INTERNACIONAL: Mais de 600 missionários e agentes pastorais foram mortos neste século, diz agência Fides

Segundo a agência de Notícias Fides, só no ano passado foram mortos 17 missionários e agentes pastorais, sinal da violência contra membros da Igreja em todo o mundo ao longo deste século. Estes números, no entanto, não traduzem em toda a dimensão a realidade de perseguição à Igreja. Sinal disso, ainda há poucos dias, no final de Dezembro, o Bispo de Pemba, em Moçambique, assegurou à AIS que só em 2025, na região norte do país, “foram mortos 34 cristãos católicos, entre catequistas, animadores e fiéis”…

No último quarto de século, entre os anos de 2000 e 2025, 626 missionários católicos foram mortos em todo o mundo, de acordo com a agência Fides, das Pontifícias Obras Missionárias. Este número inclui os 17 membros da Igreja que perderam a vida violentamente em 2025, ou seja, 10 padres, dois seminaristas, dois catequistas, duas religiosas e um leigo.

Segundo a Fides, destas 17 vítimas, a grande maioria – 10 – estavam em África, enquanto no continente americano foram mortos 4 missionários, assim como dois na Ásia e um na Europa. Estes dados permitem confirmar que o continente africano é, claramente, uma das regiões do globo onde a violência contra os cristãos está mais acentuada, confirmando as conclusões do Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, publicado pela Fundação AIS em Outubro do ano passado.

Um desses incidentes que provocou vítimas mortais em 2025 ocorreu na Nigéria, a 10 de Julho. O violento ataque ao Seminário Menor da Imaculada Conceição, em Ivhianokpodi, na Diocese de Auchi, provocou logo nesse dia a morte de um elemento da segurança do edifício e teve também como consequência o rapto de três seminaristas que “foram levados para as matas”, como na ocasião foi explicado à Fundação AIS. Um desses seminaristas, Emmanuel Alabi, acabaria por falecer, exausto, não suportando o ritmo de marcha imposto pelos sequestradores.

“Quem virá ajudar-nos?”

A agência Fides recorda também outras histórias de missionários e agentes de pastoral que perderam a vida ao longo do ano passado. Foi o que aconteceu, por exemplo, com as irmãs Evanette Onezaire e Jeanne Voltaire, ambas “brutalmente assassinadas” a 31 de Março por membros de um dos muitos grupos armados – gangues – que controlam o Haiti, como a Fundação AIS também reportou.

Ambas as religiosas, da Congregação das Irmãzinhas de Santa Teresa do Menino Jesus, estavam em missão na cidade de Mirebalais quando, devido aos ataques desses gangues, foram obrigadas a refugiar-se com outras pessoas numa casa. Infelizmente, descobriram o esconderijo e mataram todo o grupo. “O facto de os gangues armados terem começado a actuar também em Mirebalais, a dezenas de quilómetros da capital, cidade já quase totalmente dominada por criminosos, reflecte o agravamento considerável da situação no país”, explicava a AIS na notícia sobre o assassinato das duas irmãs.

O arcebispo de Port-au-Prince, D. Max Leroy Mésidor, alertava também na ocasião, em declarações à fundação pontifícia, que a insegurança no Haiti estava já a afectar a própria presença da Igreja na capital do país. “Vinte e oito paróquias da arquidiocese de Port-au-Prince estão encerradas, enquanto cerca de quarenta estão a funcionar a um ritmo reduzido devido ao controlo dos gangues nos seus bairros.  Os padres foram obrigados a fugir, procurando refúgio junto das suas famílias ou de outros membros do clero. Precisam de ajuda. A arquidiocese também está em dificuldades”, explicava o arcebispo. “O Haiti está em chamas e precisa urgentemente de ajuda, quem virá ajudar-nos?”, perguntava prelado.

Não esquecer Cabo Delgado

Entre as vítimas registadas pela agência Fides, conta-se também o caso do Padre Donald Martin, o primeiro sacerdote católico birmanês morto no conflito civil que assola Mianmar, e cujo corpo sem vida, mutilado e desfigurado, foi encontrado por paroquianos.

Na Polónia, o Padre Grzegorz Dumek, de 58 anos de idade, apareceu estrangulado, a 13 de Fevereiro, aparentemente na sequência de uma tentativa de assalto. O sacerdote servia a paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Klobuck, uma cidade no sul da Polónia, nos arredores de Częstochowa.

De acordo com a agência Fides, a lista apresentada não se refere apenas a missionários e agentes pastorais ‘ad gentes’, considerados em sentido estrito, mas entende o termo ‘missionário’ num contexto mais amplo, abrangendo todos os católicos que estiveram envolvidos de alguma forma em trabalhos pastorais e actividades eclesiais e que morreram violentamente, mesmo que não tenham morrido expressamente ‘por ódio à fé’.

Os autores do relatório lembram que estas notícias sobre as vidas e as circunstâncias das mortes violentas de todas estas pessoas oferecem um vislumbre do que é o dia-a-dia de tantos homens e mulheres comprometidos com a vida da Igreja em contextos frequentemente marcados pela violência, miséria e falta de justiça. São pessoas que “voluntariamente ofereceram as suas vidas a Cristo até ao fim”.

Os dados apresentados pela agência Fides são necessariamente incompletos, pois não incluem todas as situações que envolveram fiéis em contextos de violência. Ainda em Dezembro, durante a visita do Cardeal Parolin a Cabo Delgado, em Moçambique, o Bispo de Pemba assegurava ao número dois do Vaticano que só no ano passado “foram mortos 34 cristãos católicos, entre catequistas, animadores e fiéis”

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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