MOÇAMBIQUE: Autoridades não permitem entrada a meia centena de missionários que iam participar em reunião em Maput

MOÇAMBIQUE: Autoridades não permitem entrada a meia centena de missionários que iam participar em reunião em Maput

As autoridades moçambicanas não permitiram a entrada no país a 50 missionários do Verbo Divino que iam participar a 22 de Maio num encontro internacional desta congregação da Igreja Católica.

O encontro, de coordenadores das principais áreas de trabalho de todas as províncias de África e Madagáscar [Afram], deveria contar com cerca de 60 missionários de diversos países, mas, apesar de todos os esforços para a obtenção atempada dos vistos para a entrada no país, isso não foi possível.

Dos 50 missionários que não receberam os vistos, dez ainda arriscaram a viagem tentando obter uma autorização através do Departamento de Migração existente no aeroporto de Maputo. Mas também não tiveram sucesso. O visto foi negado e foram obrigados a apanhar os aviões de volta para os seus países. Um destes missionários, por não ter voo disponível, teve de ficar praticamente dois dias no aeroporto à espera de poder regressar a casa.

Esta situação causou mal-estar na comunidade, que está a assinalar os 25 anos de presença em Moçambique, tendo um dos missionários do Verbo Divino, Moacir Rudnick, escrito nas redes sociais que esta situação “é uma vergonha para Moçambique”.

O Padre Johnson Furtado, Superior Regional dos Missionários do Verbo Divino em Moçambique, contactado pela Fundação AIS, afirma não compreender a razão por que as autoridades negaram a concessão dos vistos e a respectiva entrada no país a tantos sacerdotes e irmãos desta congregação da Igreja Católica. “Não sei qual é a razão. É um pouco difícil para mim dizer qual a razão por que isto aconteceu.”

Falando ao telefone com a Fundação AIS, o Padre Furtado reconhece que se tem vindo a complicar a concessão dos vistos em Moçambique, e que todos os documentos passam invariavelmente pela Nunciatura Apostólica em Maputo, ou seja, pela representação diplomática da Santa Sé. “Sim, agora é sempre um pouco complicado. Levam muito tempo. Todos os nossos documentos vão para a Nunciatura, e da Nunciatura vão para o ministro dos Assuntos Religiosos e depois passa para [os serviços de] migração e tudo o mais e leva muito tempo… No mínimo dois meses. Mas é para cima disso.”

A não atribuição dos vistos necessários para que os missionários do Verbo Divino pudessem ter participado na capital moçambicana na reunião dos coordenadores das províncias de África e Madagáscar, galgou fronteiras. O Padre Lawrence Muthee, da Tanzania, que é o coordenador de comunicação da Afram, diz que “a reunião teve uma reviravolta extraordinária”, pois muitos dos participantes não puderam estar fisicamente presentes no encontro, “devido a complicações nos vistos”. Entre os 50 missionários que não tiveram autorização de entrada, estava o próprio coordenador da Afram, o Padre Willibrord Kamion Bhia, da República Democrática do Congo.

O Irmão Moacir Rudnick, de 59 anos de idade, foi das pessoas que mais manifestou o desconforto por esta situação ter ocorrido num encontro tão importante para a comunidade do Verbo Divino. Secretário da missão moçambicana, Moacir diz, em mensagem enviada para a Fundação AIS em Lisboa, que a dificuldade na obtenção dos vistos é algo cada vez mais comum em Moçambique e afecta todas as congregações. . “O que nos preocupa é que essa situação não é só nossa, dos missionários do Verbo Divino, outras congregações têm enfrentado a mesma situação: a muitas irmãs e padres, leigos missionários… foram recusadas as suas entradas” no país.

Desconhece-se a razão de isto estar a acontecer. Tal como explicou o Padre Johnson Furtado, Superior Regional dos Missionários do Verbo Divino em Moçambique, também Moacir Rudnick recorda que os processos para a emissão dos vistos passam necessariamente pela embaixada da Santa Sé e que haverá até um acordo com o Estado moçambicano sobre esta matéria. “É uma situação bastante complicada. Aqui, tudo o que fazemos passa pela Nunciatura, que é o órgão oficial da Igreja e que teve um acordo, mas, todavia, grande parte desse acordo não foi formalizado, está só nos papéis. Então, temos sofrido com esta situação que leva um pouco uma imagem negativa para Moçambique…”

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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