ORAÇÃO
Quaresma 2026
Um Chamamento à Conversão e à Esperança
Hoje, em muitas partes do mundo, a humanidade em geral e os Cristãos em particular estão a viver uma verdadeira Via Sacra: guerra, terrorismo, perseguição religiosa, pobreza extrema. Com eles está Jesus, condenado à morte, carregando a Cruz, sofrendo e, ao mesmo tempo, consolando os oprimidos.
A nossa ajuda para socorrer estes milhares de Cristãos e a nossa oração continuam a ser fundamentais!
A Quaresma é um tempo de preparação espiritual marcado pelo jejum, oração e esmola. Estes três pilares ajudam-nos a purificar a alma e a fortalecer a nossa relação com Deus e com o próximo.
Jejum: Mais Espaço para Deus
Ao jejuarmos, renunciamos a algo que nos distrai e impede o crescimento espiritual. Pode ser uma refeição, um doce ou mesmo hábitos como o excesso de redes sociais. O essencial é fazer dessa renúncia uma oportunidade para nos aproximarmos de Deus e da solidariedade.
Oração: O Encontro com Deus
A oração coloca-nos diante de Deus e permite-nos escutar a Sua voz. Pequenos momentos de reflexão diária, como a leitura das Escrituras, a oração do terço ou alguns minutos de silêncio podem ser grandes passos para uma vida mais plena de fé.
Esmola: O Amor em Acção
A esmola representa o amor concreto pelos outros. Ao renunciar a algo, podemos transformar essa economia num gesto de caridade, ajudando quem mais necessita. A partilha é uma expressão viva da nossa fé.
Meditações de Quaresma
Iniciamos a nossa caminhada de Quaresma, em que durante 40 dias queremos acompanhar Jesus em cada passo da Sua Via Sacra. E para o ajudar a viver este tempo de forma mais profunda, preparámos uma série de meditações a partir de excertos das visões da Beata Ana Catarina Emmerich sobre a Paixão de Jesus Cristo – que inspiraram o filme de Mel Gibson, ‘A Paixão de Cristo’!
Diariamente, vamos partilhar no nosso canal de WhatsaApp uma meditação comovente que detalha os últimos momentos de Jesus, desde a Última Ceia até à Sua morte na Cruz, com todos os penosos sofrimentos e humilhações que padeceu por amor à humanidade, até à última gota de sangue.
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Nesta Quaresma, a Fundação AIS convida a rezar a Via Sacra pelos Cristãos perseguidos, pedindo a Paz e o fim da perseguição religiosa no mundo.
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Mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma 2026
Queridos irmãos e irmãs!
A Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude maternal, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano.
Todo o caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito. Existe, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza. Por isso, o itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe a Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição.
Escutar
Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.
O próprio Deus, revelando-se a Moisés na sarça ardente, mostra que a escuta é uma característica distintiva do seu ser: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor» (Ex 3, 7). Escutar o clamor dos oprimidos é o início de uma história de libertação, na qual o Senhor envolve também Moisés, enviando-o a abrir um caminho de salvação para os seus filhos reduzidos à escravidão.
É um Deus que nos envolve e, hoje, também vem até nós com os pensamentos que fazem vibrar o seu coração. Por isso, escutar a Palavra na liturgia educa-nos para uma escuta mais verdadeira da realidade: entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta. Entrar nesta disposição interior de recetividade significa deixar-se instruir hoje por Deus para escutar como Ele, até reconhecer que «a condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e económicos e, sobretudo, a Igreja». [1]
Jejuar
Se a Quaresma é um tempo de escuta, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Na verdade, a abstinência de alimentos é um exercício ascético muito antigo e insubstituível no caminho da conversão. Precisamente porque implica o corpo, torna mais evidente aquilo de que temos “fome” e o que consideramos essencial para o nosso sustento. Portanto, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.
Com grande sensibilidade espiritual, Santo Agostinho deixa transparecer a tensão entre o tempo presente e a realização futura que atravessa esta salvaguarda do coração, quando observa que: «Ao longo da vida terrena, cabe aos homens ter fome e sede de justiça, mas ser saciados pertence à outra vida. Os anjos saciam-se deste pão, deste alimento. Os homens, pelo contrário, sentem fome dele, estão inclinados ao seu desejo. Esta inclinação ao desejo dilata a alma, aumentando a sua capacidade». [2] Compreendido neste sentido, o jejum permite-nos não só disciplinar o desejo, purificá-lo e torná-lo mais livre, mas também ampliá-lo, de tal modo que se volte para Deus e se oriente para agir no bem.
No entanto, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade. Ele exige um permanente enraizar-se na comunhão com o Senhor, porque «não jejua verdadeiramente quem não sabe alimentar-se da Palavra de Deus». [3] Como sinal visível do nosso compromisso interior de, com o apoio da graça, nos afastarmos do pecado e do mal, o jejum deve incluir também outras formas de privação destinadas a fazer-nos assumir um estilo de vida mais sóbrio, pois «só a austeridade torna forte e autêntica a vida cristã». [4]
Por isso, gostaria de vos convidar a uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.
Juntos
Por fim, a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum. A Escritura sublinha também este aspeto de várias maneiras. Por exemplo, ao narrar no livro de Neemias que o povo se reuniu para escutar a leitura pública do livro da Lei e, praticando o jejum, se dispôs à confissão de fé e à adoração, a fim de renovar a aliança com Deus (cf. Ne 9, 1-3).
Do mesmo modo, as nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento. Neste contexto, a conversão diz respeito não só à consciência do indivíduo, mas também ao estilo das relações, à qualidade do diálogo, à capacidade de se deixar interpelar pela realidade e de reconhecer o que realmente orienta o desejo, tanto nas nossas comunidades eclesiais como na humanidade sedenta de justiça e reconciliação.
Caríssimos, peçamos a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos. Peçamos a força dum jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor.
De coração, abençoo todos vós e o vosso caminho quaresmal.
Vaticano, na Memória de Santa Ágata, virgem e mártir, 5 de Fevereiro de 2026.
PAPA LEÃO XIV
Acenda uma vela
A CAPELA VIRTUAL da Fundação AIS, dedicada a Nossa Senhora de Fátima, é um lugar de oração.
Um lugar para apresentar as suas intenções a Deus através de Nossa Senhora, nossa Mãe.
Convidamos todos a rezar e a acender uma vela pelos Cristãos perseguidos, ou por uma intenção pessoal.
