população “está assustada” e fala em “momentos de tensão e insegurança” …

Os terroristas chegaram à aldeia de Naquitengue, situada no distrito de Mocímboa da Praia, ao início da tarde, e convocaram a população. Depois de terem separado os cristãos dos muçulmanos, “com base nos nomes” para os identificar segundo as suas etnias, “abriram fogo contra os cristãos”. Os relatos são perturbadores.

Os cristãos, maioritariamente pertencentes ali à etnia Makonde, foram “regados de balas”. Há registo também de casas queimadas e de bens destruídos. Horas depois, já no domingo, a organização terrorista Estado Islâmico reivindicou este ataque falando em 11 mortos, embora o número de vítimas deverá ser superior, pelo menos 12, havendo ainda vários feridos.

O ataque, de enorme crueldade, provocou o pânico das populações que fugiram para as matas, e ocorre cerca de um mês depois de as autoridades militares de Moçambique terem anunciado a eliminação de Bonomade Machude Omar, que era considerado o líder dos terroristas.

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Tensão e insegurança

Frei Boaventura, um missionário do Instituto da Fraternidade dos Pobres de Jesus, confirma à Fundação AIS os contornos extremamente violentos deste ataque e salienta “o detalhe” de que “esta estratégia já aconteceu no passado”.

O missionário refere-se ao facto de os terroristas já terem realizado ataques “com este mesmo cenário”, ou seja, de “separarem os cristãos dos muçulmanos”. O religioso explica ainda que, “infelizmente, quando acontece este tipo de situação, a população fica toda assustada”, acrescentando que este ataque ocorreu numa altura em que muitos populares começavam a regressar às suas terras de origem. Tudo isto gera, afirma ainda frei Boaventura, “novos momentos de tensão e insegurança”, pedindo “que rezemos pelos nossos irmãos que tanto sofrem”.

Não esquecer Cabo Delgado

Este ataque ocorrido na última sexta-feira revela a importância dos constantes apelos do Bispo de Pemba, D. António Juliasse, para que o mundo não se esqueça de Cabo Delgado e do sofrimento das suas populações.

Na mais recente mensagem enviada para a Fundação AIS, em Agosto, no início da JMJ de Lisboa, o prelado lembrou aos jovens vindos de todo o mundo e que se encontravam na capital portuguesa, que há uma guerra em Cabo Delgado e que essa guerra está a causar um profundo sofrimento aos moçambicanos.

Há em Cabo Delgado uma guerra que o mundo menos fala. Já foram contabilizados cerca de 1 milhão de deslocados internos e perto de 5 mil mortos.”

A mensagem enviada para a Fundação AIS termina com um desafio para os jovens serem generosos e ajudarem também a denunciar esta guerra e todas as guerras que provocam morte e sofrimento. “Ser solidário com Cabo Delgado alivia certamente o sofrimento imediato deste povo que está com muitas necessidades. Mas se os jovens denunciarem e agirem vigorosamente contra a atrocidade das guerras no mundo trarão de volta a esperança e o sonho da vida para todos”, disse D. Juliasse.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Relatório da Liberdade Religiosa

Embora os líderes cristãos e muçulmanos continuem a denunciar a violência e a promover o diálogo inter-religioso, num esforço de deslegitimação do jihadismo, tal será insuficiente se não forem abordadas as desigualdades sociais e económicas subjacentes que afectam os jovens, especialmente nas regiões mais pobres. As perspectivas para a liberdade religiosa continuam a ser desastrosas.

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