Governo de Lisboa defende a necessidade de haver uma transição democrática na Venezuela e a libertação de todos os presos políticos. Esta posição, tomada na passada segunda-feira, dia 23, no seguimento de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, vem dar eco à exortação pastoral dos bispos venezuelanos publicada a 10 de Janeiro.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português manifestou nesta segunda-feira, dia 23, apoio à iniciativa da chefe da diplomacia da União Europeia para o levantamento das sanções do bloco comunitário contra a Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. O ministério liderado por Paulo Rangel afirma que “é essencial progredir no sentido da transição democrática e libertar todos os presos políticos, em especial, os luso-venezuelanos”.
Esta posição do governo de Lisboa, surge no final da reunião dos responsáveis pelas relações exteriores dos executivos da União Europeia, em que a alta representante da EU para os Negócios Estrangeiros defendeu também o levantamento de sansões contra a actual líder da Venezuela. “Estamos a discutir, e vamos continuar a discutir no futuro, qual vai ser a nossa abordagem à Venezuela. Eu vou propor que levantemos as sanções contra Delcy Rodríguez enquanto actual Presidente interina” anunciou Kaja Kallas. Delcy Rodriguez, ex-vice-presidente da Venezuela, assumiu, recorde-se, o poder no país após a captura de Nicolas Maduro, numa operação militar desencadeada a 3 de Janeiro pelo exército norte-americano.
Bispos traçam retrato do país
A posição expressa pelo governo português em dar eco ao apelo dos bispos da Venezuela que numa “exortação pastoral” publicada a 10 de Janeiro, defendiam a reconciliação nacional e a libertação de todos os presos políticos como o caminho que o país deve seguir nesta nova fase, assim como a utilização dos lucros da exploração do petróleo para combater a pobreza da população.
“Como cristãos e pastores, diante das inquietações e temores que gera a situação social, política e económica que atravessa a nossa pátria e, em particular, após os acontecimentos de 3 de Janeiro deste ano, queremos comunicar uma mensagem de esperança a todo o povo venezuelano”, refere o texto divulgado após a assembleia plenária.
Todo o texto exprime a preocupação da Igreja para com numerosos sectores da população que vivem numa situação difícil, nomeadamente os presos políticos e seus familiares, mas não esquecendo “os milhões” de venezuelanos que tiveram de emigrar, com a consequente desintegração das famílias.
Os prelados referem também, no documento – que acaba por ser um retrato da miséria do país – “aqueles que foram submetidos a humilhações e tráfico de pessoas; os que não têm rendimentos suficientes para cobrir as suas necessidades básicas; os idosos que foram abandonados e deixados na solidão; os doentes que não conseguem obter medicamentos e acesso aos serviços de saúde; os jovens que viram as suas oportunidades de progresso através dos estudos e do trabalho serem frustradas; os trabalhadores da educação e da saúde que recebem salários miseráveis; as comunidades indígenas altamente marginalizadas e esquecidas”, e aqueles que perderam os seus bens em resultado de confiscações arbitrárias ou que sofrem “por diversas razões injustas”…
Combater a pobreza
Para combater a pobreza que “atinge a maioria da população”, os bispos pedem “que os recursos recebidos pela reactivação da indústria petrolífera sejam destinados a melhorar a qualidade dos salários e a implementar programas sociais (…) que garantam trabalho e remuneração digna”.
Por fim, comprometem-se a que todas as instituições da Igreja sejam “espaços de encontro, escuta e acompanhamento, que gerem sinais claros e credíveis de fraternidade e reconciliação” e propõem aos católicos que busquem “na oração diária, luz e força para enfrentar com determinação a conjuntura que vivemos hoje”.
Há mais de uma década, a Fundação AIS dá apoio às instituições da Igreja na Venezuela para amenizar as difíceis circunstâncias que atravessa o país. Através dos seus projectos, a fundação pontifícia tem oferecido ajuda espiritual e material para que os sacerdotes, religiosos e agentes pastorais possam continuar a sua missão.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt










