SÍRIA: Os cristãos pedem paz e orações após violência ter regressado em força à cidade de Alepo

A população civil, volta a ser a principal vítima da violência enquanto as Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas pelos curdos, e as forças leais ao governo de Damasco lutam para assumir o controlo de Alepo, a segunda cidade mais importante da Síria. A Igreja abriu já as portas dos seus edifícios às famílias deslocadas.

O Padre Hugo Alanis, que ainda recentemente esteve em Portugal a convite da Fundação AIS, lançou um apelo a todos por orações pela paz e pelo fim do sofrimento do povo sírio. Na mensagem de voz enviada para Lisboa, escutam-se perfeitamente, em fundo, os ruídos de explosões de artilharia e de mísseis.

As forças governamentais e membros das Forças Democráticas Sírias (SDF), uma coligação liderada pelos curdos com base no nordeste da Síria, estão a lutar pelo controlo de partes de Alepo. Os confrontos começaram no final de Dezembro e depois foram interrompidos quando ambas as partes estabeleceram uma trégua, mas os combates recomeçaram nesta terça-feira, dia 6, e já causaram várias mortes, incluindo cristãos, de acordo com fontes locais que estão em contacto com a Fundação AIS Internacional.

O regresso da violência coincidiu com o Natal para os fiéis ortodoxos arménios e com as celebrações da Epifania para as outras comunidades cristãs de Alepo, pelo que todas as celebrações foram canceladas pois as pessoas têm medo de sair de casa. “As escolas, universidades e serviços públicos estão fechados, apenas os hospitais continuam a funcionar, e as famílias – também cristãs – estão presas nas suas casas porque algumas pessoas estão na linha da frente”, afirma uma fonte local da AIS, que pediu para não ser identificada por razões de segurança.

A igreja local abriu muitos dos seus edifícios às famílias que tiveram de fugir das suas casas, e o governo abriu dois corredores para que as pessoas abandonassem as zonas afectadas, mas existe o receio de que a situação piore ainda mais quando estes forem novamente fechados.

Parece que ambas as partes estão a planear algo maior, de acordo com a quantidade de bombardeamentos e tiros que estamos a ouvir. Peço orações para que ambas as partes cheguem a um acordo e que a paz prevaleça no país.”

“Os rockets estão a chover sobre nós”

Numa mensagem enviada à AIS Internacional, o arcebispo maronita Joseph Tobji dirigiu-se aos benfeitores da fundação, pedindo orações. “Queria pedir-vos orações com este vídeo, porque o momento tornou-se crítico novamente. As pessoas estão a começar a fugir de muitas zonas de Alepo. Contamos com a ajuda de Deus e, por isso, agradecemos as vossas orações.”

O Padre Fadi Najjar, parceiro do projecto da AIS, também enviou uma mensagem explicando que “o governo está a bombardear as zonas curdas, e os curdos respondem bombardeando os nossos bairros. Os rockets estão a chover sobre nós”. “É claro que os civis são sempre o elo mais fraco e os que mais sofrem. Muitas pessoas abandonaram as suas casas e muitas morreram”, acrescenta o padre.

O sacerdote termina a sua mensagem com um pedido urgente de orações e paz, lembrando: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Por favor, rezem por nós e permaneçam unidos em oração. Não sabemos o que está a acontecer nem o que vai acontecer, por isso, por favor, ajudem-nos com as vossas orações e solidariedade. Levantem a vossa voz pela paz, para que esta guerra termine imediatamente”.

“Estamos a receber famílias”

Também o Padre Hugo Alaniz, outro parceiro de projetos da AIS, e que em Novembro do ano passado esteve em Portugal, relatava em mensagem enviada para Lisboa um ambiente tenso, de medo. “Infelizmente, a situação está outra vez muito má, entre as forças do governo e, de novo, os curdos.” O sacerdote diz que, apesar de a noite ter sido “relativamente tranquila”, os combates começaram de novo, “e ambas as partes estão a preparar-se para uma coisa ainda maior”, antecipando assim um agravamento do confronto entre o exército sírio e as unidades curdas das Forças Democráticas Sírias.

Na mensagem do Padre Hugo Alaniz, em que reiteradamente pede as orações de todos para se evitar a escalada da violência na cidade, o sacerdote explica que a sua paróquia se transformou, nas últimas horas, num local de abrigo para as populações. “Na nossa pequena igreja, estamos a receber famílias desde ontem, que estão alojadas aqui. E agora tenho de procurar algo para estes dias. Vamos ver se encontramos algum lugar aberto para poder comprar alguma coisa, porque isto nos apanhou um pouco desprevenidos”, afirma o sacerdote argentino, missionário do Instituto do Verbo Encarnado.

“Não sabemos o que vai acontecer

Estes confrontos entre as forças sírias e as unidades curdas já se começaram a fazer sentir, explica o Padre Hugo, “dias antes do Natal”, em que houve “alguns problemas”, mas agora, desde ontem, dia 6, a situação agravou-se acentuadamente. “A situação está muito má”, descreve o padre, acrescentando: “não sabemos o que vai acontecer”

Perante esta escalada da violência – são perfeitamente audíveis os ruídos de fortes explosões de artilharia e rebentamentos de rockets na mensagem de som enviada pelo sacerdote – o Padre Hugo Alaniz pede as nossas orações e não se esquece de fazer esse apelo ao povo português que o acolheu tão generosamente em Novembro passado durante a Red Week, que a Fundação AIS organizou no nosso país.

Cremos no poder da oração, que Deus pode mudar os corações das pessoas. E sabemos que a nossa fé nos chama a sermos fiéis nos momentos de debilidade, de prova. Então, agradecemos também as orações por isso, para que nossas famílias, neste momento, continuem a ser fortes. Obrigado a toda a comunidade da AIS em Portugal. Deus os abençoe.”

Notícias alarmantes de Alepo

Entretanto, Regina Lynch, presidente executiva da Ajuda à Igreja que Sofre, mostrou-se preocupada com o evoluir da situação na segunda cidade mais importante da Síria.

“Mais uma vez, chegam-nos notícias alarmantes de Alepo. Os nossos irmãos e irmãs que lá se encontram pedem orações, e nós, na AIS, juntamo-nos a este apelo com profunda preocupação e esperança. Em momentos como este, quando o medo e a incerteza voltam à vida quotidiana de tantas famílias, a oração torna-se um poderoso acto de solidariedade. Peço aos nossos benfeitores e a todas as pessoas de boa vontade que rezem pelo povo de Alepo, especialmente pelas comunidades cristãs que mais uma vez sofrem as consequências da violência. Que Deus toque os corações dos responsáveis, para que prevaleçam o diálogo e a paz”, afirma a responsável da fundação pontifícia.

Campanha solidária em Portugal

Sinal da proximidade da AIS para com o povo sírio, está em marcha em Portugal, desde o Natal, recorde-se, uma campanha solidária em que se apela aos portugueses para ajudarem a minimizar o sofrimento das crianças nos dias de frio intenso que se vivem neste país agora durante o Inverno. A campanha tem como objectivo oferecer roupa quente a cerca de 20 mil crianças sírias que vivem em Alepo, mas também noutras cidades como Qamishli, Hassakeh, Sweida, Hora, Damasco, Vale dos Cristãos, Hama e Latakia. Esta campanha está a ser coordenada localmente pela Irmã Annie Demerjian, da Congregação de Jesus e Maria.

Reproduzir vídeo

Filipe D’Avillez e Paulo Aido

Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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