O Santo Padre lembrou ontem, domingo, as vítimas do atentado armado na Igreja de Karak, na Jordânia, ocorrido na sexta-feira, e sublinhou a importância da “convivência pacífica e respeito pelas diferentes religiões”. Entretanto, representantes das comunidades cristãs têm condenado também este ataque que causou pelo menos 9 mortos e cerca de quatro dezenas de feridos.
Asseguro minhas orações por todos aqueles que foram mortos e feridos na última sexta-feira, no ataque terrorista contra os fiéis da Igreja Ortodoxa de São Jorge, em Hmoud, na Jordânia.”
Papa Leão XIV
Foram as palavras do Papa Leão XIV, ontem, domingo, 25 de Outubro, referindo-se ao atentado que causou pelo menos 9 mortos e cerca de quatro dezenas de feridos. “Estou próximo àquela comunidade e a todo o país, que se destaca pela convivência pacífica e pelo respeito entre as diferentes religiões”, disse ainda o Santo Padre.
Além do Papa, diversos outros representantes das comunidades cristãs têm condenando sem reservas o atentado e sublinhando a importância do diálogo inter-religioso. Foi o caso do Patriarca Greco-Ortodoxo de Jerusalém, Teófilo III. Citado pelo portal de notícias do Vaticano, o responsável disse que este atentado não fará mais do que fortalecer o vínculo com a Terra Santa. “Se o objetivo desta acção é expulsar-nos da Terra Santa e obrigar-nos a fugir, o único resultado que vai alcançar será o de fortalecer o nosso vínculo com ela e aprofundar ainda mais as nossas raízes neste lugar. Tal acto atroz e sangrento não irá abalar a nossa unidade nacional, nem a nossa determinação. Pelo contrário, reforça ainda mais os laços entre cristãos e muçulmanos, unindo-nos em torno do nosso líder hachemita”, disse Teófilo III, que na Jordânia é representado por dois vigários patriarcais em Amã e em Irbid.
“Por mais graves que sejam os acontecimentos que estão a ocorrer ao nosso redor e por mais difíceis que sejam as provações que somos chamados a enfrentar, nunca abandonaremos a nossa terra. Somos filhos desta terra, nós mesmos somos as suas origens e fazemos parte da sua história, do seu presente e do seu futuro. Permaneceremos aqui, testemunhando a nossa fé, independentemente da magnitude dos desafios e da gravidade das provações”, disse ainda, manifestando a sua convicção de que a sociedade jordana irá permanecer “imune” a qualquer tipo de ideologia “obscura e extremista”.
Também o Cardeal Pierbattista Pizzaballa manifestou a sua proximidade para com as vítimas do ataque na Jordânia e apelou à unidade. “Vou para a Jordânia para dar condolências às famílias afectadas por este terrível incidente em que 9 pessoas foram mortas. Estamos a viver tempos difíceis. Muita tensão, violência e morte. E toda esta escuridão envolve-nos. Então, o que eu digo é que precisamos da oração. E por causa disso, estamos aqui. Mas precisamos também da unidade da oração de todas as igrejas connosco. E temos de estar todos unidos nestas situações. Não desistiremos”, afirmou o responsável.
Solidariedade também do Rei
Como a Fundação AIS já publicou, o atentado armado ocorreu numa igreja Greco-ortodoxa de São Jorge, em Hmoud, no sul da Jordânia, na sexta-feira passada, durante um funeral. Cerca de 250 fiéis estavam no local quando pelo menos 3 homens armados chegaram e começaram a disparar. Um atentado que provocou uma enorme incredulidade, não só por ter ocorrido numa igreja, espaço sagrado, mas também por que aconteceu durante um funeral, um tempo delicado e doloroso.
Isto mesmo foi sublinhado à AIS internacional pelo Padre Rif’at Bader, sacerdote católico jordano. “Em primeiro lugar, porque aconteceu na Jordânia — um país que sempre defendeu a segurança, a coexistência, o diálogo e a harmonia religiosa como valores fundamentais”, explicou o sacerdote. Além disso, acrescentou ainda, “porque aconteceu numa igreja – um lugar sagrado, uma casa de Deus, um lugar de acolhimento que deve ser sempre respeitado e protegido”, disse o padre que é um amigo de longa data da AIS.
“E, por fim, porque aconteceu durante um funeral, num dos momentos mais delicados e dolorosos para uma família. Parentes, primos, amigos e conhecidos tinham-se reunido para se despedirem de uma mulher que tinha falecido no dia anterior. É difícil imaginar um momento mais delicado para atacar pessoas já mergulhadas no luto. É como somar uma tragédia a outra, ferindo não só as famílias envolvidas, mas também a consciência da sociedade jordana no seu conjunto.”
Logo após o atentado, o rei da Jordânia visitou alguns dos feridos no hospital e condenou também de forma veemente o ataque, afirmando que “aqueles que se iludem a pensar que podem dividir os jordanos com as suas balas não têm qualquer hipótese perante a nossa unidade. Cada vida é preciosa e vamos agir com mão de ferro contra aqueles que ousarem ameaçar a nossa nação”.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt






