Desde o dia 12, há precisamente uma semana, que uma paróquia, três escolas e um hospital católico estão encerrados na Diocese de Gboko devido aos ataques ocorridos nos últimos tempos nesta região conhecida como o Middle Belt. Na memória de todos estão os graves incidentes ocorridos no Natal de 2024, com vários ataques a igrejas católicas sendo que apenas num deles, em Anwase, houve cerca de meia centena de mortos, incluindo crianças. Entretanto, há uma semana, foi libertado um sacerdote , na Diocese de Otukpo.
Por decisão do Bispo William Amove Avenya, foram suspensas, na passada segunda-feira, dia 12, as actividades de três escolas, infantil, primária e secundária, um hospital e um centro de saúde e uma paróquia. Todas estas instituições estão situadas em Ihugh, na Diocese de Gboko, numa região da Nigéria conhecida como o Middle Belt.
Segundo um decreto, que a Fundação AIS consultou, foram retirados todos os funcionários diocesanos que trabalhavam nestas estruturas de ensino e de saúde, incluindo sacerdotes, consagrados, catequistas, agentes pastorais, professores e equipa médica e administrativa. No documento explica-se que o encerramento “é temporário”, mas que permanecerá em vigor até haver de novo condições de segurança.
O fecho da paróquia, das escolas e do hospital e centro de saúde foram decididos por causa dos repetidos ataques ocorridos na região, nomeadamente um incêndio nos dormitórios estudantis da escola secundária St. Winifred, em 2025, bem como outros incidentes já este ano, em Maio, e mais recentemente no passado dia 11 de Outubro. A Diocese também refere assaltos na paróquia de Santa Winifred e incidentes de carácter criminoso no Hospital São Tomás.
“Esses actos são identificados como parte de um padrão sistemático de hostilidade e destruição direccionado contra propriedades pertencentes à Igreja”, referiu o Bispo Avenya, acrescentando que estes incidentes provocam medo e incerteza em todos os que trabalham ou utilizam estas instituições. Face a esta decisão, os utentes do hospital assim como os alunos serão transferidos para outras unidades de saúde e estabelecimentos de ensino da diocese.
Uma região marcada pela violência
Esta é, de facto, uma região marcada pela violência. Ainda em Janeiro do ano passado a Fundação AIS dava conta de vários incidentes gravíssimos ocorridos na época de Natal na Diocese de Gboko, que abrange o Estado de Benue. O mais mortífero destes ataques ocorreu mesmo no dia de Natal de 2024, em Anwase, e causou pelo menos 47 mortos, incluindo crianças.
O Padre Isaiah Ter, Director Executivo da Caritas na Diocese de Gboko, disse na ocasião à Fundação AIS que, para além das vítimas, os agressores causaram ainda uma enorme destruição material. “Queimaram as oito igrejas católicas da Paróquia de Santa Maria, incluindo a casa paroquial, clínicas, escolas e outras casas”, explicou. O pároco e o seu assistente foram mesmo forçados a fugir e a permanecerem escondidos no mato durante todo um dia para assim escaparem à violência.
O Estado de Benue situa-se no chamado Cinturão Médio da Nigéria, uma região que divide o sul, de maioria cristã, e o norte, de maioria muçulmana, e que tem sido palco de muitos conflitos ao longo das últimas décadas, devido a uma série de factores, incluindo tensões inter-religiosas, mas também disputas de terras, envolvendo os pastores Fulani, geralmente muçulmanos.
Estes conflitos tornaram-se mais mortíferos para os cristãos nos últimos anos, devido à utilização de armas automáticas pelos pastores, que estão a ficar também cada vez mais radicalizados. A diocese de Gboko tem sofrido muitos destes ataques ao longo da última década, o que causou a destruição de mais de 20 comunidades e 32 igrejas.
Antes deste ataque durante o período de Natal de 2024, e no período compreendido entre Janeiro e Novembro desse ano, cerca de uma centena de pessoas foram mortas em diversos incidentes e a situação levou mesmo ao aumento maciço do número de deslocados internos.
Rapto de mais um padre na Nigéria
Entretanto, foi raptado, e, entretanto, libertado, mais um sacerdote na Nigéria. Foi há uma semana, na terça-feira, dia 13, que o Padre John Inalegwu Otache, pároco da Paróquia de Santa Margarida, em Ajegbe-Awume, na Diocese de Otukpo, foi raptado quando regressava a casa. A sua libertação, este domingo, dia 18, foi anunciada num comunicado assinado pelo chanceler da Diocese, a que a Fundação AIS teve acesso.
Nesse documento é referido apenas que ocorreu “a libertação em segurança” do sacerdote, mas não são dados quaisquer detalhes sobre as circunstâncias em que tudo aconteceu nem sobre o estado de saúde do Padre Otache. O comunicado cita o bispo local, D. Michael Ekwoyi Apochi, que agradece as orações e a solidariedade de todas “as pessoas de boa vontade” para o “regresso em segurança” do Padre John Otache.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







