MONGÓLIA: Defesa da paz e do diálogo inter-religioso marcam visita do Papa às terras de Gengis Khan

A viagem de quatro dias do Santo Padre à Mongólia, que termina hoje, fica marcada pelos apelos à construção da paz com o Papa a destacar o exemplo desta nação asiática onde existe uma das mais pequenas comunidades católicas em todo o mundo. Responsável de projectos da Fundação AIS para a Ásia e a directora do gabinete de Imprensa da AIS Internacional acompanharam Francisco.

A 43ª viagem do Papa Francisco, marcada pelo lema ‘Esperar juntos’, fez história. Nunca um Papa tinha estado em terras de Gengis Khan onde a comunidade católica é extraordinariamente pequena. Não chega a atingir os 1500 fiéis. No entanto, com a sua presença, o Santo Padre fez questão de lhes dizer que não estão sós, que não são esquecidos. Foi uma viagem do Papa das periferias a um país que se destaca nesta região do globo pela defesa da paz e pelo respeito ao diálogo inter-religioso.

A comunidade católica representa apenas 0,04% da população, ou seja, apenas cerca de 1.500 baptizados que pertencem a uma Igreja que só ressurgiu neste país em 1992, após o colapso do regime soviético. São poucos, mas, como o Papa fez questão de dizer, importantes. O carinho com que o Santo Padre olha para a comunidade católica da Mongólia ficou bem patente no sábado, no encontro na Catedral de Ulaanbaatar, construída a lembrar as tendas nómadas desta região do globo.

Respeitar e amar a cultura

A liberdade religiosa que existe hoje na Mongólia ganha importância acrescida quando se olha para a história recente deste país. A data de 1992 com a queda do regime soviético é uma marca incontornável na vida da Igreja e o Papa sublinhou-o no sábado, nessa Catedral dedicada a São Pedro e São Paulo, no encontro que  juntou bispos, sacerdotes, missionários, consagrados e leigos.

“Nestes trinta e um anos de presença na Mongólia, vós, queridos sacerdotes, consagrados, consagradas e agentes pastorais, destes vida a uma multiforme variedade de iniciativas socio caritativas, que absorvem a maior parte das vossas energias e refletem o rosto misericordioso de Cristo bom samaritano”, disse o Papa, acrescentando: “É como o vosso cartão de visita, que vos tornou respeitados e estimados pelos muitos benefícios prestados a tantas pessoas nos mais variados campos: desde a assistência até à educação, passando pela saúde e a promoção cultural. Encorajo-vos a continuar por este caminho fecundo e vantajoso para o amado povo mongol. Gestos de amor e gestos de caridade”.

Encontro ecuménico

Particularmente significativo foi também o encontro ecuménico e inter-religioso que se realizou na manhã de ontem, domingo, num teatro de Ulaanbaatar. Juntamente com o Papa Francisco estiveram presentes dez líderes de diferentes confissões religiosas, desde monges budistas, xamãs mongóis, islâmicos, judeus e um padre ortodoxo russo. A própria realização do encontro foi por si um sinal para o mundo, referiu o Papa.

“O próprio facto de estarmos juntos no mesmo lugar já é uma mensagem: as tradições religiosas, na sua originalidade e diversidade, constituem um formidável potencial de bem ao serviço da sociedade”, disse Francisco. “Se quem possui a responsabilidade das nações escolhesse o caminho do encontro e do diálogo com os outros, contribuiria de forma decisiva para acabar com os conflitos que continuam a causar sofrimento a tantos povos”, disse ainda, acrescentando que “o fechamento, a imposição unilateral, o fundamentalismo e o forçamento ideológico que arruinam a fraternidade, alimentam tensões e põem em risco a paz”.

Neste encontro, o Santo Padre reafirmou que não pode haver qualquer “confusão entre credo e violência, entre sacralidade e imposição, entre percurso religioso e sectarismo”, e disse esperar que a memória dos sofrimentos vividos no passado “dê a força de transformar as negras feridas em fontes de luz, a insensatez da violência em sabedoria de vida, o mal que arruína em bem que constrói”. É que “o diálogo não se contrapõe ao anúncio: não nivela as diferenças, mas ajuda a compreendê-las, preserva-as na sua originalidade e permite-lhes confrontar-se para um franco e mútuo enriquecimento”, acrescentou.

Igreja jovem e pobre

A visita do Papa Francisco deu um destaque mundial a uma Igreja pequena num país em que mais de metade da população é budista e em que uma percentagem grande da população pratica tradições xamânicas ou pertence à religião muçulmana. De facto, no total, a Mongólica terá apenas cerca de 60 mil cristãos de várias denominações e apenas cerca de 1500 são baptizados na Igreja Católica. Um número que, no entanto, tem vindo a crescer de forma formidável.

Em 1995, lembra o Vatican News, eram apenas 14… Trata-se de uma igreja pequena com um bispo [o cardeal Giorgio Marengo, um jovem missionário da Consolata, com apenas 49 anos de idade], 25 sacerdotes, 6 seminaristas, 30 religiosas, cinco religiosos não sacerdotes e 35 catequistas oriundos de cerca de três dezenas de nacionalidades. Uma delas é a espanhola.

O padre Francisco Javier Olivera, sacerdote do Caminho Neocatecumenal, está na Mongólia há nove anos e explicou ao programa “Perseguidos, mas não esquecidos”, da Fundação AIS na Rádio Maria de Espanha, que esta é uma igreja “muito jovem”, mas também “alegre e pobre”. “Há muita acção social porque há muita pobreza e abandono. Temos lares para os idosos pobres, crianças abandonadas, escolas para os pobres… Mas tentamos sempre dar não só pão, mas também palavras de encorajamento. Há restrições e a catequese não pode ser feita noutro lugar que não seja a paróquia. Aqueles que pouco a pouco se interessam em conhecer a fé, vendo o amor com que são tratados pelos missionários ou por outros católicos, dirigem-se às paróquias”, explica o sacerdote.

Visita do Papa à catedral de São Paulo e São Pedro - Encontro com bispos, sacerdotes, missionários, consagrados e agentes pastorais na catedral. Outros fiéis recebem-no no exterior.

Proximidade da Fundação AIS

A viagem do Papa à Mongólia foi acompanhada pelo responsável de projectos da Fundação AIS para a Ásia Central, Peter Humeniuk, e também pela diretora do gabinete de imprensa da AIS Internacional, María Lozano.

A Fundação AIS já apoiou alguns projectos da Igreja neste país. Desde a atribuição de estipêndios de missa aos sacerdotes deste país ao financiamento de obras de renovação na Catedral de São Pedro e São Paulo, na capital, são exemplo da solidariedade dos benfeitores da instituição, tal como a entrega, em 2020, de um veículo para uma das congregações presentes no país. Além disso, a fundação pontifícia apoiou a Igreja local com alguns projectos que ajudaram a tornar possível a visita histórica do Papa Francisco a este país do Leste Asiático.

Depois de ter estado em Portugal na primeira semana de Agosto para a JMJ, onde se encontrou com um milhão e meio de jovens oriundos de todo o mundo, o Papa Francisco, com esta viagem histórica à Mongólia, fez questão de mostrar a sua proximidade aos que vivem nesta periferia do mundo, terras de Gengis Khan. “Deus ama a pequenez e gosta de realizar grandes coisas mediante a pequenez, como testemunha Maria”, afirmou Francisco no encontro que manteve com responsáveis da Igreja. “Irmãos, irmãs, não tenhais medo dos números exíguos, dos sucessos que tardam, da relevância que não se avista”. E disse ainda: “Estou convosco. Avante! Deus ama-vos”.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Relatório da Liberdade Religiosa

Certos aspectos da liberdade religiosa parecem estar razoavelmente bem estabelecidos na Mongólia e, a este respeito, a liberdade religiosa é muito mais respeitada na Mongólia do que na vizinha China. Contudo, dificuldades económicas e rápidas mudanças sociais levaram as autoridades locais a desconfiar de religiões consideradas “estrangeiras” ou “novas” para o país, tais como o Cristianismo, quer católico, ortodoxo ou protestante.

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