O Papa Leão XIV denunciou hoje, sexta-feira, dia 9, perante os embaixadores acreditados no Vaticano, a perseguição a milhões de cristãos no mundo, lembrando que, em muitos casos, “sofrem níveis elevados ou extremos de discriminação, violência e opressão devido à sua fé”. E deu como exemplos, o atentado terrorista numa igreja em Damasco, na Síria, ocorrido em Junho do ano passado, a situação no Bangladesh, na região do Sahel, em África, e na Nigéria e ainda em Cabo Delgado, no norte de Moçambique.
Na audiência de apresentação de cumprimentos de Ano Novo, que reuniu o Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, nesta sexta-feira, dia 9, o Papa Leão XIV denunciou a perseguição nos dias de hoje a milhões de cristãos em todo o mundo e alertou para as situações em que nas sociedades modernas a liberdade de expressão e de consciência são restringidas.
Na ocasião, o Papa falou da liberdade de consciência, da rejeição de práticas como o aborto ou a eutanásia, e dedicou uma parte considerável do seu discurso à questão da liberdade religiosa, pedindo “total respeito” de culto para os Cristãos e membros de qualquer outra comunidade de fé.
O Papa sublinhou os riscos para a liberdade religiosa a nível global, lembrando que “64% da população mundial sofre graves violações deste direito”. O Santo Padre lamentou em concreto a crescente perseguição aos Cristãos, que afecta mais de 380 milhões de fiéis em todo o mundo, precisamente os dados apresentados no final do ao passado pela Fundação AIS no Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo.
Não se pode ignorar que a perseguição aos Cristãos continua a ser uma das crises de direitos humanos mais difundidas actualmente, afectando mais de 380 milhões de crentes em todo o mundo, os quais sofrem níveis elevados ou extremos de discriminação, violência e opressão devido à sua fé."
Papa Leão XIV
“O fenómeno afecta aproximadamente um em cada sete Cristãos a nível global e, em 2025, agravou-se por causa dos conflitos em curso, dos regimes autoritários e do extremismo religioso. Infelizmente, todos estes dados mostram que, em muitos contextos, a liberdade religiosa é considerada mais um ‘privilégio’ ou uma concessão do que um direito humano fundamental”, afirmou o Papa Leão XIV.
Bangladesh, Sahel, Nigéria, Síria, Moçambique…
O Santo Padre citou depois alguns países onde a perseguição religiosa tem provocado numerosas vítimas, com especial destaque para o continente africano e para a situação em Cabo Delgado.
“Neste momento, penso de modo especial nas numerosas vítimas daquela violência também marcada por motivos religiosos no Bangladesh, na região do Sahel e na Nigéria, bem como nas vítimas do grave atentado terrorista ocorrido em junho passado na paróquia de Santo Elias, em Damasco, sem esquecer as vítimas da violência jihadista em Cabo Delgado, Moçambique”, referiu o Santo Padre.
No seu discurso perante os embaixadores acreditados no Vaticano, Leão XIV lembrou ainda a situação dos cristãos na Europa e nas Américas onde, por vezes, são sujeitos a formas subtis de discriminação religiosa. “Não se deve, contudo, esquecer uma forma subtil de discriminação religiosa contra os Cristãos, que se está a difundir também em países em que eles estão em maioria, como na Europa ou nas Américas, onde às vezes, por razões políticas ou ideológicas, se veem limitados na possibilidade de anunciar as verdades evangélicas, especialmente quando defendem a dignidade dos mais frágeis, dos nascituros, dos refugiados e dos migrantes, ou promovem a família”, denunciou o Papa.
No discurso, o Santo Padre apontou para o orgulho como a causa que está na origem da maioria dos conflitos e fez questão de lembrar a guerra na Ucrânia, o conflito na Faixa de Gaza, assim como a “dramática situação no Haiti”. O Papa lembrou ainda os acontecimentos recentes na Venezuela, a crise, de décadas, que afecta a região dos Grandes Lagos, em África, “assolada por violências que ceifaram inúmeras vidas”, assim como no Sudão, “transformado um vasto campo de batalha”, e falou ainda na instabilidade política “que persiste no Sudão do Sul, o país mais jovem da família das nações, surgido após o referendo de há 15 anos”.
Além destes países, o Papa lembrou ainda “os sinais de tensão no Leste Asiático”, em especial em Mianmar, pedindo para que todos os esforços sejam sempre em favor da paz e nunca da guerra. “Apesar do quadro dramático que temos diante dos nossos olhos, a paz continua a ser um bem árduo, mas possível”, disse ainda o Papa Leão XIV.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







