BENIM: Apesar da ameaça crescente do terrorismo, padre diz que a sua preocupação maior é a pobreza dos cristãos

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O Benim é um pequeno país na costa da África Ocidental, localizado ao sul do Níger e do Burquina Fasso, e a oeste da Nigéria, três países onde a perseguição aos cristãos por grupos jihadistas é uma realidade alarmante. Apesar do risco de essa ameaça terrorista galgar fronteiras para o Benim, para o Padre Cosme Bethieu, o mais preocupante é mesmo a pobreza extrema em que vivem muitos dos seus paroquianos…

“O que mais me impressionou foi a extrema pobreza dos cristãos”, relata o Padre Cosme Bethieu em entrevista ao programa de rádio da Fundação AIS de Espanha. “Em alguns lugares, alguns vêm à missa descalços”, descreve. “Pedimos doações para os sacramentos, mas as pessoas não têm condições, e isso entristeceu-me profundamente. Foi isso que me inspirou a criar um grupo em todas as paróquias onde servi como pároco”, revelou o sacerdote na entrevista ao programa “Perseguidos mas não esquecidos”, que a fundação pontifícia emite na Rádio Maria do país vizinho.

O Padre Cosme fala, no entanto, de um país que está a mudar, que está a modernizar-se. “A situação actual no Benim é muito promissora, pois está em curso uma mudança política positiva que promete um futuro melhor para os jovens. Há muita infraestrutura e fábricas, e tudo está a mudar culturalmente, economicamente e politicamente, com muitas reformas positivas. Quando as reformas acontecem, elas não são prontamente aceites porque ‘sempre foi assim’, mas é isso que garante um futuro melhor”, diz.

A Igreja ao serviço dos mais pobres

O sacerdote refere também que a Igreja do Benim – o país é predominantemente cristão, cerca de 46 por cento da população – é muito activa especialmente no trabalho caritativo.

A Igreja realiza um extenso trabalho pastoral através de obras de caridade. Cuidamos com muita atenção dos desfavorecidos, dos necessitados, das crianças abandonadas e dos enfermos. Temos hospitais em quase todas as dioceses do Benim para ajudar os doentes. O desafio actual é a falta de recursos para fornecer o nível de assistência necessário, mas estamos a fazer o que podemos. Há boa vontade e a Igreja está comprometida em servir os pobres.”

Para o sacerdote, é importante mesmo é que todos se empenhem na promoção do bem-estar social. “Todos nós temos uma missão nesta vida, tanto os pobres quanto os ricos. Os ricos são instrumentos da generosidade de Deus ao lado dos pobres. O rico que não contribui para ajudar os outros, especialmente os pobres, não está a cumprir a sua missão neste mundo…”

A ameaça terrorista na região

Cosme Bethieu diz também, na entrevista à Fundação AIS de Espanha, que todas as pessoas se devem empenhar na promoção da paz. A questão da paz é particularmente sensível no Benim, pois este país, banhado pelo Oceano Atlântico,  tem fronteiras com o Níger, Burquina Fasso, e Nigéria, onde a perseguição aos cristãos e a presença de grupos jihadistas é uma realidade alarmante. E não é preciso recuar muito no tempo para haver sinais disso.

O ano de 2025 revelou-se particularmente trágico no que diz respeito a atentados terroristas no Benim. Na zona conhecida como “ponto triplo”, onde convergem as fronteiras com o Burquina Fasso e o Níger, ocorreram dois ataques, um em Janeiro e outro em Abril, e que causaram, no conjunto, 82 mortos, praticamente todos envolvendo militares. O mais recente Relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo aborda esta questão com detalhe. “É preocupante a influência crescente dos grupos extremistas islâmicos” no Benim, pode ler-se no documento.

Extremismo violento na África Ocidental

“De acordo com o Instituto de Estudos de Segurança (ISS), os grupos extremistas islâmicos, como o Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (GSIM) – também conhecido como Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) – e o Estado Islâmico do Grande Sara (ISGS), estão a financiar os seus ataques terroristas através do tráfico de armas, munições, drogas, medicamentos e espécies protegidas. Estes grupos aproveitam também o vazio de segurança provocado por um conflito territorial entre o Benim e o Burquina Fasso em relação à região de Kourou-Koualou, onde não houve presença do Governo do Benim até Fevereiro de 2023”, diz ainda o relatório da Fundação AIS.

Neste sentido, conclui o trabalho de investigação da AIS, “o Benim, tal como alguns dos seus vizinhos (Burquina Fasso, Nigéria), tem sido cada vez mais afectado por ataques terroristas, à medida que o extremismo violento se tem propagado para sul a partir do Burquina Fasso” e por isso, e se as autoridades não envidarem esforços concertados para combater a radicalização, “os grupos extremistas que outrora estavam confinados ao Sahel estabelecerão um ponto de apoio e uma presença perigosa na África Ocidental costeira”. Para já, no entanto, para o padre Cosme, a ameaça mais concreta e visível é a da pobreza dos seus paroquianos. E para isso ele conta com a solidariedade de todos.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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