Descobriu Jesus e foi de tal forma arrebatador esse enamoramento que decidiu converter-se ao cristianismo e hoje George é até catequista. Mas não tem sido fácil a sua vida. Foi expulso da aldeia onde vivia, foi perseguido e os vizinhos muçulmanos não perdem uma oportunidade para o ridicularizar. A ele e a todos os catequistas que há por ali. Mas George não desiste e a sua coragem é inspiradora…
A capela onde George dá catequese é pouco mais do que rudimentar. Paredes de tijolo, chapas de zinco a fazer de telhado, bancos corridos que são umas simples tábuas de madeira e uma cruz na parede atrás do altar. Por todo o lado há sinais de ruína, rachas que se vão alargando nas paredes e no chão, e clareiras no telhado que não prenunciam nada de bom quando as nuvens no céu estão carregadas de negro. Mas tudo está impecavelmente limpo.
Não há um dia que George não varra o chão. Não há um dia que não coloque uma toalha branca sobre o altar da capela e não há um dia que não se faça à estrada para ir ao encontro das comunidades que estão espalhadas na zona.
George é um catequista exemplar. Era muçulmano, mas um dia descobriu Jesus e converteu-se. Foi a tal ponto arrebatador que hoje é catequista. Mas foi também doloroso. “A história da minha vocação é curta. Deixei o Islamismo e converti-me ao Cristianismo. Fui expulso do lugar, da aldeia onde vivia. Fui perseguido, mas mesmo assim não perdi a esperança, mantive-me firme no Cristianismo”, conta-nos no largo que fica defronte da capela e onde as crianças costumam jogar à bola antes das aulas de catequese.
George manteve-se firme, mas tem vindo a pagar um preço alto por isso. Na região há muitos muçulmanos que olham com desprezo e ridicularizam os catequistas.
Aqui há muitos muçulmanos, e quando nos vêem gozam connosco. Não aceitam a nossa mensagem, desprezam-nos por sermos catequistas, mas não podemos perder a esperança.”
Catequista George
Alicerces da fé cristã
Mas o exemplo de George foi fazendo caminho. Aos poucos, outros vizinhos, outros habitantes das aldeias em redor foram reparando naquele homem já de meia-idade, de sorriso tímido e bondoso que costuma abeirar-se das casas rudimentares das pessoas que vivem por ali na região, e que tem também o hábito de cumprimentar todas as pessoas, de as escutar, de as abraçar. E assim, ouvindo-as, abraçando-as, toca as suas vidas, torna-se parte delas, passa a ser, de alguma forma, família.
E outros muçulmanos, vendo esse exemplo, deixam-se tocar também por Jesus. “Houve alguns que, depois de eu me ter fortalecido na fé, pude ajudar a tornarem-se cristãos, e ainda hoje estão bem na fé cristã”, afirma George.
Ali, na Tanzânia, os catequistas são um dos alicerces da vida da Igreja. Há poucos padres para tantas pessoas que vivem espalhadas por pequenas aldeias e por vezes em lugares bem distantes. Chegar a todos é um desafio. “Os catequistas são os alicerces na construção da fé cristã, porque aqui há poucos padres e, se não houvesse catequistas, o Cristianismo enfraqueceria. É claro que há grandes desafios nas minhas funções pastorais. Durante a estação das chuvas, o padre pode vir uma vez, ou nem sequer vir. Quando levamos a comunhão ou quando visitamos os doentes, chegamos a percorrer 10 km”, relata-nos George.
“Ajudem-nos a fazer o nosso trabalho…”
São 10 km que às vezes são feitos a pé, por entre caminhos de terra batida no meio de uma vegetação exuberante que só por si é um sinal da presença de Deus. “Às vezes vamos de bicicleta, mas quando a bicicleta está avariada temos de ir a pé. Simplesmente caminhamos. Isso afecta a nossa missão porque não temos meios, afecta o nosso ministério porque não podemos ir a todos os lugares que tínhamos planeado. Ajudem-nos a fazer melhor o nosso trabalho, em prol da nossa Igreja”, pede George.
Ajudar os catequistas da Tanzânia é assegurar que a Palavra de Deus vai continuar a ser espalhada de aldeia em aldeia, de casa em casa. É garantir que outras pessoas possam vir a descobrir Jesus, como George. Ajudar os catequistas da Tanzânia é assegurar que eles possam ter pelo menos bicicletas para se deslocarem, possam ter Bíblias e cadernos para as suas aulas e possam ter as suas capelas com menos buracos nos telhados para que a chuva do Inverno não impeça as celebrações felizes de dezenas de fiéis aos domingos. Ajudar os catequistas da Tanzânia está nas nossas mãos.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt









