IRAQUE: Mais de 1 milhão de cristãos deixou o país ao longo dos últimos vinte anos, alerta Patriarca Louis Sako

Perseguição religiosa, secundarização social, perda de empregos, confisco das propriedades, insegurança, ameaça de grupos terroristas como o Daesh, os jihadistas do Estado Islâmico… tudo isto levou mais de 1 milhão de cristãos a abandonar o Iraque ao longo das duas últimas décadas. Os números foram avançados pelo Cardeal D. Louis Sako que, diz ainda, “só nas últimas semanas, cem famílias deixaram Qaraqosh e emigraram”.

É mais um alerta de D. Louis Sako. Nos últimos vinte anos, mais de 1 milhão de cristãos abandonou o Iraque e, “só nas últimas semanas”, diz ainda o líder da Igreja católica deste país do Médio Oriente, “cem famílias deixaram Qaraqosh e emigraram”.

Numa mensagem enviada aos fiéis, o Cardeal traça um retrato preocupante com o esvaziamento constante da comunidade cristã, em resultado de uma “tentativa deliberada de apagar a sua herança, história e legado de fé”, diz o responsável citado pelo Vatican News.

A fuga dos cristãos é a resposta a anos de perseguição que se traduzem na “perda de empregos, confisco de propriedades, conversões forçadas”, especialmente pelo Daesh, o grupo jihadista Estado Islâmico, “islamização de menores e negação de direitos”. D. Louis Raphael I Sako fala mesmo numa “atmosfera de ódio” que tem sido também alimentada por líderes religiosos muçulmanos, que proíbem, por exemplo, as felicitações de Natal…

RUPTURA DO TECIDO SOCIAL

As palavras do patriarca da Igreja Católica Caldeia do Iraque apontam para uma situação que tenderá a agravar-se nos próximos anos pois o país vive, diz, uma ruptura do tecido social.

Não há estratégia, segurança ou estabilidade económica, falta soberania e há uma aplicação dupla dos conceitos de democracia, liberdade, constituição, lei e cidadania por aqueles que deveriam estar ao serviço do país e dos seus habitantes.”

Por isso, acrescenta ainda o responsável, “as instituições foram enfraquecidas e houve um declínio na moral e nos valores”. Sinal também disso, afirma o prelado, “os serviços, a saúde e a educação deterioraram-se, há corrupção generalizada e desemprego crescente, além do retorno do analfabetismo”.

O Patriarca alerta ainda para a divisão entre os partidos cristãos no Iraque, apelando à unidade de todos como única forma de se travar o esvaziamento da comunidade no país.

VIAGEM A PORTUGAL EM 2011

Os alertas do Patriarca são uma constante desde há muitos anos. O Cardeal Sako, por exemplo, já esteve em Portugal, em Novembro de 2011, a convite da Fundação AIS e já nessa altura, nas diversas conferências que proferiu, em Lisboa, Braga e Fátima, alertava para a situação dramática em que se encontrava a comunidade cristã, sem poder imaginar que, dali a cerca de três anos, iria ocorrer a grande invasão das terras bíblicas da Planície de Nínive pelos jihadistas do Daesh.

“Estamos isolados, somos poucos e ninguém se lembra de nós”, disse então o prelado, apelando à solidariedade dos portugueses e da comunidade internacional para com os cristãos iraquianos. “É por isso que a vossa solidariedade é tão importante. Sempre que souberem que um cristão, um padre, é vítima de violência no nosso país, devem protestar. É preciso protestar”, disse, incentivando a mobilização dos portugueses em favor dos cristãos iraquianos.

Desde então, até hoje, têm sido inúmeros os incidentes, os ataques, a violência contra os cristãos no Iraque, tal como tem sido uma constante, também, a solidariedade dos benfeitores e amigos da Fundação AIS para com esta comunidade religiosa tão perseguida na actualidade.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Relatório da Liberdade Religiosa

O Iraque permanece numa encruzilhada e as minorias religiosas continuam vulneráveis. Com uma cidadania igual para todos os Iraquianos ainda por implementar, a plena liberdade religiosa não está garantida. As perspectivas de gozo da liberdade religiosa e muitos outros direitos humanos continuam a depender da estabilidade política e de segurança do país. Ambos parecem duvidosos e devem permanecer sob observação.

IRAQUE

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