O Cardeal Antonio Tagle, o novo decano do Colégio Cardinalício, vai este sábado, dia 31, a Macau, na China, como delegado do Papa Leão XIV para participar nas cerimónias de comemoração dos 450 anos da Diocese local. Entre os vários eventos em que o cardeal filipino vai participar, destaca-se a celebração de uma Missa de Acção de Graças. O Patriarca de Lisboa, o Bispo de Leiria-Fátima e o cardeal de Penang, na Malásia, vão também estar presentes.
O Cardeal Luis Antonio Tagle, Pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização e novo Decano do Colégio Cardinalício, vai estar amanhã, dia 31 de Outubro, em Macau, na China, como delegado do Papa nas comemorações dos 450 anos desta Diocese que desempenhou um papel fundamental ao longo de séculos na evangelização da Ásia. Ponto alto nas comemorações será a Missa que irá decorrer no Fórum Macau e que será presidida pelo Cardeal Tagle. Esta cerimónia constitui o ponto alto e culminar de todo o Ano Jubilar da diocese de Macau, que decorre sob o mote “De Macau para o Mundo: 450 Anos de Missão e Misericórdia”.
Perante uma assembleia que se espera repleta de fiéis, D. Luis Tagle deverá destacar a jornada de fé que a Diocese de Macau vem trilhando há mais de quatro séculos, e o significado dos esforços de evangelização realizados pelos primeiros missionários ligados então à coroa portuguesa. Além da Missa, o Cardeal Antonio Tagle vai também participar numa conferência, que terá lugar no Paço Episcopal, sobre os Caminhos Sinodais para a Evangelização da Ásia, em que abordará o tema dos desafios da missão na era da Inteligência Artificial.
Inserida ainda nestas comemorações, vai decorrer também amanhã a inauguração do novo Centro Católico de Macau. O Cardeal Sebastian Francis, de Penang, da Malásia, D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa e D. José Ornelas, Bispo de Leiria-Fátima, vão também participar nestas comemorações, que coincidem nestes dias com a realização em Macau de um encontro da Federação das Conferências Episcopais da Ásia.
“Laços profundos” entre Macau e Portugal
A ligação entre Macau e Portugal continua muito forte, apesar de a administração do território ter passado para a China a 20 de Dezembro de 1999. Ainda recentemente, em Setembro, o Bispo de Setúbal esteve também em Macau numa visita de preparação para o acolhimento nesta diocese de uma delegação de jovens portugueses que vão participar no próximo ano na Jornada Mundial da Juventude, que terá lugar em Seul, na Coreia do Sul.
D. Américo Aguiar presidiu a uma Missa na Sé Catedral e lembrou que “Macau foi, durante séculos, uma ponte entre o Ocidente e o Oriente e uma porta missionária para a Ásia”, por onde “passaram missionários que deixaram a sua terra, aprenderam novas línguas, encontraram outras culturas e daqui seguiram por caminhos que chegaram também à Coreia”.
Uma diocese com 450 anos de história
O Papa Gregório XIII estabeleceu a diocese de Macau em 23 de Janeiro de 1576, tornando-a num importante centro de actividade missionária católica na Ásia. Inicialmente, a jurisdição de Macau abrangia uma vasta região que incluía a China, o Japão, a Coreia, uma parte do Vietname e ainda algumas partes do Sudeste Asiático.
Os jesuítas fundaram um colégio em Macau em 1565, enquanto o seu primeiro administrador apostólico, o padre jesuíta Melchior Carneiro, fundou a Santa Casa da Misericórdia e o Hospital São Rafael. A Igreja de São Paulo, dos Jesuítas, foi destruída por um incêndio em 1835, restando apenas a fachada que hoje é conhecida como “as Ruínas de São Paulo”, e que se tornaram de alguma maneira num dos principais símbolos deste território e um dos marcos do seu património cultural.
Macau esteve sob administração portuguesa até 20 de Dezembro de 1999, altura em que passou oficialmente a ser território da República Popular da China.
Católicos representam 4,5% da população
A Diocese de Macau, que serve actualmente esta região administrativa especial da China, abriga cerca de 700 mil pessoas. Possui nove paróquias e cerca de 30 mil católicos, tem cerca de 70 padres e aproximadamente 190 religiosas.
Apesar de a comunidade católica ser diminuta em Macau, apenas 4,5% da população total, é inegável a importância do seu legado histórico e cultural. Sinal disso, este ano, em Agosto, a procissão e devoção a Nossa Senhora dos Remédios passaram a fazer parte da lista do património Cultural Imaterial de Macau. Nessa lista fazem parte também as procissões de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos e a de Nossa Senhora de Fátima, que reúnem sempre milhares de pessoas e que são um testemunho vivo da fé católica neste país liderado pelo Partido Comunista.
No domingo passado, 25 de Outubro, centenas de pessoas participaram na procissão em honra de Nossa Senhora dos Remédios, cortejo que percorreu algumas das principais ruas da Paróquia de São Lourenço e que este ano teve um significado especial por ter sido precisamente a primeira vez que ocorreu desde a inclusão na lista de património cultural de Macau.
“Prémio Identidade” para o jornal diocesano
Sinal também do prestígio das instituições ligadas à Igreja neste território chinês, esta quarta-feira, dia 28, o jornal “O Clarim”, órgão oficial da Diocese de Macau, foi homenageado pelo seu papel “na coesão comunitária e na ligação entre a Igreja Católica e a sociedade local”. A atribuição do “Prémio Identidade” ao semanário diocesano, foi da responsabilidade do IIM, Instituto Internacional de Macau.
O jornal é a publicação de língua portuguesa mais antiga ainda em circulação em Macau, e é publicado todas as semanas também com edições em inglês e cantonense. Fundado em 1948, três anos depois do fim da II Guerra Mundial, por um grupo de jovens ligados à Juventude Católica, actualmente é dirigido pelo Padre Eduardo Aguero e é editado por José Miguel Encarnação, correspondente em Macau do programa “Igreja no Mundo”, da Fundação AIS.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







