ESTADOS UNIDOS: “A Ucrânia está ferida, mas a Ucrânia é resiliente”, diz D. Sviatoslav Shevchuk, em podcast da AIS 

O Arcebispo de Kiev é o primeiro convidado do Podcast “Faith under Siege” – fé sob ataque – do secretariado norte-americano da Fundação AIS. A entrevista com o líder da Igreja greco-católica ucraniana, ajuda a compreender a situação neste país em guerra desde 24 de Fevereiro de 2022 e a importância da solidariedade para com sacerdotes, religiosas e seminaristas que, desde o primeiro dia, estão na linha da frente no auxílio humanitário aos que mais sofrem com a violência dos bombardeamentos e dos ataques, especialmente nestes dias rigorosos de Inverno…

Os cristãos estão “unidos” no apoio humanitário às populações, na necessidade de se “salvar vidas humanas, cooperando, ajudando-se uns aos outros”, diz D. Sviatoslav Shevchuk, no ‘podcast’ “Faith under Siege” – fé sob ataque – do secretariado norte-americano da Fundação AIS.

“Estamos unidos na nossa voz comum em favor das vítimas da guerra”, explica o prelado na primeira edição deste projecto de comunicação que junta a Ajuda à Igreja que Sofre, dos EUA, e o Instituto Fé e Razão, dirigido por Robert Royal, editor do site ‘The Catholic Thing’ e autor do livro “Os Mártires do Novo Milénio”, que oferece uma nova perspectiva sobre o martírio na Igreja, vinte e cinco anos depois de ter dado à estampa o estudo “Os Mártires Católicos do século XX”.

O ‘podcast’ pretende apresentar histórias e situações comoventes de cristãos que sofrem por causa da sua fé em todo o mundo. Os ucranianos têm enfrentado situações terríveis ao longo destes quatro anos de guerra – a invasão pelas tropas russas começou a 24 de Fevereiro de 2022, data que se assinalou ontem –, com destaque para o frio rigoroso do Inverno que se tem abatido sobre todo o país por causa dos ataques sistemáticos e precisos às infraestruturas de energia. E também aqui, nesta realidade em particular, sublinha D. Sviatoslav, se tem feito sentir a unidade dos cristãos.

“A Ucrânia está ferida, mas é resiliente…”

“Todas as igrejas estão a tentar cooperar para o fornecimento de electricidade, aquecimento para as pessoas, comida, abrigo, tudo o que é necessário para salvar uma vida humana no meio de um Inverno rigoroso”, diz D. Sviatoslav. O prelado expressou também a sua solidariedade por toda a ajuda que os cristãos do Ocidente têm dado à Ucrânia e sublinhou o apoio de instituições como a Fundação AIS.

Quando esta guerra começou, a Ajuda à Igreja que Sofre ajudou-nos imediatamente a prestar auxílio humanitário às pessoas que se encontravam em situação de emergência humanitária, especialmente no leste, sul e centro da Ucrânia. Portanto, muito obrigado por esta cooperação, por salvar vidas humanas.”

“A Ucrânia está ferida, mas a Ucrânia é resiliente”, concluiu, lembrando a importância dos projectos da AIS relacionados com a assistência espiritual a todos os que estão ou foram feridos psicológica e fisicamente. “Esse será o nosso programa pastoral para as próximas décadas”, garantiu.

Arcebispo de Kiev em Portugal

Em Outubro do ano passado, recorde-se, o Arcebispo de Kiev esteve em Portugal e deslocou-se a Fátima onde decorreu a Assembleia Plenária do Conselho das Conferências Episcopais da Europa. No final desses trabalhos, o prelado destacou também, em declarações ao secretariado nacional da Fundação AIS, a importância da oração para que o flagelo da guerra possa terminar na Ucrânia.

“Estamos muito cansados da guerra. É o quarto ano [neste momento é já o quinto ano de conflito…] em que esta tragédia traz todos os dias morte e destruição. Os poderosos do mundo não sabem, mas Nossa Senhora de Fátima continua a transmitir a sua mensagem. Por isso, rezamos pela paz e pela conversão da Rússia. Mas, antes de tudo, temos de nos converter a nós mesmos”, afirmou o prelado.

Se a guerra parece continuar, apesar das negociações de paz que se vão sucedendo, se o sofrimento das populações parece não ter fim, a verdade é que, segundo o Arcebispo de Kyiv, tudo seria infinitamente pior se desde a primeira hora o mundo não tivesse manifestado a sua solidariedade para com a Ucrânia.

“A vossa solidariedade salva vidas!”

O papel da Igreja, nomeadamente de instituições como a Fundação AIS, tem feito a diferença no dia-a-dia das populações mais atingidas pelos bombardeamentos, pelos ataques de mísseis e de drones. E D. Sviatoslav não regateou palavras de agradecimento, tal como fez agora no podcast “fé sob ataque”, para com os benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre que em todo o mundo têm assegurado orações e apoio vital para com os mais necessitados.

“Antes de mais, a primeira palavra é: muito obrigado. Estamos profundamente agradecidos pela vossa solidariedade. Eu estou vivo, posso falar, transmitir esta mensagem, é porque alguém me salvou. Salvou-me o exército ucraniano, salvou-me a solidariedade internacional. Catorze milhões de pessoas na Ucrânia tiveram de abandonar as suas casas. Mas esta tragédia da guerra não provocou outra tragédia, que é, muitas vezes, o desastre humanitário. Ninguém na Ucrânia morreu por causa da fome, do frio ou de outras causas humanitárias. Por isso, muitíssimo obrigado. A vossa solidariedade salva vidas”, garantiu o prelado.

Paulo Aido, com John Burger

Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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O maior desafio à liberdade religiosa na Ucrânia é a situação nos territórios ocupados. Na área controlada pelas autoridades de Kiev, os casos de discriminação religiosa são, até à data, sobretudo incidentes perpetrados contra indivíduos, e não violações sistémicas da liberdade religiosa.
Tragicamente, a guerra parece ter-se enraizado cada vez mais. As violações dos direitos humanos, incluindo as violações da liberdade religiosa, não diminuirão. As perspectivas continuam a ser negativas.

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