O norte dos Camarões “está dominado por jihadistas desde 2012”, denunciou D. Barthélémy Hourgo numa iniciativa que decorreu no final de Fevereiro na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, e que teve a colaboração da Fundação AIS. As palavras do Bispo de Yagoua ganham agora outro relevo pois este é um dos países que o Papa vai visitar em Abril num périplo africano que o levará também à Argélia, Angola e Guiné Equatorial.
Todos os anos, o Cardeal Juan José Omella, de Barcelona, convida os jovens da Diocese a iniciarem juntos a Quaresma em torno de uma cruz pertencente à comunidade cristã de um país em guerra ou em sofrimento. A situação nos Camarões, um país africano marcado pela violência jihadista, esteve no centro da celebração “Sent la Creu” – sente a cruz – que teve lugar na Basílica da Sagrada Família a 22 de Fevereiro.
O Bispo de Yagoua, D. Barthélémy Hourgo, testemunhou perante cerca de 2 mil jovens o que significa viver permanentemente debaixo da ameaça terrorista. Desde 2008, o prelado “lidera a diocese num contexto marcado pela pobreza, insegurança e violação flagrante dos direitos humanos”, escreveu o portal de notícias do Vaticano, sublinhando que o Bispo “se destacou pelo seu compromisso pastoral, a sua acção social em favor dos mais vulneráveis e a sua posição firme diante dos desafios políticos e sociais do país”.
“Igreja cheias apesar da insegurança…”
Na sua homilia, o Bispo explicou que o norte dos Camarões “está dominado por jihadistas desde 2012”, e que os terroristas têm espalhado o medo e a morte por onde passam. “Os terroristas chegaram e a primeira coisa que fizeram foi degolar cristãos”, referiu o prelado, lembrando que “também queimam casas e campos” e que até já queimaram “igrejas com pessoas lá dentro”.
Um dos grupos armados que mais se tem evidenciado nesta escalada de violência nos Camarões é o Boko Haram, que iniciou as suas actividades no Norte da Nigéria, mas já expandiu o terror para outros países da região. Segundo o prelado, apesar de toda a ameaça, de toda a violência, a verdade é que as igrejas continuam cheias de fiéis.
“As igrejas estão cheias apesar da insegurança e da pobreza porque, apesar da cruz, há ressurreição e os cristãos rezam, perdoam e reconstroem, vivendo com alegria”, disse o Bispo, no relato publicado no ‘site’ oficial da Arquidiocese de Barcelona. Além disso, D. Barthélemy Hourgo afirmou ainda que, “quando carregamos a cruz unidos a Cristo, essa cruz torna-se uma grande força”, e deu alguns exemplos. “Vejo mães que quase nada têm, mas mantêm uma fé radiante; vejo jovens sem trabalho, mas que se agarram à esperança em seus corações”, disse, visivelmente emocionado.
“A ressurreição terá a última palavra”
O bispo camaronês afirmou que “a cruz é o caminho para a maturidade e ensina a distinguir o essencial do supérfluo, porque é a semente da esperança cristã, que não é ingénua, mas se reafirma na realidade de Cristo, que não evita a guerra, o sofrimento ou a cruz, mas nos dá a solidez para continuar a caminhar rumo à plenitude na ressurreição, que terá a última palavra”.
A ajuda da AIS à Igreja dos Camarões
O testemunho do Bispo de Yagoua é muito importante até porque o Papa vai aos Camarões na já anunciada visita a diversos países africanos, que inclui também a Argélia, Angola e a Guiné Equatorial. A situação nos Camarões é complexa e a Fundação AIS tem apoiado os esforços da Igreja local no seu trabalho pastoral e D. Barthélémy Hourgo não perde uma oportunidade para expressar o seu agradecimento por essa colaboração.
Na última visita à sede internacional da fundação pontifícia, na Alemanha, o prelado fez questão de o dizer, explicando que a AIS tem ajudado “com a formação de sacerdotes, com estipêndios de Missa e com a construção de capelas”. O prelado afirmou ainda que “sem essa ajuda seria difícil”, porque a comunidade cristã local é muito pobre “e as pessoas não têm meios para pagar as propinas dos filhos no seminário”, nem têm meios “para construir igrejas e os padres nem sequer têm meios para se deslocarem na sua diocese a fim de visitar as paróquias, nem para se vestirem”.
A iniciativa “Sent la Creu” teve a colaboração da Fundação AIS e, nos anos anteriores, levou até Barcelona o drama das comunidades de Mossul, no Iraque, Camboja, Bangassou, na República Centro-Africana, Venezuela, Filipinas, Ucrânia e Terra Santa. No ano passado, o país escolhido foi a Síria.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt










