CHADE: A coragem de um jovem sacerdote num país ameaçado pelo extremismo jihadista

Thomas tem 30 anos e foi ordenado sacerdote no ano passado. No Chade, onde a propagação do Islão radical é uma crescente ameaça, é significativa a coragem dos que aceitam dedicar as suas vidas ao serviço dos outros. Na Diocese de Sarh há quase meia centena de seminaristas. São, como Thomas, a certeza de que a Igreja continua a despertar vocações apesar do ambiente de ameaça e de hostilidade nesta região de África.

Thomas nem era sequer baptizado quando descobriu o chamamento de Deus. Uns amigos, que frequentavam a paróquia local, foram-no inquietando até que, um dia falou com um padre sobre a vocação que estava a atormentá-lo. A conversa que teve com ele foi apenas a primeira parte de um longo processo que o levaria até ao seminário. Era preciso também falar com os seus pais, era preciso que eles aceitassem a ideia. Mas hesitou antes de lhes abrir o coração.

“Pensava que, se falasse com eles, os meus pais deixariam de me apoiar nos estudos, sobretudo porque o meu pai ainda não era cristão.” Mas era um medo sem sentido. “Quando finalmente tive a coragem de falar com ele, ficou muito contente com a minha decisão e apoiou-me até à sua morte, poucos meses depois de eu ter sido ordenado diácono.”

Apesar de os pais estarem de acordo com a ida de Thomas para o seminário, houve ainda quem, na família, manifestasse alguma relutância. “Os restantes familiares estavam divididos nas suas opiniões, tanto a favor como contra, porque alguns achavam que eu devia casar, como o meu pai, e ter filhos.”

Mas nenhuma dessas opiniões teve a força para alterar o rumo que já tinha traçado para a sua vida.

Não me deixei dissuadir. Só queria ser padre, e esta convicção era a minha força. E Deus acompanhou-me, com a ajuda de várias pessoas, até ao fim da minha formação no seminário. Tornei-me diácono a 5 de Junho de 2021 e a 4 de Junho de 2022 fui ordenado sacerdote.”

AMEAÇA EXTREMISTA

A história de Thomas é significativa num país como o Chade, governado por uma junta militar e onde a ameaça dos grupos radicais islâmicos é cada vez mais intensa.

Com fronteiras com o Suão, a República Centro-Africana, o Níger, Líbia, Camarões e Nigéria, percebe-se que o Chade, um dos países menos desenvolvidos do mundo, é, de facto, um campo aberto para os grupos extremistas que são uma ameaça real às comunidades cristãs. O mais recente Relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo é taxativo na análise que faz a este país.

“O Chade está a atravessar um período de grande turbulência. Os conflitos internos relacionados com a terra, bem como a violência intercomunitária entre agricultores e pastores e grupos árabes e não árabes, foram agravados pela presença de militantes jihadistas estrangeiros, como o Boko Haram e o ISWAP, que mataram centenas de pessoas e deslocaram milhares.

“Embora as relações entre os líderes religiosos muçulmanos e cristãos sejam geralmente positivas, desempenhando ambos um papel importante na defesa da paz e da estabilidade, a combinação de todos os factores acima referidos pesa fortemente sobre a liberdade religiosa, pelo que as perspectivas para a evolução deste direito humano são fracas.”

No entanto, apesar disso, há sinais de optimismo. A Diocese de Sarh, onde Thomas fez a sua formação, situada no sul do país, tem cerca de 200 mil católicos numa população de 1,6 milhões de habitantes, é como que um pulmão da Igreja. Tem 58 padres, mas talvez o dado mais significativo seja o facto de o seminário local ter, actualmente, 48 jovens em formação.

O país é também muito pobre pelo que o apoio de instituições como a Fundação AIS pode fazer toda a diferença no futuro da Igreja local. A história de Thomas é um sinal de esperança. É a certeza de que a Igreja continua a despertar vocações apesar do ambiente de ameaça e de hostilidade nesta região de África.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Relatório da Liberdade Religiosa

O Chade está a atravessar um período de grande turbulência. Os conflitos internos relacionados com a terra, bem como a violência intercomunitária entre agricultores e pastores e grupos árabes e não árabes, foram agravados pela presença de militantes jihadistas estrangeiros, como o Boko Haram e o ISWAP, que mataram centenas de pessoas e deslocaram milhares.

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