PORTUGAL: “A liberdade religiosa precisa de ser defendida em nome da humanidade”, afirma D. Pedro Fernandes

Castelo Branco juntou-se, neste fim de semana, às dioceses de Viana do Castelo, Braga, Porto, Évora, Lisboa e Setúbal, em que a Fundação AIS já apresentou o Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo. O evento, que decorreu na sacristia da Sé Catedral de Castelo Branco, contou com a presença do bispo local, D. Pedro Fernandes, e da directora do secretariado nacional da fundação pontifícia, Catarina Martins de Bettencourt. O Bispo de Portalegre-Castelo Branco destacou a importância da defesa da liberdade religiosa e elogiou a missão da AIS em Portugal.

A belíssima sacristia da Sé Catedral de Castelo Branco foi o palco escolhido para a apresentação nesta diocese do mais recente Relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo. O evento contou com a presença da directora do secretariado nacional da Ajuda à Igreja que Sofre, que apresentou as linhas gerais do documento, e do Bispo de Portalegre-Castelo Branco.

D. Pedro Fernandes agradeceu a presença na diocese da equipa da AIS e a oportunidade de se debater e reflectir sobre a liberdade religiosa, lembrando que este tema “está no coração da fé cristã, pois não há fé cristã sem valorização da liberdade e do exercício da liberdade”. O Bispo enfatizou a importância de se falar abertamente sobre esta questão, que diz respeito a todos no planeta, mesmo aos que vivem em países, como Portugal, onde não ocorrem incidentes de gravidade.

A liberdade religiosa precisa de ser defendida e preservada em nome da fé cristã e também, naturalmente, em nome da humanidade. Diz-nos respeito por aquilo que se passa longe, mas também nos diz respeito por aquilo que se passa perto. Porque o que está em causa na liberdade religiosa é, no fundo, a própria liberdade. A liberdade a todos os níveis, e o respeito pelas pessoas, enquanto sujeitos de liberdade, também a todos os níveis.”

Paz e compaixão, valores comuns às religiões

O Bispo referiu que todas as religiões têm “alguns valores transversais, como a defesa da paz, a defesa e a valorização da compaixão”, e lembrou, a propósito, que a Conferência Episcopal portuguesa promoveu recentemente, a 3 de Fevereiro, uma sessão de evocação do sétimo aniversário da Declaração sobre a Fraternidade Humana, de Abu Dhabi, assinada conjuntamente pelo Papa Francisco e pelo grande imã de Al-Azhar, documento em prol da paz mundial em que se condena o terrorismo e a intolerância religiosa.

Para o prelado, este é “um documento importantíssimo”, que reafirma o compromisso do islão e do cristianismo na defesa da liberdade de culto. Para D. Pedro, esta declaração “enche-nos de esperança”, mas também obriga a uma vigilante responsabilidade. “Precisamos de rezar, e este é um dos eixos da Ajuda à Igreja que Sofre”, lembrou o Bispo de Portalegre-Castelo Branco. “Precisamos de rezar por todos aqueles que sofrem violência, e eu recordo que a violência não é má por ser contra nós. A violência é má por ser violência. E nós estamos contra a violência porque ela é, essencialmente, anti-humana, ela é desumana”, disse.

Militância na defesa dos direitos humanos

Na sua intervenção, de improviso, D. Pedro Fernandes lembrou ainda que o que está em causa na perseguição religiosa “é, no fundo, a não aceitação das diferenças, a intolerância, a incapacidade de integrar as diversidades que compõem os tecidos sociais e as comunidades humanas e a pretensão de se impor um modelo sobre os outros modelos”.

E falando de intolerância, o bispo recordou um episódio recente que foi denunciado pela comunidade religiosa a que pertence, em que, num vídeo publicado nas redes sociais “por um líder de um partido de extrema-direita”, se falava de um muçulmano a rezar numa rua de Lisboa, “exercendo a sua liberdade”, frente ao prédio “onde morei até há quatro meses, e que é a casa dos espiritanos, como se [estar a rezar na rua] fosse uma acção de desrespeito e de agressão à identidade cristã e à identidade nacional, e até de desrespeito aos espiritanos”.

O Bispo disse que, “de imediato”, a sua congregação religiosa veio a público “desmentir e desautorizar completamente este tipo de discurso, porque, de facto, é um discurso que incentiva o ódio, incentiva a discriminação e promove pressupostos que são, efectivamente, falsos”. No final da sua intervenção, o Bispo de Portalegre-Castelo Branco apelou à “militância na defesa dos direitos humanos, na defesa dos valores cristãos mais fundamentais que nós realmente precisamos de preservar e de promover”.

Assinatura da Petição da Fundação AIS

A sessão em Castelo Branco, que juntou aproximadamente meia centena de pessoas e que terminou com a celebração eucarística na Sé Catedral, ficou marcada pela assinatura, por praticamente todos os presentes, da Petição que a Fundação AIS lançou também em Novembro do ano passado, a nível internacional, em defesa da liberdade religiosa.

Lançada em simultâneo com o relatório sobre a Liberdade Religiosa, a Petição da AIS é dirigida ao secretário-geral da ONU, António Guterres; ao Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk; e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, além de líderes de governos democráticos, embaixadores e representantes diplomáticos e a todos os membros da Assembleia Geral das Nações Unidas. A Petição, que foi também subscrita por D. Pedro Fernandes, está disponível em acninternational.org.

Igreja “grata” à Fundação AIS

No final da sessão, e numa breve declaração para o programa “Igreja no Mundo”, que a Fundação AIS de Portugal apresenta semanalmente na TV e Rádio Canção Nova e em dezenas de outras estações radiofónicas em Portugal e nos países lusófonos, o bispo de Portalegre-Castelo Branco disse que tanto a “Igreja como a sociedade portuguesa deviam estar muito gratas à Ajuda à Igreja que Sofre pelo trabalho que desenvolve, no sentido de sensibilizar e de promover o apoio a vários níveis a todas as comunidades fragilizadas, perseguidas, discriminadas, e que enfrentam grandes dificuldades”, lembrando que há “muitíssimos cristãos que sofrem este tipo de perseguição ou discriminação” no mundo.

O Relatório 2025 da Liberdade Religiosa da Ajuda à Igreja que Sofre, foi já apresentado, além de Castelo Branco, nas dioceses de Viana do Castelo, Braga, Porto, Évora, Lisboa e Setúbal, tendo contado, no final do ano passado, com a apresentação pública do testemunho do Padre Hugo Alaniz, que veio de Alepo, na Síria, precisamente para ajudar a explicar aos portugueses a importância e urgência da defesa da liberdade religiosa e do apoio aos cristãos perseguidos no mundo.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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O relatório da Fundação AIS analisa a situação da liberdade religiosa em 196 países. É um dos quatro relatórios sobre a situação da liberdade religiosa a nível mundial, sendo o único relatório não governamental na Europa que tem em conta a doutrina social católica.

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