Foi libertado no passado sábado, dia 17 de Janeiro, e ao fim de dois meses de cativeiro, o Padre Bobbo Paschal, da Diocese de Kaduna. Algumas horas depois, já no domingo, 18, mais de 160 fiéis foram sequestrados em ataques a duas igrejas igualmente na região. A Nigéria é um dos países de África que mais sofre com a contínua violação da liberdade religiosa.
O Padre Bobbo Paschal, sequestrado em 17 de Novembro do ano passado, durante um ataque armado à paróquia de Saint-Étienne, na arquidiocese católica de Kaduna, foi libertado no sábado, dia 17 de Janeiro, após dois meses de cativeiro. A alegria da comunidade cristã perante esta notícia durou pouco tempo pois algumas horas mais tarde, no domingo, dia 18, mais de 160 fiéis foram raptados em ataques a duas igrejas precisamente no estado de Kaduna, situado no norte da Nigéria e uma das áreas mais instáveis do país.
As duas igrejas foram atacadas por um número elevado de homens armados, que cercaram os locais de culto e bloquearam as vias de acesso, obrigando os fiéis a sair à força e a refugiarem-se nas matas. Segundo o portal de notícias do Vaticano, “o ataque ocorreu durante cultos religiosos, e até ao momento não houve reivindicação oficial de responsabilidade nem pedido de resgate”.
Esta notícia acabou por quase fazer esquecer a libertação do Padre Paschal, raptado a 17 de Novembro do ano passado e que esteve 61 dias em cativeiro. Durante o ataque à residência paroquial onde se encontrava o padre, os assaltantes assassinaram um outro sacerdote, irmão do Padre Bobbo Paschal, como a Fundação AIS relatou na ocasião.
Estes casos retratam uma realidade cada vez mais comum neste país africano. Uma investigação da Conferência Episcopal Católica da Nigéria, divulgada em Dezembro do ano passado, documenta situações de rapto em pelo menos 41 das 59 dioceses e arquidioceses católicas do país. Estes dados são consistentes com as conclusões do Relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, publicado em Outubro, e em que se identifica este país de África como um dos mais perigosos do planeta para o clero e os líderes religiosos.
Década de terror
De acordo com o documento, referente ao período entre 2015 e 2025 e enviado à AIS Internacional, dos 212 padres raptados e posteriormente sequestrados, 183 foram libertados ou escaparam, 12 foram assassinados e 3 morreram mais tarde em resultado de traumas e ferimentos sofridos durante o cativeiro.
Actualmente, e com a libertação do Padre Bobbo, pelo menos 3 sacerdotes permanecem em cativeiro: John Bako Shekwolo, Emmanuel Ezema e Joseph Igweagu. O relatório confirma também que pelo menos seis sacerdotes foram raptados mais de uma vez, o que evidencia a vulnerabilidade persistente em que se encontra o clero católico.
No entanto, o número real de vítimas de violência é certamente superior, pois a AIS registou, de forma independente, casos isolados de rapto durante os últimos anos em, pelo menos, outras cinco dioceses não abrangidas pelo estudo. Além disso, o relatório não inclui incidentes envolvendo ordens religiosas e congregações.
O impacto desta violência tem sido devastador para as comunidades cristãs locais. Aldeias inteiras foram deslocadas, paróquias abandonadas e a vida pastoral severamente perturbada em vastas áreas do país. Só na Diocese de Minna, por exemplo, mais de 90 igrejas foram forçadas a fechar devido à persistente actividade terrorista e à insegurança crónica na região. Muitos padres foram raptados directamente das suas casas paroquiais, ou enquanto viajavam para o trabalho pastoral ou a caminho da celebração da Santa Missa.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







