NIGÉRIA: “As pessoas temem pela vida”, após dezenas de mortos em três atentados suicidas em Maiduguri

O Padre Joseph Fidelis, de Maiduguri, alertou para a presença de terroristas que se estão a “infiltrar” nas aldeias nesta região do nordeste da Nigéria. O aviso surge após um triplo ataque coordenado ter causado dezenas de mortes, entre os quais três cristãos, e mais de uma centena de feridos.

Cerca de três dezenas de mortos e mais de uma centena de feridos é o balanço, ainda provisório, de um devastador ataque terrorista na noite de 16 de Março em Maiduguri.  Segundo o Padre Fidelis, em declarações à Fundação AIS Internacional, na noite anterior, Domingo, 15, diversos terroristas “tentaram infiltrar-se na cidade, mas os militares identificaram-nos e repeliram-nos após intenso tiroteio”. No entanto, poucas horas depois, já dia 16, “alguns elementos já se encontravam na cidade a planear o triplo ataque”.

A primeira explosão ocorreu à entrada de um hospital universitário, enquanto a segunda e a terceira aconteceram poucos minutos depois no popular mercado das Segundas-feiras (Monday Market) e na estação de correios do centro comercial, ambos os locais situados a cerca de 4 km do hospital.

Segundo as autoridades, houve pelo menos 28 mortos e 108 feridos, alguns em estado grave, devido às explosões quase simultâneas que se registaram pelas 19:30, hora local, no momento em que a população celebrava o fim do Ramadão.

Três cristãos entre as vítimas mortais

Segundo D. John Bakeni, bispo auxiliar de Maiduguri, entre as vítimas estão já contabilizados três cristãos, e pelo menos outros seis que estão hospitalizados. O Padre Fidelis disse à Fundação AIS Internacional que os terroristas eram membros do ISWAP (o ramo do Estado Islâmico na África Ocidental), que opera além-fronteiras, mas que tem raízes no estado de Borno.

Eles usam uma estratégia de guerrilha para a sua infiltração. Comportam-se como pessoas normais, vestem-se com roupas normais e entram nos veículos como cidadãos normais. E provavelmente os dispositivos explosivos [que usaram] foram improvisados dentro da cidade. Reconhecemos o grande trabalho da polícia, que teve de supervisionar o regresso da população às suas casas por altura do fim do jejum do Ramadão. A polícia fez esse esforço, mas eles infiltraram-se na mesma.”

Segundo as autoridades do estado de Borno, os incidentes foram perpetrados por “presumíveis suicidas”, que agora os agentes da polícia tentam identificar. Todo este sobressalto ainda se faz sentir na vida das pessoas. O Padre Fidelis diz mesmo que “a normalidade [ainda] não regressou”.

“A estação de correios funciona como habitualmente como estação rodoviária central, mas as pessoas estão a evitá-la, e há quem utilize até caminhos secundários e as pessoas estão com medo de sair à rua, pois temem pelas suas vidas.”

“É como uma guerra de guerrilha”

O sacerdote explica ainda que ataques anteriores ocorridos nas aldeias de Ngoshe e Pulka já tinham provocado a deslocação de cerca de 3 mil pessoas para Maiduguri. “Isto dificulta os controlos de segurança porque não é possível revistar toda as pessoas. É como uma guerra de guerrilha, muito difícil de controlar”, explica.

O aumento do número de deslocados trouxe também complicações adicionais: “Quanto mais pessoas fogem para salvar a vida e se deslocam, mais caótica se torna a situação”, diz. “Na maioria das vezes, quando estas coisas acontecem, as pessoas fogem para as igrejas. Tentamos dar comida, abrigo, casas de banho improvisadas e tendas. Por tudo isso, pedimos as vossas orações e o vosso apoio. A Fundação AIS é sempre a primeira a ajudar. Ajudam-nos com as viúvas, com os órfãos e os catequistas. Estamos sempre gratos pelo vosso trabalho e apreciamos imenso o que fazem”, concluiu.

Um programa islamista para atingir os cristãos

Este triplo atentado terrorista vem sublinhar os alertas deixados na semana passada em Madrid pelo Arcebispo de Abuja. D. Inácio Kaigama alertou, no lançamento de uma campanha da Fundação AIS em Espanha, que “a Nigéria está a sangrar, ferida e destruída”. Para o prelado, os ataques que têm ocorrido neste país africano ao longo dos últimos meses, têm como objectivo impor uma visão radical do Islão, o que significa ter como alvo os muçulmanos moderados e os cristãos. E há mesmo, assegura, uma estratégia para atingir os cristãos, para atingir a Igreja.

“Estou aqui para testemunhar que a realidade da Nigéria relatada pela AIS e por esta campanha é verdadeira. Existe uma estratégia para frustrar a nossa missão. Eles estão a instigar o medo nos nossos sacerdotes, sequestrando-os repetidamente. Estão a visar também os leigos que frequentam a missa, bombardeando-os e atacando-os, impedindo que se reúnam. Há um programa islamista para reduzir a presença cristã na Nigéria, alertou.

Nathalie Raffray e Paulo Aido

Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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A liberdade religiosa na Nigéria está gravemente ameaçada. As vítimas são predominantemente cristãs, mas também muçulmanas e de religiões tradicionais, líderes religiosos e fiéis que sofrem às mãos dos terroristas, grupos armados jihadistas e criminosos nacionais e transnacionais.

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