REP. CENTRO-AFRICANA: Papa nomeia carmelita Aurélio Gazzera, um amigo da AIS, como bispo coadjutor de Bangassou

A notícia foi conhecida a 23 de Fevereiro. O Papa Francisco acabava de nomear o missionário carmelita Aurélio Gazzera como Bispo coadjutor de Bangassou, na República Centro-Africana, o que significa que irá suceder a D. Juan José Aguirre. Gazzera, que vai fazer 60 anos, já esteve em Portugal a apresentar um Relatório sobre a Liberdade Religiosa e é, desde há muito, um grande amigo da Fundação AIS.

“Quando a decisão do Papa me foi anunciada há algumas semanas, senti uma mistura de vários sentimentos: medo de inadequação, de alegria, de confiança em Deus e nas orações de muitas pessoas amigas”, explica o missionário carmelita descalço Aurélio Gazzera no seu blogue, “ao vivo de Bozoum”, que vai alimentando para os que seguem o seu trabalho em África.

Gazzera vai contando, sempre que pode, neste espaço na internet, o que de mais relevante lhe vai acontecendo. No dia 26 de Fevereiro, escreveu sobre si, sobre a nomeação do Papa para Bispo coadjutor de Bangassou. Este carmelita descalço vai assim suceder a D. Juan Aguirre numa diocese gigantesca cuja história recente, um pouco à semelhança do que se passa em todo o país, atravessa tempos de insegurança e muita violência.

Gazzera, que tem estado em missão em Bozoum e Bouar tem agora de fazer as malas para Bangassou. Percebe-se o medo de que falou o carmelita, pois esta é uma diocese gigante. Tem 135 mil quilómetros quadrados. Portugal, por exemplo, não chega aos 93 mil. É uma diocese enorme e tem sido palco de confrontos entre grupos armados especialmente desde 2013, quando o então presidente Bozizé foi afastado do poder pelos Seleka.

Em resposta à violência perpetrada por esses grupos armados maioritariamente muçulmanos, surgiram um pouco por todo o país grupos de auto-defesa, os Anti-Balaka, espalhando o caos e o terror.

Nada disto é estranho a Aurelio Gazzera que já esteve em Lisboa em 2015, a convite da Fundação AIS, para a apresentação do Relatório sobre a Perseguição aos Cristãos no mundo. Na altura, claro, não poderia imaginar que nove anos mais tarde iria ser chamado pelo Santo Padre para suceder ao espanhol Juan Aguirre à frente dos destinos de Bangassou. Agora, confessa o carmelita, passa as noites meio em claro, a tremer…

“A DIOCESE VIVEU A GUERRA…”

Aceitei e devo dizer que não foi fácil. Ou melhor... aceitar é fácil, mas depois passo os meus dias e as minhas noites pensando, tremendo. Embora também seja algo para ficar feliz. Eu sei que não sou bom o suficiente. Mas sei que Deus, que assim quis, me dará a graça e força para trabalhar na sua vinha em Bangassou. Estou ciente dos meus limites, mas estou ainda mais consciente da misericórdia de Deus, da graça do sacramento e do dom do Espirito Santo.”

A Diocese de Bangassou é enorme e as poucas estradas transitáveis da República Centro-Africana fazem-na parecer ainda maior, aumentando as distâncias, o tempo das viagens. “Praticamente não há estradas para chegar lá”, escreve o missionário, dando como exemplo a missão carmelita em Bangui que está distante cerca de 750 km, “mas leva dias e dias para se chegar lá na estação seca”.

Para os camiões, essenciais para o transporte de mercadorias, a viagem ainda é mais longa e dolorosa, pois “demoram um ou dois meses”, a percorrer essas centenas de quilómetros. Sobre o Bispo, de que vai agora tornar-se coadjutor, Aurélio Gazzera tem palavras elogiosas, a começar pela coragem demostrada ao longo dos últimos anos. 

“Aguirre, espanhol de Córdova, dirige a Diocese desde 2000. É um grande bispo, muito corajoso, competente e empreendedor. Numa diocese que viveu a guerra e muito sofrimento, ainda tem 2 missões fechadas por causa disso”, recorda.

O APOIO DA FUNDAÇÃO AIS

Há dois anos, quando se assinalavam os 50 anos da presença missionária carmelita na República Centro-Africana, Aurélio Gazzera enviou uma mensagem para a Fundação AIS em Portugal a fazer um breve retrato deste país e a descrever também um pouco o dia-a-dia da sua missão muito marcada, ao longo da última década, pela violência dos grupos armados.

Para o novo Bispo, a construção da paz, o desarmar dos corações, o apoio às populações mais necessitadas, eram algumas das urgências que se colocavam – e ainda colocam – aos que prosseguem hoje o trabalho iniciado em 16 de Dezembro de 1971 pelos primeiros carmelitas, os padres Agostino Mazzocchi, Niccolò Ellena, Marco Conte e Carlo Coencio.

“A República Centro-Africana é um país que se situa no coração de África, pouco falado, mas mais conhecido pelos seus problemas e dificuldades”, explicava o missionário italiano que nasceu em 1962. “Estamos presentes em cinco Missões, cinco casas, em duas paróquias, esta, Bouar, Bozoum, e ainda três casas de formação. Por ocasião do 50º aniversário, tivémos a alegria da Ordenação de dois jovens sacerdotes centro-africanos”, disse então, lembrando e agradecendo a solidariedade da fundação pontifícia.

“Aqui, há muito trabalho a fazer e é sempre necessária a ajuda de todos. A presença e o apoio da Fundação AIS e de tantos outros permite-nos trabalhar, mas sobretudo dar passos em frente, quer na formação dos jovens, quer no empenho que temos com as escolas. Só aqui temos nove escolas com mais de duas mil crianças, seis creches e o mesmo acontece nas outras Missões. O trabalho é mesmo muito e é mesmo necessário o empenho de todos: na oração, material e económico e ao nível da informação – no compreender o que acontece nesta parte do mundo, que parece sempre longínqua, mas o mundo é pequeno!”

A mensagem terminava com um apelo à oração de todos para que a missão carmelita possa prosseguir neste pedaço do continente africano. Uma missão que agora ganha um relevo muito particular com a nomeação de Aurélio Gazzera pelo Santo Padre como Bispo coadjutor de Bangassou.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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