Desde os primórdios da Igreja, os missionários têm sido o coração pulsante de uma fé viva, junto dos mais pobres e esquecidos. Como nos recorda São Lucas, Jesus enviou 72 discípulos a anunciar o Evangelho a todas as cidades e lugares que Ele próprio havia de visitar. Desde então, homens e mulheres têm respondido ao mesmo chamamento, confiando plenamente em Deus, mesmo nas circunstâncias mais adversas.

Os missionários de ontem e de hoje são a expressão viva do amor da Igreja, que não se fecha nas suas igrejas ou conventos, mas sai ao encontro de quem mais precisa. São homens e mulheres que, por vocação, atravessam fronteiras geográficas, culturais e sociais, dedicando a sua vida ao serviço dos pobres, dos marginalizados e das comunidades mais vulneráveis. Muitos pagaram o preço mais alto para levar o amor de Deus a cada pessoa. Outros, embora não tenham sido mártires, confiaram inteiramente na Providência divina e responderam ao apelo “Duc in altum” — faz-te ao largo (Lc 5,4), avançando para territórios desconhecidos, sem saber o que os esperava, mas certos de que Deus estava com eles.

Cada sorriso de uma criança, cada comunidade que recupera a sua dignidade, cada vida que reencontra a fé, é fruto da sua entrega total.

Mas a missão não acontece sozinha. Depende da generosidade de quem acredita, mesmo à distância, que o mundo pode ser melhor. É graças aos benfeitores da Fundação AIS, é graças também a si, que escolas, clínicas, construção de igrejas e inúmeros projectos pastorais chegam aos lugares mais pobres e vulneráveis do mundo. Cada donativo, cada oração, cada gesto de solidariedade, permite que os missionários continuem a levar educação, saúde, catequese e a reconstruir comunidades.

Que estas histórias e estes missionários nos inspirem também a nós a responder ao chamamento de Jesus “Duc in altum”: avançar, confiar, servir. Porque a força da missão nasce da união entre missionários e benfeitores, juntos ao serviço dos mais necessitados.

Descubra as histórias destes missionários

Frei Paolo Braghini

BRASIL: No meio da selva da Amazónia a Igreja faz-se presente

Padre Thomas King

PAQUISTÃO: Um padre entre os trabalhadores semi-escravos

Irmã Orla Treacy

SUDÃO DO SUL: Religiosa irlandesa vive entre o povo Dinka

Padre Subash

GANA: A missão do Padre Subash é salvar vidas numa favela

Consigo, mantemos a missão viva. Obrigado!

BRASIL

No meio da selva da Amazónia a Igreja faz-se presente

O Louco de Deus

Quando foi enviado para a Amazónia, no Brasil, Paolo Maria Braghini chegou a temer pela sua vida. Ninguém o ameaçou, nem se envolveu em tumultos, nada disso, só que depressa o frade italiano compreendeu que a natureza ali era excessiva em tudo. Bela demais, sufocante demais, doentia. E Braghini chegou a estar mesmo muito doente. Mas a doença maior foi sempre a do amor aos que vivem naquela região, especialmente os muito pobres, os quase esquecidos da sociedade. Um amor doentio que só se compreende para quem vive profundamente enamorado por Deus…

“Ninguém nos visita aqui, só os frades.” A mulher, de corpo débil e rosto já enrugado, fala em ticuna, a língua nativa local. O que acaba de dizer a uma equipa da Fundação AIS é talvez o maior elogio que o Frade franciscano Paolo Braghini alguma vez poderia escutar. Nascido em Itália, cedo se deixou enamorar por Deus e pelo sonho de ser missionário. Quando foi enviado para a Amazónia brasileira, Braghini viu esse desejo tornar-se realidade, precisamente numa das regiões do planeta onde ainda vivem numerosas populações nativas. Ser missionário na Amazónia significa deixar para trás preconceitos e certezas, tudo o que se pensa saber sobre as pessoas, a vida e o mundo.

A própria Amazónia é um lugar à parte. A floresta é por vezes tão densa e sufocante que parece engolir tudo e todos. É nas margens desse verde intenso, que serpenteia o grande rio, que vivem as pessoas a quem Paolo foi enviado. Pouco tempo depois de chegar, o frade chegou a pensar que ia morrer: adoeceu gravemente, esteve muito mal, mas sobreviveu.

“Quem quiser seguir-Me, tome a sua cruz e siga-Me”, repetia para si vezes sem fim, recordando as palavras do Mestre. Na Amazónia é quase sempre assim, como se a própria natureza colocasse à prova aqueles que ousam viver ali. Paolo Braghini superou essa prova e hoje confessa, à equipa da Fundação AIS que acompanhou o trabalho da Igreja no Brasil profundo: “Estou tranquilo, sereno, consciente e muito feliz.”

Padre, amigo, carpinteiro, médico…

Ser missionário na Amazónia significa adoptar todos os que vivem por ali, em casas de madeira muito humildes, quase cabanas, equilibradas sobre estacas nas margens do rio. Adoptar todos significa alargar quase até ao infinito o sentido de família. Todos os habitantes da região passaram, de alguma forma, a ser filhos de Paolo, e ele sentiu a necessidade de cuidar de todos por igual. Para chegar àquelas micro aldeias, muitas vezes pouco mais do que duas ou três cabanas, o único meio de transporte possível é a jangada ou, com sorte, algum barco a motor. O rio é a grande estrada, o único caminho, e é por isso que as pessoas vivem nas suas margens. O interior da floresta é quase inacessível.

Frei Paolo é padre, amigo, médico, carpinteiro, professor e confidente de todos os que vivem por ali, na Amazónia. É tudo para todos e vive profundamente apaixonado pela sua missão. Por isso, as palavras desta mulher idosa são tão significativas: “Ninguém nos visita aqui, apenas os frades”, diz ela em ticuna, o dialecto local. “Os frades deram-nos educação, conhecimento e sabedoria”, acrescenta, explicando que todos querem crescer na fé, “porque quando esta vida passar, os nossos nomes serão inscritos no Céu”. Um testemunho eloquente da preciosa presença da Igreja na Amazónia brasileira. O amor é assim.

Um amor que também se manifesta através da generosidade dos benfeitores da Fundação AIS. São inúmeros pequenos sinais que o comprovam. As canoas ou os barcos a motor são apenas um exemplo, mas há todo um mundo construído por pequenos gestos que, ali no meio do verde denso da floresta, fazem toda a diferença. E Paolo Braghini não se esquece de o dizer pessoalmente e de o recordar a todos os que visita, nem que seja apenas para ajudar, martelo em punho, a reparar as cabanas onde vivem, ou simplesmente para escutar os desabafos de uma vida.

Em todos os momentos, em todos os encontros, Frei Paolo gosta de afirmar que é, ali, apenas o rosto de um mundo de solidariedade que se espalha pelos quatro cantos do mundo.

Rezamos para agradecer a cada benfeitor da Fundação AIS. Não importa se a ajuda é pequena ou grande. É uma ajuda que serve para construir uma capela, para se construir uma canoa, para comprar um computador, um violão… É ajuda para manter um jovem daqui, do povo Ticuna, no seminário.”

Os gestos deste frade italiano, enamorado por Deus, fazem já parte da história do povo da Amazónia brasileira. São gestos de amor de quem faz da sua vida uma entrega total aos outros…

Rios que levam a palavra de Deus na Amazónia

Os Frades Capuchinhos responderam ao apelo de levar esperança e presença missionária à Amazónia. Este projecto nasceu do sonho de criar uma escola de missão, oferecendo formação aos noviços de toda a América Latina e despertando neles o desejo de consagrar a vida à missão, especialmente nas regiões mais necessitadas, como a própria Amazónia, fortalecendo a presença da Igreja em comunidades antes isoladas. No final do curso, os frades aprofundam o contacto com a realidade local, permanecendo em pequenos grupos numa comunidade indígena, completando a sua formação através de uma experiência concreta de vida e missão.

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Ajuda para os frades em missão junto das comunidades indígenas da Amazónia

Com 75€ é possivel garantir formação, subsistência e viagens dos missionários pelos rios, permitindo que estejam sempre presentes junto das comunidades ribeirinhas e indígenas que mais precisam.

PAQUISTÃO

A presença de um padre entre os trabalhadores semi-escravos

“Isto parte-me o coração”

Trabalham horas sem fim para fazerem 1.200 tijolos de argila por dia e só ganham 4 euros por isso. Por mais que trabalhem nunca vão conseguir sair da miséria absoluta. São semi-escravos. O Padre Thomas conhece-os. São os seus paroquianos, tal como as mulheres e as crianças que revolvem as imensas lixeiras a céu aberto à procura de qualquer coisa que possa render umas moedas para poderem comprar pão…

É fácil para o Padre Thomas descobrir onde estão os seus paroquianos. Basta ir à lixeira a céu aberto, onde crianças e mulheres esgaravatam o chão à procura de restos de alguma coisa que possa valer algum dinheiro para poderem comprar pão. Ou então, na fábrica de tijolos, que na verdade não é bem uma fábrica, mas sim um local onde a terra, a argila, é colocada em moldes, amassada, e deixada a cozer ao sol. São tijolos artesanais, que têm de ser produzidos um a um. Cada trabalhador precisa de fazer 1.200 por dia para ganhar 4€. Têm de o fazer também para pagarem a dívida que contraíram com o proprietário da fábrica.

Na verdade, não são trabalhadores, mas sim praticamente escravos. Os trabalhadores têm direitos. Ali, os homens que de cócoras vão amassando a terra com as mãos têm apenas deveres. E muitos pensam que têm sorte por poderem trabalhar. “Isto parte-me o coração”, diz o Padre Thomas King. Por mais anos que passem, nunca se habituou a ver tanto sofrimento. “Em todos os meus anos aqui, o ambiente tornou-se cada vez mais difícil”, diz.

Sobreviver com o lixo do mundo

Os trabalhadores de tijolos são uma metáfora perfeita do que significa ser cristão hoje em dia no Paquistão. Formalmente, são cidadãos plenos, homens livres. Na verdade, não passam de seres miseráveis que tiveram de se endividar para lá do que alguma vez imaginariam possível para conseguirem um lugar na fábrica.

“É o que chamamos de trabalho forçado, uma forma de semiescravatura”, acrescenta o sacerdote. A situação é terrível. Os que estão ali, nas fábricas de tijolos ou os que andam nas lixeiras a céu aberto, são dos últimos da sociedade. Pertencem normalmente aos povos tribais, são olhados com desdém pela sociedade, são vistos às vezes mesmo com repugnância. Mas, para o Padre Thomas, são os seus paroquianos, são o seu povo, a sua gente.

A libertação pela descoberta de Cristo

No Paquistão tem vindo a acontecer uma verdadeira revolução. Os povos tribais, os excluídos da sociedade, normalmente são hindus. No entanto, ao longo dos últimos anos têm vindo a descobrir no Cristianismo uma religião que os olha como iguais, uma religião que lhes dá a dignidade que nunca tiveram. E isso basta para se converterem.

Na verdade, é mais do que uma conversão, é a descoberta de que podem ser amados exactamente como são, com os defeitos que têm, a pobreza que arrastam de geração em geração, a miséria das suas vidas. É a descoberta de que podem ser abraçados sem escândalo, sem medo, sem vergonha.

Alguns tornaram-se cristãos por causa do ensinamento de Jesus de que todos são iguais, que o seu foco está nos pobres, naqueles que são considerados como inferiores pela sociedade.”

Descobrem isso na mensagem de Jesus e confirmam isso na atenção de pessoas como o Padre Thomas, que está ali por eles, que se dedica a eles todos os dias do ano. Um padre que tenta promovê-los socialmente, também defendendo os seus direitos.

“Procuramos responder às necessidades de saúde e educação e, depois, aos que se tornam cristãos, procuramos catequizar e evangelizar, para aprofundar a sua fé. Sem dúvida, há discriminação das minorias, seja nos livros escolares, nos casamentos forçados ou nos casos de blasfémia contra cristãos específicos”, reconhece.

A situação não é fácil no Paquistão. É raro o dia em que não há notícias de raptos, de violência, de ataques aos bairros cristãos. Mas o Padre Thomas não desiste. “Acho que ajuda ser louco para estar aqui. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas abraçar a dor e o sofrimento do mundo e tentar abraçar a esperança e a alegria é ser seduzido por Deus”, conclui o Padre Thomas.

Com Jesus, por uma vida mais feliz, no Paquistão

No Evangelho, são as mulheres que se aproximam de Jesus com fé ousada, confiantes no Seu poder de transformação. A mulher do fluxo de sangue acreditou que bastava tocar na Sua túnica, e foi curada. Hoje, muitas mulheres continuam a procurar protecção em Jesus, enfrentando grandes desafios. No Paquistão, as cristãs sofrem dupla discriminação: por serem mulheres e por causa da fé. São vulneráveis a raptos, agressões e casamentos forçados, e ameaçadas com acusações de blasfémia, que podem levar à prisão ou à pena de morte.

O Padre Bernard Emmanuel, da Comissão Justiça e Paz da Conferência Episcopal do Paquistão, alerta: “As cicatrizes profundas que isto deixa nas almas perduram por gerações.” Para proteger as mais jovens, mulheres cristãs promovem sensibilização, formação e apoio espiritual.

É neste contexto de dor que apoiamos a Igreja no Paquistão na luta contra o casamento e a conversão forçados de meninas, muitas com apenas 12 anos, oferecendo protecção e acompanhamento. Em Lahore, os Capuchinhos vão lançar um programa para 120 jovens cristãs, fortalecendo a sua fé e o conhecimento dos seus direitos, além de oferecer formação profissional e apoio psicológico.

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Ajude a construir um futuro seguro e digno para as jovens, no Paquistão

Com 115€ pode transformar o futuro de uma jovem, garantindo-lhe acesso a este programa, fortalecendo a sua autoconfiança e abrindo caminho, com Jesus, para uma vida mais digna e feliz.

SUDÃO DO SUL

Religiosa irlandesa vive entre o povo Dinka

Uma bela história de amor

Orla Treacy tinha um sonho. Queria ter uma família grande. Mas Deus andava desde há muito a desassossegar a sua consciência. Até que tomou uma decisão radical. Vendeu o carro, comprou um bilhete de avião, foi para a Austrália, gastou todo o dinheiro que tinha e divertiu-se à séria. Uma semana depois, bateu à porta das Irmãs do Loreto. E a sua vida mudou para sempre. Agora está no Sudão do Sul e é feliz.

Nasceu na Irlanda e sonhava casar e ter muitos filhos. Mas Deus tinha outros planos para Orla Treacy. Tudo começou quando decidiu vender o carro e comprar um bilhete para a Austrália, apenas para umas férias e para se divertir. “E diverti-me imenso”, explica à Fundação AIS. No entanto, apenas uma semana depois, estava a bater à porta do Instituto da Bem-Aventurada Virgem Maria, conhecidas como Irmãs do Loreto. E tudo mudou na sua vida.

Não casou, é verdade, mas a sua família tornou-se enorme, muito maior do que poderia alguma vez imaginar. Hoje, Treacy vive no Sudão do Sul, onde a vida é extremamente difícil num país marcado por décadas de guerra e sofrimento. Após a independência, proclamada a 9 de Julho de 2011, uma desavença política entre o presidente Salva Kiir (Dinka) e o vice-presidente Riek Machar (Nuer) transformou-se, em 2013, num conflito aberto que rapidamente se tornou guerra.

‘Mulheres de Coragem’

“Para mim, tem sido uma bela história de amor estar aqui. Estamos no contexto da tribo Dinka, um povo que ama o gado e onde, em algumas comunidades, as vacas são mais preciosas do que as nossas meninas. A nossa congregação tem um carisma particular na educação e no ministério com jovens mulheres. Por isso, fomos convidadas a construir um internato secundário para meninas”, explica a religiosa.

Quando as Irmãs do Loreto chegaram a Rumbek, no Sudão do Sul, o país tinha acabado de sair da guerra civil. “A educação era uma grande prioridade, para elevar a dignidade das pessoas, mas também para promover o desenvolvimento espiritual e moral do indivíduo e reforçar o sentido de pertença a uma Igreja mais ampla”, conta à Fundação AIS.

Hoje, a Irmã Treacy é directora da escola primária e secundária Loreto Rumbek, que acolhe meninas vulneráveis. Em 2019, foi distinguida com o prémio “Mulheres de Coragem”, atribuído pelo Departamento de Estado dos EUA, que reconhece mulheres pela sua coragem e liderança na promoção da paz, justiça, dos direitos humanos e da promoção da mulher.

É impressionante perceber que Orla Treacy nunca desejou ser missionária. Ela própria o confessa: “Nunca quis ser missionária… Realmente, queria ter uma família também. Mas o desejo por Deus e pela vida religiosa era maior.” Foi então que tomou a decisão radical que mudaria tudo e a levou a entrar para as Irmãs do Loreto. Hoje, quando olha para trás, não sente qualquer arrependimento. “Fico feliz em dizer que essa paixão e desejo por Deus e por Jesus continuam tão fortes hoje como sempre. Em parte, isso deve-se à realidade do lugar onde vivemos”, explica.

“Nós ficamos com as pessoas…”

Falar com a Irmã Treacy é inspirador. Ela explica, com uma simplicidade desarmante, o papel único que os consagrados desempenham nos quatro cantos do mundo. Não é um trabalho de ocasião, nem algo feito à procura do elogio do mundo ou do sucesso.

Essa verdade faz toda a diferença e tem sido essencial também para a afirmação do papel da Igreja no Sudão do Sul, especialmente ali, em Rumbek.

Tem sido muito importante que as pessoas nos vejam como religiosas que vieram evangelizar, e não como uma ONG. Sempre que há guerra, as ONG vão-se embora; nós ficamos com as pessoas. Se se mudam para o mato por causa da insegurança, nós vamos com elas. Nenhuma de nós teria sobrevivido a tantos anos de dificuldades se não amássemos verdadeiramente a missão e as pessoas com quem estamos.”

Estas palavras são um poderoso testemunho do que significa ser missionário. A Irmã Treacy, tem transformado a vida de centenas de meninas e jovens no Sudão do Sul. O seu trabalho, apoiado pela Fundação AIS, é exemplo de uma entrega amorosa aos mais necessitados. Hoje, Rumbek é a sua casa, onde encontra a família que abraçou, os seus filhos e filhas, irmãos na fé e amigos, e onde tem descoberto o que é a verdadeira felicidade. Ainda bem que Deus a desassossegou…

Ninguém caminha sozinho, no Sudão do Sul

No mais jovem e um dos países mais pobres do mundo, o Sudão do Sul, a fé resiste no meio da guerra, da fome e do deslocamento constante de populações. Na Diocese de Malakal, junto à fronteira com o Sudão, onde o conflito devastou comunidades inteiras, os sacerdotes permanecem ao lado de quem perdeu quase tudo. “O missionário é como uma árvore: sem água acaba por secar. Também a missão, sem apoio, desaparece”, diz o Padre Michael. Entre o calor intenso, a pobreza extrema e a chegada diária de milhares de refugiados pelo Nilo Branco, ele e os seus irmãos continuam a levar apoio e consolo onde quase ninguém chega.

As cidades e aldeias começam a encher-se novamente, mas os que chegam trazem fome, trauma e feridas da guerra. Muitas vezes, a Igreja é o único lugar de escuta, consolo e esperança, pois o apoio de muitas ONG diminuiu. Cada vez mais pessoas recorrem aos sacerdotes também para ajuda básica, como medicamentos, alimentação ou apoio escolar.

“Orações e apoio material são pilares fortes nesta fase das nossas vidas. Muitos cristãos vulneráveis vêem nos sacerdotes a sua última esperança”, explica o Padre Michael. Os estipêndios de Missa são essenciais para a sobrevivência destes 28 sacerdotes missionários, permitindo-lhes celebrar a Eucaristia pelas intenções dos benfeitores e apoiar as comunidades confiadas.

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Ajude os sacerdotes da Diocese de Malakal a continuar a sua missão junto dos refugiados

Com 300€ é possível apoiar um sacerdote durante 4 meses, permitindo-lhe celebrar Missas pelas intenções dos benfeitores e assistir os mais necessitados.

GANA

A missão do Padre Subash é salvar vidas numa favela

“Somos todos filhos de Deus”

É uma mancha escura e fumegante onde vivem mais de 130 mil pessoas. Agbogbloshie, nos subúrbios da capital do Gana, é um labirinto de pobreza, um depósito gigante de lixo electrónico proveniente da Europa e dos Estados Unidos que ali é queimado a céu aberto, na esperança de se aproveitar qualquer coisa que possa valer ainda algum dinheiro. A miséria é gritante. A favela ganhou fama até de lugar maldito. No entanto, para o Padre Subash, é lugar de missão, e os mais pobres, miseráveis e excluídos que ali vivem são, para ele, verdadeiros filhos de Deus…

Impressiona ver como Agbogbloshie, uma das áreas mais pobres e perigosas de Acra, capital do Gana, cresceu ao longo dos últimos anos. Vista do ar, à distância, parece uma mancha escura e fumegante. De perto percebe-se a dimensão da tragédia. Numa área de quilómetros, onde corre um rio quase moribundo, estende-se uma das maiores favelas do continente africano, onde vivem mais de 130 mil pessoas.

A favela é um gigantesco monte de lixo electrónico queimado para aproveitar metais como cobre e ferro ou, com sorte, minúsculos vestígios de ouro. Mas o que sobressai é a miséria. Sobre o lixo escuro e fumegante vêem-se animais esqueléticos, cabras, ovelhas e vacas, e principalmente pessoas que parecem fantasmas a revolver o chão à procura de fragmentos de metal que possam trocar por algumas moedas.

À volta do enorme monte de lixo nasceu, desordenada, uma cidade de barracas, num labirinto de ruas, ruído e pobreza. É aí, nesse mundo de deserdados, que encontramos o Padre Subash. Veio da Índia, de Calcutá, terra ligada à Santa Madre Teresa, viveu nos Estados Unidos e no México, mas foi para o Gana que a Igreja o enviou.

Dez anos como missionário na favela do lixo

Há praticamente dez anos que a favela de Agbogbloshie passou a ser a sua casa. Sinal da miséria que existe ali, o lugar ganhou um nome infame: Sodoma e Gomorra, como se fosse necessário sublinhar que é uma terra sem salvação, um quisto maligno nos arredores de Acra, capital do Gana. Mas o que parece perdido aos olhos do mundo transforma-se num lugar de missão, numa oportunidade para o Padre Subash. “Trabalho no Gana há quase dez anos”, explica o sacerdote à Fundação AIS. “Este lugar é conhecido por Sodoma e Gomorra, mas nós chamamo-lo Cidade de Deus, porque somos todos filhos de Deus e temos direito a bons nomes.”

Tudo por ali parece perdido. A poluição é imensa. Pessoas curvam-se sobre o lixo electrónico que é queimado, inalando fumos dos plásticos e metais sem protecção. Muitos são crianças ou jovens.

“Aqui, devido à pobreza, as pessoas queimam aparelhos electrónicos vindos principalmente da Europa para ganhar algum dinheiro. O principal problema é o saneamento e os cuidados de saúde, por isso abrimos uma clínica para poderem consultar um médico ou obter medicamentos”, explica o Padre Subash. A clínica aberta pela Igreja numa das muitas casas precárias da favela mostra o compromisso do Padre Subash em retirar aquela população da miséria. A outra aposta é a educação. “Muitos jovens nunca foram à escola e querem aprender inglês. Educamos os jovens ensinando inglês, mas também moralidade”, explica.

Uma igreja que sai ao encontro dos mais pobres

A enorme lixeira a céu aberto onde o lixo electrónico é queimado é também um sinal do desprezo do mundo para com estas populações. Na verdade, os computadores, os smartphones, os tablets, toda a parafernália de produtos que fazem parte do quotidiano de milhões de pessoas, têm um tempo de vida relativamente curto. E é necessário fazer alguma coisa com isso. Uma das formas mais baratas e rápidas de as empresas se descartarem desse lixo electrónico é enviá-lo para lugares como Agbogbloshie, apesar de todas as convenções e códigos de conduta o reprovarem. Foram objectos de luxo, passaram a ser lixo e são um sinal de como o sofrimento de tantos é simplesmente ignorado pelo mundo.

Os que esgaravatam o aterro são os mais pobres dos pobres. Vale-lhes haver pessoas como o Padre Subash, que não só não os ignora como vive com eles, para eles, procurando dar a todos um sentido para a vida. O Padre Subash gosta de recordar o Papa Francisco quando disse que a Igreja não deve esperar que as pessoas venham até ela.

Pelo contrário, devemos sair ao encontro das pessoas, devemos procurá-las. Devemos estar prontos para ajudar e fazer qualquer coisa, a qualquer momento.”

Esta é a missão deste sacerdote indiano que há dez anos procura fazer com que os mais pobres, miseráveis e excluídos que vivem na enorme favela do lixo se sintam verdadeiros filhos de Deus.

Fortalecer os jovens na Fé, no Gana

No Gana, a presença da Ordem dos Frades Menores Conventuais começou em 1977, quando dois frades iniciaram uma missão que hoje conta com cerca de 30 religiosos com votos solenes, na maioria ganeses, além de jovens em formação. Fiéis ao carisma de São Francisco de Assis, servem a Igreja local no trabalho paroquial, na formação, na publicação de materiais, no acompanhamento espiritual e no cuidado dos mais pobres e marginalizados, com especial atenção à evangelização dos jovens.

Também no Gana, as novas gerações enfrentam os desafios de uma sociedade em rápida transformação. Pressões culturais, influências externas e incertezas sociais tornam ainda mais urgente uma formação sólida e acessível na fé cristã.

Para responder a esta necessidade, os frades querem disponibilizar o YOUCAT, um catecismo especialmente pensado para os jovens, que apresenta a fé católica de forma clara, dinâmica e próxima da sua realidade, ajudando-os a descobrir, compreender e viver com confiança os fundamentos do Cristianismo.

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Ajude a formar o futuro da Igreja no Gana

Com 30€ é possível oferecer 6 exemplares do YOUCAT e colocar estes livros nas mãos de centenas de jovens das paróquias confiadas à Ordem dos Frades Menores Conventuais, no Gana.

Consigo, mantemos viva a Missão!

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"Missionários: Até aos confins do mundo"

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