Depois da retirada das forças curdas dos dois bairros que controlavam em Alepo, a calma parece ter regressado à cidade. O Padre Hugo Alaniz, que em Novembro esteve em Portugal a convite da Fundação AIS, e a Irmã Myri, a única religiosa portuguesa a viver na Síria, enviaram mensagens para Lisboa a pedir as orações de todos para que a paz prevaleça não só em Alepo mas em todo o país…
“Bom dia, espero que estejam bem. Domingo, foi o primeiro dia tranquilo após longos dias de intensos confrontos”, escreve o Padre Hugo Alaniz na mensagem enviada ontem para a Fundação AIS em Lisboa. “Foram dias cheios de medo, ansiedade e ‘stress’ para todos os cidadãos de Alepo e as nossas famílias. As forças curdas já se retiraram dos dois bairros que controlavam, tendo sido transferidas para outros locais. Graças a Deus, as nossas famílias estão bem e em segurança, e aos poucos estamos a voltar à vida normal e às actividades do Centro e da Igreja”, acrescenta o missionário argentino.
Esta mensagem contrasta bem com a anterior, enviada a meio da semana passada, em que descrevia os combates que estavam a ocorrer na cidade e em que se escutavam em fundo, e de forma perfeitamente clara, os ruídos de explosões de artilharia e os disparos de metralhadoras.
Como a Fundação AIS noticiou na ocasião, os combates entre as forças governamentais e membros das Forças Democráticas Sírias (SDF), uma coligação liderada pelos curdos com base no nordeste da Síria, eclodiram na terça-feira, dia 6, e lançaram o pânico na cidade, causando vários mortos e feridos, incluindo cristãos, e provocando o cancelamento das celebrações de Natal que estavam previstas pelos fiéis ortodoxos arménios, assim como as celebrações da Epifania. A Igreja local abriu mesmo muitos dos seus edifícios para acolher as famílias que tiveram de fugir das suas casas.
Mas a retirada, este domingo, dia 11, das forças curdas – após mediação dos Estados Unidos e da União Europeia – em direcção ao nordeste da Síria, trouxe um profundo sentimento de alívio para a população local. Isso mesmo está bem patente na mensagem enviada à AIS pelo Padre Hugo em nome de todos os sacerdotes e irmãs do Instituto do Verbo Encarnado presentes em Alepo.
Obrigado por se preocuparem connosco nestes últimos dias. Pedimos que rezem por nós para que a paz prevaleça em Alepo e para que não haja retaliações no futuro.”
Padre Hugo Alaniz
“Rezem para que este conflito acalme…”
Também a Irmã Maria Lúcia Ferreira, a única religiosa portuguesa presente na Síria, enviou uma mensagem para a Fundação AIS em Lisboa a pedir as orações de todos pela paz e para que a guerra não regresse a este país do Médio Oriente. “Mais uma vez se ouve dizer que há conflitos armados na Síria, e é bem verdade. Desta vez, foi em Alepo, cidade que tanto sofreu com a guerra e com o tremor de terra, e mais uma vez há refugiados, há gente a sair das suas casas no meio do Inverno e da crise económica”, descreve a religiosa que é mais conhecida simplesmente por Irmã Myri.
A situação de crise económica na Síria foi sublinhada pela irmã, pois está a levar muitas famílias cristãs a quererem emigrar. “Cada vez tudo é mais caro, muitas vezes [as famílias] já não têm dinheiro para comprar medicamentos, e toda esta violência é mais um incentivo para o êxodo dos cristãos”, diz a religiosa.
A Irmã Myri, da Congregação das Monjas de Unidade de Antioquia, pede as orações de todos pela paz, lembrando que foi na Síria que “nasceram as primeiras comunidades cristãs”. Foi da Síria “que começou a irradiar a fé para o mundo inteiro e seria uma perda muito grande que deixasse de haver cristãos nesta terra”, diz a religiosa. “Rezem pela paz, para que este conflito acalme no respeito às diferentes etnias”, acrescenta a irmã portuguesa na mensagem enviada para Lisboa.
A situação na Síria é acompanhada com atenção pela Fundação AIS. Na semana passada, no auge do conflito, Regina Lynch, presidente executiva da Ajuda à Igreja que Sofre, mostrou-se preocupada com o evoluir da crise e apelou também às orações de todos. “Mais uma vez, chegam-nos notícias alarmantes de Alepo. Os nossos irmãos e irmãs que lá se encontram pedem orações, e nós, na AIS, juntamo-nos a este apelo com profunda preocupação e esperança. Em momentos como este, quando o medo e a incerteza voltam à vida quotidiana de tantas famílias, a oração torna-se um poderoso acto de solidariedade. Peço aos nossos benfeitores e a todas as pessoas de boa vontade que rezem pelo povo de Alepo, especialmente pelas comunidades cristãs que mais uma vez sofrem as consequências da violência. Que Deus toque os corações dos responsáveis, para que prevaleçam o diálogo e a paz”, afirmou a responsável da fundação pontifícia.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







