ETIÓPIA: “As coisas estão a piorar e nós temos de fugir”, avisa missionário sobre a situação em Kombolcha

ETIÓPIA: “As coisas estão a piorar e nós temos de fugir”, avisa missionário sobre a situação em Kombolcha

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ETIÓPIA: “As coisas estão a piorar e nós temos de fugir”, avisa missionário sobre a situação em Kombolcha

Segunda-feira · 1 Novembro, 2021

“As coisas estão a piorar e agora nós temos de fugir.” A curta mensagem, enviada ontem por um missionário católico para a directora de comunicação da Fundação AIS, evidencia bem o desespero dos que se encontram na cidade de Kombolcha face ao agravamento do conflito armado entre as forças do governo e os elementos da Frente de Libertação do Povo Tigray.

“Agora estou sozinho com os vigias. Vou ver se também posso fugir amanhã [dia 1 de Novembro]. A guerra está agora mais difícil”, disse ainda o religioso, que não pode ser identificado por questões de segurança, na mensagem enviada à jornalista Maria Lozano pedindo ainda as orações de todos pelo sacrificado povo etíope.

Dias antes, este missionário já tinha alertado para o agravamento do conflito, tendo-se registado um aumento considerável de pessoas em fuga, agravando a já muito delicada situação humanitária na região de Kombolcha, nomeadamente ao nível alimentar.

ETIÓPIA: “As coisas estão a piorar e nós temos de fugir”, avisa missionário sobre a situação em Kombolcha
“As coisas estão a piorar e agora nós temos de fugir.”

Nessa mensagem anterior, o missionário descrevia um cenário de combates e de população em fuga. “Ouvimos bombas a cair nas montanhas, as coisas estão a ficar muito difíceis, não conseguimos dormir, estamos vigiando. Há toque de recolher entre as 18:00 horas e as seis da manhã, mas fora desse período, estamos a tentar acompanhar a evolução” da situação, disse o missionário.

Segundo este sacerdote, regista-se uma tentativa de fuga das populações para a capital, Adis Abeba, mas os elementos da Igreja presentes na região insistiram em ficar. “Nós, os padres, estamos aqui com as pessoas, para ver como as coisas evoluem.”

Os combates entre as forças governamentais e os elementos separatistas da Frente de Libertação do Povo Tigray tiveram início há praticamente um ano, no dia 4 de Novembro de 2020, tendo provocado numerosas vítimas mortais e também um número assinalável, na ordem dos milhares, de deslocados internos. Os combates passaram a envolver até militares da vizinha Eritreia.

“Neste momento, na nossa pequena cidade de Kombolcha, temos mais de 4 mil deslocados internos, estando muitos outros nas cidades vizinhas”, dizia ainda o missionário católico nessa mensagem anterior enviada para a Fundação AIS na Alemanha. “Temos testemunhado muito sofrimento, com muitas pessoas a morrer, outras a ficarem desalojadas, sem comida, água, medicamentos ou abrigo…”

O relato deste sacerdote mostrava que as prioridades estão todas viradas para a sobrevivência imediata das pessoas vítimas do conflito. “Estamos a fazer o possível para encontrar comida, cobertores e água para alguns destes deslocados internos, muitos dos quais bateram à nossa porta. O problema é que eles são muitos e a nossa pequena ajuda é apenas uma gota no oceano [das necessidades]. Mas, como se costuma dizer, é sempre melhor acender uma vela do que amaldiçoar as trevas ”, acrescentou.

Esta região está praticamente isolada do resto do mundo, o que aumenta consideravelmente o sentimento de insegurança das populações. Face à gravidade do conflito e à dimensão da crise humanitária – a ONU considerou, em Julho, que há cerca de 400 mil pessoas em risco de fome na região de Tigray – o missionário pede, “humildemente”, através da Fundação AIS, as orações de todos “pela paz e segurança na região, bem como outras formas de apoio”.

A Etiópia é um país com duas principais comunidades religiosas, os cristãos, com cerca de 60 por cento da população, e os muçulmanos, que representam quase 35%: No entanto, tem uma riquíssima tradição, sendo mesmo considerado como o mais antigo país cristão independente do mundo.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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