TERRA SANTA: “Fiquei consternada, foi uma dor profundíssima”, diz presidente dos Focolares sobre conflito na Faixa de Gaza

Nasceu em Haifa, Israel, há 61 anos, é filha de pais palestinianos e desde 2021 é a Presidente dos Focolares, um movimento da Igreja fundado por Chiara Lubich.  Margareth Karram participou no Sínodo dos Bispos, como convidada especial, e falou com a Fundação AIS para dizer que se sentiu “verdadeiramente consternada” quando eclodiu o mais recente conflito na Faixa de Gaza, entre o Hamas e Israel.

Hoje, dia 7 de Dezembro, Margareth Karram vai ser recebida pelo Papa Francisco no Vaticano para assinalar o 80º aniversário da fundação dos Focolares como movimento da Igreja. Não será difícil de imaginar que a situação dramática que se está a viver na Terra Santa possa ser um tema de conversa entre Francisco e Karram. Afinal, nada do que se passa nesta região lhe será indiferente. Margareth Karram, filha de pais palestinianos, nasceu em Haifa, Israel, em 1962. A sua casa na região da Galileia era a única de uma família cristã num bairro hebreu.

Desde 2021 que ela é a responsável pelo movimento dos Focolares e foi nessa condição que participou recentemente, como convidada especial, no Sínodo dos Bispos, experiência que classificou como “muito profunda”, como “uma experiência espiritual.” A Fundação AIS falou com ela no Vaticano e era inevitável perguntar-lhe o que sentiu quando a Terra Santa voltou a tremer com a violência dos ataques terroristas do Hamas e depois disso, com a resposta militar de Israel.

“Quando a situação eclodiu, fiquei verdadeiramente consternada. Uma dor profundíssima. Escrevi, imediatamente, ao Papa e disse-lhe que oferecia toda esta dor pelo Sínodo e perguntei se poderíamos fazer algo. Foi belo porque o Papa aderiu subitamente à Jornada de Oração, também convocada pelo Patriarca de Jerusalém, de rezar pela Terra Santa, mas também no dia 27 [Outubro 2023], fez uma oração no Vaticano, com a Adoração, à qual todo o mundo aderiu.”

“A GUERRA NÃO IRÁ RESOLVER NADA”

Para Margareth Karram, a situação na Terra Santa permitiu-lhe perceber que a Igreja está mesmo próxima dos que sofrem e isso sentiu-se também nos próprios trabalhos do Sínodo.

“No Sínodo não se falava apenas de outras coisas – e tínhamos tanto na agenda, mas que a Igreja também faz parte do mundo e está atenta ao grito, sobretudo nestes dias, dos países em guerra, de países que estão a sofrer, de gente vítima da injustiça. Isto fez-me sentir o quanto a Igreja é também Mãe e queria estar próxima”, disse.

A Presidente dos Focolares encontrou-se já por diversas vezes com o Papa Francisco e ambos partilharam a importância da defesa da paz contra a violência e a guerra. “O Papa, nas várias vezes que se encontrou comigo, assegurou-me oração, proximidade e, para mim, isto foi a coisa mais bonita. Disse-lhe que, claro, tínhamos de continuar a acreditar, dar esperança e não desistir, pois há tanta gente que vive para a paz. Avançar com coragem. A guerra nada irá resolver, mas devemo-nos educar para a paz. E a Igreja pode ajudar-nos”, afirmou ainda à Fundação AIS.

SER CAPAZ DE ESCUTAR O OUTRO

A defesa da paz num mundo que persiste nas guerras é uma das tónicas dominantes do seu pensamento. A Presidente dos Focolares confessou também nesta entrevista – uma parceria entre a Fundação AIS e a Agência Ecclesia – que é sempre fundamental saber ouvir o outro, dar espaço às ideias dos outros, às culturas diferentes. É nessa diversidade que se aprende o acolhimento.

“Penso que, no mundo, aquilo que cria conflitos é o não escutar o outro, o não dar espaço às ideias que nem sempre são convergentes, mas também diferentes. Também às culturas diferentes. Não temos a capacidade de ter este coração grande, que acolhe, que escuta, que mesmo que os outros tenham ideias diferentes das tuas, deves acolher”, explicou Margareth Karram. E essa capacidade de acolhimento deve estar presente em todo o lado, até nos governantes, nos responsáveis pelas nações.

“Penso que também no mundo civil somos capazes, também nestes dias de guerra, um pouco por todo o lado, se os governantes, as pessoas que trabalham na política e na sociedade fossem capazes de escutar-se e de compreender o que o outro pensa, cada um perde alguma coisa na minha opinião, conseguimos dialogar melhor, conseguimos encontrar soluções”, acrescentou ainda a Presidente dos Focolares.

CHIARA LUBICH E A FUNDAÇÃO AIS

O Movimento dos Focolares, agora presidido por Margareth Karram, foi fundado em Trento, Itália, em 1943, por Chiara Lubich [1920-2008], que tinha um grande apreço pela Fundação AIS. Exemplo disso, no livro “Combatente pela Paz”, obra que reúne pensamentos do Padre Werenfried van Straaten, o fundador da AIS, Chiara, que escreveu o Prefácio, salienta a importância do trabalho e da missão da fundação pontifícia em defesa da liberdade religiosa e dos cristãos perseguidos no mundo. 

Poderíamos questionar-nos se, no futuro, os Cristãos e a Igreja também continuarão a ser perseguidos e a necessitar da nossa ajuda. Olhar para os dois mil anos de história da Igreja ajuda-nos, contudo, a compreender que o vaticínio de Jesus continua a ser verdadeiro nos dias de hoje: ‘Se me perseguirem a mim, também vos hão-de perseguir a vós’. (Jo 15,20). Enquanto houver cristãos haverá perseguidos, pobres e indefesos. Obras como a Ajuda à Igreja que Sofre serão, por isso mesmo, cada vez mais solicitadas e, como verdadeiras Obras de Deus, manter-se-ão vivas por muitos séculos”

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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