À semelhança de anos anteriores, a Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima, foi o centro espiritual da jornada de oração do Terço pela paz, iniciativa internacional da Fundação AIS. Algumas dezenas de crianças e jovens, estudantes e elementos do corpo de escuteiros, protagonizaram este momento especial em que se rezou pelo fim das guerras, da violência, do terrorismo. O Bispo de Leiria-Fátima presidiu à oração do Terço.
Rússia e Ucrânia. Irão e Estados Unidos. Israel e Líbano. Sudão. Mianmar. Iémen. Estes países estão em guerra. Mas há muitos mais que vivem debaixo da ameaça das armas. São as insurgências terroristas, que afectam dezenas de países em África, é a violência dos cartéis de droga e dos gangues armados, são as disputas fronteiriças. O Papa Francisco dizia que estávamos já a viver a III Guerra Mundial, embora em pedaços. Os sinais que chegam de muitos destes países são deveras inquietantes. O mundo vive mesmo os tempos mais tensos e violentos desde o fim da chamada “guerra fria”. Há milhões de pessoas deslocadas, milhões que perderam as suas casas, que perderam familiares e amigos. Há milhões de pessoas em sofrimento.
Face a tudo isto, a jornada de oração do Terço pela paz com as crianças, iniciativa internacional da Fundação AIS, ganhou este ano ainda mais importância. Ontem, na Capelinha das Aparições, dezenas de crianças, estudantes de dois colégios católicos da região de Leiria, e elementos do Corpo Nacional de Escutas, foram os protagonistas desta oração, voltando a colocar o Santuário de Fátima como o centro espiritual desta iniciativa da AIS. O Bispo de Leiria-Fátima presidiu à oração e sublinhou a importância destes gestos num mundo que parece estar a caminhar para uma turbulência imparável.
“Com muita frequência, vemos crianças e famílias sofrerem muito por causa de guerras, por vezes os pais e as mães são mortos. Muitas crianças já não podem ir à escola, as famílias veem as suas casas destruídas e não podem voltar para as suas terras. Muitas pessoas choram, por causa do horror das guerras”, disse D. José Ornelas, no início da oração do Terço, perante uma Capelinha das Aparições completamente cheia de fiéis. E recordou que foi precisamente em Fátima que Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos, também eles crianças, e pediu-lhes, “com insistência”, que rezassem o Terço. “E Ela, a Mãe de Deus, pode ajudar-nos para que haja paz”, acrescentou. “Por isso – disse ainda, dirigindo-se às crianças presentes no Santuário e as que acompanharam o que se estava ali a passar através da rádio e da televisão para todo o país –, a vossa oração é tão importante. Ela leva paz aos corações das pessoas e transforma o mundo…”
Além da Capelinha das Aparições, em Fátima, rezou-se o Terço em inúmeros colégios, paróquias e grupos em Portugal. Exemplo disso, cerca de duas dezenas de pessoas estiveram também reunidas em oração junto ao Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, iniciativa que foi dinamizada por Sofia Guedes, a responsável pelo Presépio na Cidade.
Papa feliz ao rezar com as crianças
A iniciativa da Fundação AIS teve este ano, como nas edições anteriores, um enorme impacto a nível global. Ao longo destes últimos dias, crianças estiveram em oração em alguns dos países e regiões mais atormentados pela violência. Foi assim em Cabo Delgado e Nacala, em Moçambique, ou na diocese de Wau, no Sudão do Sul, ou ainda em Jacmel, no Haiti. Mas rezou-se também na Ucrânia, na Polónia, no Brasil, na Austrália, em Espanha e França, no Canadá… E em dezenas e dezenas de países.
E rezou-se também no Vaticano. Aliás, o arranque desta grande iniciativa, que tem como propósito juntar um milhão de crianças em oração do terço pela paz, aconteceu precisamente nos jardins do Vaticano, com a presença do Santo Padre. Foi no dia 1 de Outubro. E foi um acontecimento marcante. O próprio Papa sublinhou a alegria que sentiu por ter estado ali rodeado de centenas de crianças e jovens que envergavam camisolas com as cores da Fundação AIS.
Leão XIV, num breve discurso, agradeceu a presença de todos e disse estar feliz. “Estou verdadeiramente feliz por estar convosco, e vós jovens, digam-me: estão contentes por terem vindo?”, referiu, agradecendo também a iniciativa da Fundação AIS. “Agradeço à AIS por esta iniciativa e pelo grande trabalho que realiza”, disse ainda.
O Santo Padre, dirigindo-se num tom amigo e informal às crianças, lembrou que iam rezar o Terço “por todas as crianças do mundo, em especial as que vivem em países em guerra”. E lembrou ainda que esta é uma iniciativa mesmo grande. “Não somos só nós a rezar. Em todo o mundo um milhão de crianças reza connosco. Um milhão! Pensem nisso! São 50 milhões de Ave-marias que sobem ao céu de todas as partes e em todas as línguas da terra a pedir a paz…”
Lembrar as palavras de Nossa Senhora
Ainda recentemente, durante a viagem a França, Leão XIV enfatizou o apelo para que os cristãos de todo o mundo se unissem em oração pelo fim das guerras. No Santuário de Lourdes, o Papa falou da urgência de se rezar durante este mês para se travar a actual escalada de conflitos armados no mundo.
Convido todos os fiéis e todas as comunidades cristãs a rezar o Santo Rosário durante o mês de Outubro, com a intenção especial de que cessem as guerras e que a paz se estabeleça entre os povos em conflito.”
Papa Leão XIV
Ontem, dia 7, milhares de crianças e jovens e adultos responderam não só a este apelo do Papa, mas também ao desafio da Fundação AIS e rezaram pela paz nos seus países tal como Nossa Senhora pediu aos pastorinhos em Fátima, em 1917… De facto, a iniciativa da Fundação AIS é inspirada este ano na mensagem de Fátima, recuperando as palavras de Nossa Senhora a Lúcia, Jacinta e Francisco, de que, “no fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.
No convite para esta iniciativa, o cardeal Kurt Koch, presidente da Ajuda à Igreja que Sofre Internacional e prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, recordou que o Imaculado Coração de Maria representa uma vida inteiramente aberta ao Espírito Santo e apresenta Maria como modelo de fé, amor e oração.
Este ano, explicitamente, rezou-se pela paz na Ucrânia, Terra Santa, Líbano, Síria, Paquistão, Sudão do Sul, Cuba e Venezuela. Em Portugal, além do Santuário de Fátima, a Fundação AIS contou com o apoio do World Rosary Day; do Apostolado Mundial de Fátima; da Rede Mundial de Oração do Papa [RMOP]; da revista Audácia; da Agência Ecclesia; da Rádio e TV Canção Nova; e ainda da Rádio Maria e da Associação Portuguesa das Escolas Católica, [APEC].
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt




